As duas principais passarelas de acesso à região de Vigário Geral, na Zona Norte do Rio, tinham mecanismos distintos para controlar a entrada na comunidade.
De um lado, pneus e ferros eram usados para impossibilitar o a passagem de motocicletas, além de dificultar a chegada de policiais e de integrantes de facções rivais.
Do outro, um portão trancado com cadeado restringia o acesso.
Quando o GLOBO esteve no local, há três anos, não havia essas estruturas.
De lá para cá, traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) passaram a atuar como uma espécie de “porteiros” do território, controlando pessoalmente quem podia ou não entrar.
Análise: operação vai além da proteção de terreiros e igrejas
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Em outro ponto da comunidade, policiais militares destruíram uma seteira construída pelo TCP em uma estrutura de alvenaria.
A abertura estreita, feita na parede para permitir o posicionamento de armas e proteger quem estivesse do outro lado, era parte da fortificação usada pelos criminosos para observar e controlar os acessos ao território.
Imagens obtidas pelo GLOBO mostram o momento em que os agentes derrubam a estrutura.
Veja o vídeo a seguir:
Veja obstáculos criados por Peixão para se proteger de rivais
As estruturas foram encontradas nesta terça-feira, durante mais uma fase da ocupação das cinco comunidades do Complexo de Israel pela Polícia Militar.
Desde sexta-feira, a corporação atua em Cidade Alta, Cinco Bocas, Pica-Pau, Parada de Lucas e Vigário Geral, territórios controlados pelo TCP.
A estratégia desta vez começou pela Cidade Alta, em Cordovil, uma área mais elevada e que, segundo a PM, proporcionava aos criminosos uma posição privilegiada para observar as comunidades vizinhas e as principais vias do entorno.
— A Cidade Alta é a comunidade mais desafiadora, porque ela tem uma posição estratégica para criminosos.
Como o nome diz, ela é alta, e o criminoso tem uma visão privilegiada das outras comunidades, o que facilita que eles atirem nos policiais que estão na parte baixa.
Por isso, começamos a ocupação pela Cidade Alta.
Senão, iríamos ficar tomando tiro quando estivéssemos entrando em Parada de Lucas e Vigário Geral, por exemplo — explica o major Maicon Pereira, porta-voz da PM.
A ocupação começou na sexta-feira pelas comunidades Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau.
Na segunda-feira, chegou a Vigário Geral e Parada de Lucas.
Segundo a corporação, o objetivo é manter policiamento 24 horas, com ações de inteligência e apreensão de materiais ilícitos.
A PM afirma que equipes do 1º Comando de Policiamento de Área (1º CPA) e do Comando de Operações Especiais (COE) circulam por pontos estratégicos das comunidades.
A atuação também se estende ao entorno do complexo, principalmente à Avenida Brasil e à Linha Amarela, que receberam reforço do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE).
A medida busca evitar ações de criminosos em retaliação à operação.
Na segunda-feira, quatro caminhões foram incendiados na Avenida Brasil por criminosos da Favela de Acari, também controlada pelo TCP.
Complexo de Israel: entrada de Vigário Geral tinha barricada na passarela e portão trancado com cadeado; vídeo
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