‘Composto taradão’: Conheça produto apreendido pela Anvisa que promete vigor sexual e saúde masculina

 

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A Anvisa determinou a apreensão e a proibição de comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso de uma série de produtos vendidos com apelo medicinal e sem registro sanitário, entre eles o chamado “Composto taradão”. A medida consta de resolução publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, que também trata do recolhimento voluntário de lotes de medicamentos para colesterol e de um corticoide injetável.

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Segundo a agência, os produtos da marca Viva da Natureza, fabricados por empresa não identificada, eram anunciados e comercializados sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa. Além do “Composto taradão”, a lista inclui itens como “Composto cura tudo”, “Composto anti-álcool”, “Garrafada cura tudo”, “Kit sinusite/rinite”, “Composto saúde do homem”, “Composto tira fumo”, “Composto para diabetes”, “Composto para psoríase” e “Garrafada do seu Geraldo”.

O problema sanitário vai além de uma irregularidade burocrática. Pela resolução, esses produtos prometiam efeitos típicos de medicamentos, mas eram vendidos sem avaliação da autoridade sanitária e por fabricante desconhecido. Isso significa que não há garantia sobre procedência, dose segura, eficácia, condições de fabricação, presença de contaminantes ou eventual adulteração com substâncias escondidas.

No caso do “Composto taradão”, a fórmula é associada a um apelo de estimulante, tônico e “afrodisíaco”, com promessa implícita de energia, libido e melhora da circulação. A composição atribuída ao produto inclui plantas usadas popularmente com esse tipo de finalidade, como catuaba, ginseng, ginkgo biloba, guaraná, marapuama, nó-de-cachorro, cipó-cravo, rabo-de-cavalo e cipó-mil-homens, entre outras.

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Apesar da imagem “natural”, especialistas alertam que a mistura de várias plantas em um mesmo produto, sem informação clara de dose, extrato, padronização e segurança, aumenta o risco de efeitos adversos e interações medicamentosas. Guaraná e ginseng, por exemplo, podem ter efeito estimulante e piorar quadros de insônia, ansiedade ou pressão alta. O ginkgo biloba pode aumentar o risco de sangramento, especialmente em pessoas que usam anticoagulantes. Já rabo-de-cavalo, ou cavalinha, é associado a efeito diurético.

O cipó-mil-homens é um dos itens que mais acendem alerta, porque o nome popular costuma ser associado a espécies de Aristolochia, relacionadas à presença de ácido aristolóquico, substância vinculada a lesão renal e risco de câncer. A mistura de nomes populares, sem identificação botânica e controle de fabricação, dificulta ainda mais a avaliação de segurança.

A Anvisa também determinou ações contra produtos da marca Status Verde, igualmente fabricados por empresa não identificada. Entre eles estão “Diversos fitoterápicos sem registro”, “Composto anti-diabetes”, “Valeriana composta”, “Erva baleeira” e “7 Magnésios”. Segundo o órgão, houve comprovação de propaganda, anúncio de venda e comercialização dos produtos sem registro, notificação ou cadastro.

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A resolução cita violação a artigos da Lei nº 6.360/1976, que regula produtos sujeitos à vigilância sanitária. Pelos nomes e promessas, produtos como “anti-diabetes”, “cura tudo”, “para psoríase”, “sinusite/rinite”, “tira fumo” e “anti-álcool” passam a ser enquadrados como medicamentos, pois sugerem tratamento, prevenção ou cura de doenças — o que exige comprovação e autorização da Anvisa.

Além dos produtos irregulares, a resolução inclui o recolhimento voluntário de lotes de medicamentos regularizados. A Cimed iniciou o recolhimento do lote 2424299 de atorvastatina cálcica 40 mg e do mesmo lote de rosuvastatina cálcica 20 mg. O motivo é a suspeita de mistura de embalagem de cartucho de rosuvastatina 20 mg no lote de atorvastatina cálcica 40 mg.

Em nota ao g1, a Cimed informou que o recolhimento é uma medida preventiva e voluntária, comunicada à Anvisa em maio de 2025.

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“A ação foi adotada pela própria companhia como parte de seus rigorosos protocolos internos de qualidade e segurança, reforçando o compromisso permanente da Cimed com a excelência, a transparência e a confiança de pacientes e profissionais de saúde. Seguimos à disposição”, informou a Cimed.

A atorvastatina cálcica e a rosuvastatina cálcica pertencem à classe das estatinas, usadas principalmente para reduzir o colesterol ruim, o LDL, e os triglicerídeos no sangue, além de elevar o colesterol bom, o HDL. Esses medicamentos são receitados para prevenir doenças cardiovasculares, como infartos e AVCs.

Também entrou em recolhimento voluntário o lote 25091566 do fosfato dissódico de dexametasona 4 mg/ml solução injetável, fabricado pela Hypofarma. Segundo o Diário Oficial, a motivação foi a turvação da solução quando o fármaco é diluído em associação com determinados medicamentos.

Em nota ao g1, a Hypofarma afirmou que a medida foi preventiva e restrita ao lote citado.

“A companhia esclarece que o recolhimento é restrito ao lote mencionado e reforça que segue realizando análises técnicas e acompanhamentos internos com total responsabilidade e colaboração junto às autoridades sanitárias competentes”

O fosfato dissódico de dexametasona é um corticoide sintético usado no tratamento de condições inflamatórias severas, distúrbios alérgicos, doenças autoimunes, problemas dermatológicos e edemas, como o edema cerebral em algumas condições neurológicas. Também pode ser indicado para distúrbios endócrinos.

No caso dos produtos como o “Composto taradão”, a apreensão reforça o alerta para fórmulas vendidas como “suplemento alimentar” ou “fitoterápico” com promessas de efeito medicinal. Segundo a Anvisa, quando há alegações terapêuticas, cada indicação precisa ser comprovada. Sem registro, cadastro ou fabricante identificado, o consumidor fica exposto a risco de intoxicação, interação medicamentosa, falsa promessa de cura e abandono de tratamentos médicos comprovados.