Companhias aéreas europeias terão de reembolsar passageiros por voos cancelados por alta de combustíveis

 

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As companhias aéreas terão de reembolsar os passageiros por cancelamentos de voos causados pelos altos preços da energia. O alerta foi feito pelo chefe de transportes da União Europeia, Apostolos Tzitzikostas, em entrevista ao jornal Financial Times. O comissário europeu de transportes, no entanto, rejeitou a alegações de escassez de combustível de aviação na Europa.

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Segundo Tzitzikostas, cancelamentos motivados pelos preços do combustível não são considerados circunstâncias extraordinárias, o que significa que as companhias aéreas ainda devem compensar os passageiros. E afirmou que o aumento do custo do querosene faz parte dos custos operacionais desse setor.

Ao FT, o comissário grego ressaltou que a Europa “pode sustentar o fornecimento de combustível de aviação por um longo período”, apesar dos alertas da Agência Internacional de Energia (AIE) e de outros comissários da UE de que as companhias aéreas logo ficariam sem combustível de aviação.

“Os preços do combustível de aviação são a razão pela qual estamos vendo cancelamentos de voos e, se as companhias cancelarem voos sem circunstâncias extraordinárias — e os preços do combustível de aviação não são circunstâncias extraordinárias — elas terão de reembolsar os passageiros”, disse Tzitzikostas ao jornal britânico.

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Apostolos Tzitzikostas acrescentou que as companhias aéreas estavam cancelando voos que “já não faziam muito sentido financeiramente e, agora, com a duplicação dos preços, passaram a não fazer absolutamente nenhum sentido para as empresas”.

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Nas últimas duas semanas, destaca a reportagem, diversas companhias aéreas, entre elas a alemã Lufthansa, cortaram dois milhões de assentos de sua programação do mês de maio.

No mês passado, o diretor da AIE, Fatih Birol, alertou que a Europa tinha apenas seis semanas de suprimentos restantes, e o comissário europeu de energia, Dan Jørgensen, também manifestou preocupação com uma crise de abastecimento.

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Embora tenha admitido que a ''situação está apertada'', Tzitzikostas enfatizou que não vive “em outro planeta”, mas argumentou que as regras da UE são flexíveis o suficiente para lidar com o atual cenário. Na opinião Tzitzikostas, o bloco europeu só consideraria mudar essas regras se a situação se deteriorasse seriamente. Ele no entanto não explicou o quanto a crise teria de piorar para que isso acontecesse.

Ressaltando que há uma temporada turística pela frente na Europa, o comissário, que também supervisiona a pasta de turismo da UE, pediu cautela, afirmando que é preciso ter cuidado com as palavras alarmistas para ''evitar causar pânico.”

De acordo com o Financial Times, com o objetivo de responder às preocupações do setor, a Comissão Europeia, braço executivo da UE, divulgará nesta semana novas diretrizes para companhias aéreas e passageiros após a guerra no Oriente Médio.

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As diretrizes preliminares às quais o Financial Times teve acesso esclarecem regras já existentes, em vez de criar novas concessões para aliviar as dificuldades enfrentadas pelo setor.

“Gerenciar o risco dos altos custos de combustível é uma parte normal do negócio de uma companhia aérea”, diz o documento, que ainda pode sofrer alterações, diz o jornal.

Na entrevista ao FT, Tzitzikostas afirmou que a Europa ainda possui estoques de emergência e criou mecanismos para monitorar mais de perto o abastecimento de combustível de aviação e coordenar entre os Estados-membros a liberação desses estoques “de maneira ordenada”, caso necessário.

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