Computação quântica pode quebrar criptografia a partir de 2035, e hora de se preparar é agora, diz IBM - QTU Questões do Universo

Computação quântica pode quebrar criptografia a partir de 2035, e hora de se preparar é agora, diz IBM

Fonte: Bandeira da fonte

Enquanto os computadores tradicionais utilizam basicamente bits, uma linguagem binária, e o avanço das últimas décadas veio de reduzir o tamanho dos semicondutores, os computadores quânticos trabalham de modo totalmente diferente.
O bit quântico (qubit) tem características de superposição, emaranhamento e interferência, o que lhe dá capacidade de realizar cálculos que nem mesmo a melhor inteligência artificial do mundo jamais conseguirá.
Isso é importante porque significa que, em breve, a computação quântica conseguirá quebrar os sistemas de criptografia, que são baseados em cálculos complexos de números primos.

Em uma palestra no Febraban Tech, Enrique Vargas, diretor de business development & enterprise partnerships para as Américas na IBM Quantum, apontou que não é possível saber a data exata de quando a computação quântica irá conseguir quebrar a criptografia, mas a partir de 2030 já é preciso acender o alerta e, em 2035, começa a zona de perigo mesmo.
“A hora de se planejar, de se preparar, é agora.
O trem já está na estação, é uma tecnologia que já está disponível.
Você vai entrar no trem ou ele vai partir sem você?”, alertou.
Segundo ele, até mesmo para uma empresa mapear suas vulnerabilidades, ou seja, avaliar onde estão seus sistemas de criptografia, já é um trabalho complexo.
“Existem criptografias que deveriam ter sido substituídas 20 anos atrás e ainda estão rodando”.

Ele apontou que a computação quântica vai provocar disrupção em diversas indústrias, de serviços financeiros às areas de saúde, automotiva e logística.
O executivo da IBM mostrou um estudo da BCG que aponta que essa tecnologia pode gerar US$ 850 bilhões em valor quando estiver madura.
No Brasil, a IBM trabalha com Bradesco e Itaú, por exemplo.
“A indústria financeira foi uma das primeiras que nos procurou”, contou.

Em setembro do ano passado, o HSBC divulgou os resultados de um projeto realizado em parceria com a IBM.
Usando um modelo híbrido que conta com ferramentas quânticas, o banco descobriu que a tecnologia era 34% melhor que os meios tradicionais em prever a probabilidade de uma ordem ser executada no mercado de negociação de títulos corporativos.
“Os resultados foram tão bons que os cientistas não acreditaram e mandaram rodar de novo, porque acharam que estava errado.
É algo que os matemáticos não conseguiram explicar.
A gente usou e gerou uma evidência empírica, mas ainda não tem a prova matemática para explicar como conseguimos esses resultados”, disse Vargas.

A computação quântica deve ser especialmente boa para resolver questões como simulações hamiltonianas (processos computacionais que calculam como um sistema físico ou quântico evolui ao longo do tempo com base em sua energia total), questões de otimização, machine learning e equações diferenciais.
Esse último ponto pode ajudar a indústria financeira em gestão de risco, simulações de mercado e combate à fraude e à lavagem de dinheiro, por exemplo.
“Já atingimos o que chamamos de ‘vantagem quântica’, não é mais algo teórico.
Conseguimos separar os efeitos e comprovar quando usar a computação quântica é vantajoso”.