Completar álbum de figurinhas da Copa do Mundo 2026 pode custar até R$ 7 mil sem trocas
Completar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 pode sair caro. Um cálculo do matemático Frederico Torres, ouvido pela CBN, indica que o valor médio para fechar a coleção pode passar dos R$ 7 mil caso o colecionador não troque figurinhas repetidas com outras pessoas.
A estimativa considera que o álbum deste ano pode ter quase mil figurinhas, já que a Copa de 2026 terá 48 seleções, a maior da História. Além disso, jornaleiros ouvidos pela CBN esperam que os pacotinhos custem R$ 7, cada um com sete cromos. Na última Copa, o pacote custava R$ 4 e vinha com cinco figurinhas.
Segundo o matemático, seria praticamente impossível comprar apenas mil figurinhas e conseguir todas diferentes. “Seria algo entre sete e dez vezes o número de figurinhas caso você não trocasse com ninguém, para ter uma chance alta de completar o álbum”, explica.
A estratégia mais comum entre os colecionadores é justamente a troca de figurinhas repetidas, o que pode reduzir os custos em quase 80%. Se cerca de 50 pessoas participarem das trocas, o gasto médio cairia para cerca de R$ 1,4 mil, de acordo com o cálculo.
Golpes antes mesmo do lançamento
Enquanto colecionadores aguardam o lançamento, o álbum já virou alvo de golpistas na internet. Diversos anúncios nas redes sociais e em sites de compra divulgam uma suposta pré-venda do produto, mesmo sem qualquer confirmação oficial.
As propagandas prometem descontos de até 80% e alegam que restam poucas unidades para tentar atrair compradores. Em alguns casos, o valor cobrado chega a R$ 1,7 mil pelo álbum.
Álbum da Copa de 2026 vira alvo de golpes antes mesmo do lançamento
Reprodução
Depois de preencher os dados e fazer um Pix, as vítimas não recebem o livro nem as figurinhas. O site Reclame Aqui já registra centenas de reclamações de consumidores que dizem ter sido enganados.
A Panini, responsável pela publicação do álbum no mundo todo, afirma que os anúncios são falsos e reforça que ainda não há venda nem pré-venda do produto.
Panini alerta para golpes envolvendo o álbum de figurinhas da Copa do Mundo
Divulgação/Panini
Expectativa nas bancas
Nas bancas de jornais, a movimentação entre jornaleiros já começou. A febre das figurinhas costuma gerar renda extra a cada quatro anos.
José Gonçalves Brito, dono de uma banca em Brasília, virou figurinha carimbada durante as Copas. O local se transforma em ponto de encontro para troca de cromos, reunindo centenas — e às vezes milhares — de colecionadores quando o álbum é lançado. Ele também aguarda a chegada das figurinhas, mas alerta para os golpes que já circulam na internet.
“A Panini ainda não soltou nota de venda nem de pré-venda e as pessoas já estão procurando, já estão comprando. Inclusive chegou aqui um senhor que pagou R$ 580 em dois álbuns para o netinho e depois descobriu que era golpe”, relata.
A expectativa é que as informações sobre o início das vendas sejam divulgadas até o fim do mês, com lançamento previsto para abril.
Se engana quem pensa que a coleção é coisa apenas de criança. O servidor do Ministério Público Militar José Luiz, de 74 anos, está ansioso para começar o álbum de 2026 — mas diz que está atento para não cair em fraudes.
“Já fiz álbum do Brasileirão, Champions League, FIFA 365... Tentaram até dar um golpe, mas depois avisaram que era fake. O pessoal da banca tem um WhatsApp e quando chegar o álbum eles avisam porque tem muita gente querendo”, conta.
As últimas seleções classificadas para a Copa devem ser definidas até o fim do mês. Ainda não se sabe, por exemplo, como ficará a situação do Irã, que garantiu vaga, mas anunciou a desistência da competição. A CBN procurou a Panini, mas não teve resposta.
