Companhia religiosa responsável pelo antigo Colégio da Providência, em Laranjeiras, vê projeto de residencial no local como 'solução de revitalização'
A Província da Filhas da Caridade Luisa de Marillac afirmou que analisa "com muito cuidado" o projeto de construção de um novo residencial no terreno onde manteve o antigo Colégio da Providência, motivo de preocupação dos moradores do entorno. A Província, que é vinculada à Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo e responsável pelo terreno, declarou que os altos custos de manutenção tornaram financeiramente inviável manter e preservar o espaço, onde está também a Capela Coração de Jesus, tombada pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. De acordo com a congregação, esta passará a ser administrada pela Arquidiocese do Rio de Janeiro e continuará aberta ao público.
"A capela continuará recebendo o público e mantendo sua finalidade religiosa e seu vínculo histórico com a comunidade local" , diz em nota.
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A possibilidade de construção de um residencial no terreno, localizado numa área arborizada na Rua Pereira da Silva, 319 e parcialmente preservado pela APAC de Laranjeiras e Cosme Velho, é criticada por moradores da região, que, temendo impactos ambientais e ao patrimônio histórico, iniciaram um abaixo-assinado no último dia 1º.
Segundo a Província da Filhas da Caridade Luisa de Marillac, mesmo após o encerramento das atividades do colégio foram feitos investimentos significativos para conservação da estrutura, incluindo obras de recuperação do telhado que, de acordo com a congregação, demandaram custos milionários. O projeto imobiliário é visto pela instituição como uma possível solução para revitalização da área, desde que haja respeito aos elementos históricos e ao entorno:
"Ao longo desse período, as Irmãs buscaram diferentes alternativas para ocupação e preservação do espaço, sempre com responsabilidade e compromisso social. Dentro desse contexto surgiu a proposta do empreendimento, que vem sendo analisada com muito cuidado, entendendo-se que poderá representar uma solução de revitalização para uma área hoje subutilizada, respeitando os elementos históricos e o entorno da região".
A Capela Coração de Jesus é um bem tombado
Arquivo/Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro
De acordo com a Valente de Oliveira Empreendimentos e Construções LTDA, construtora responsável pelo projeto, o empreendimento segue a legislação e não terá impactos ambientais.
— É um bem que está abandonado e degradado há dois anos, já tivemos invasões e estamos trabalhando para transformar em uma obra de arte, valorizando o bairro — disse Carlos Eduardo Valente, o presidente da empresa, ao GLOBO no começo da semana.— Estamos rigorosamente respeitando toda a legalidade. Não há desmatamento. Vamos devolver a capela de forma digna, separada do projeto residencial. As críticas mostram um total desconhecimento do projeto.
A Província afirmou compreender as apreensões dos moradores e defendeu que a discussão sobre o futuro do terreno ocorra "com diálogo, transparência e respeito à história construída naquele local ao longo de tantas décadas".
No momento, o licenciamento do projeto imobiliário da Valente de Oliveira está em análise na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU). Segundo o órgão, não há, até agora, licença urbanística ou ambiental, nem autorização para remoção de vegetação.
Leia a nota da Província da Filhas da Caridade Luisa de Marillac na íntegra:
"A Província da Filhas da Caridade Luisa de Marillac Brasil recebe com muito respeito a preocupação e o carinho dos moradores com o antigo Colégio da Providência, um espaço que possui enorme relevância afetiva, histórica e religiosa para a região de Laranjeiras.
É importante esclarecer que, mesmo após o encerramento das atividades do colégio, a instituição continuou realizando investimentos significativos para preservação do patrimônio. Ao longo dos últimos anos, foram realizados diversos esforços de manutenção, incluindo obras estruturais de grande porte, como a recuperação do telhado, que demandaram custos milionários por parte da Província.
Além disso, a instituição segue arcando continuamente com despesas elevadas de manutenção, conservação e segurança do imóvel, mesmo sem que o espaço tenha hoje uma utilização capaz de sustentar toda essa estrutura. Infelizmente, chegou-se a um momento em que a continuidade dessa manutenção, nos moldes atuais, tornou-se financeiramente inviável para a congregação.
Ao longo desse período, as Irmãs buscaram diferentes alternativas para ocupação e preservação do espaço, sempre com responsabilidade e compromisso social. Dentro desse contexto surgiu a proposta do empreendimento, que vem sendo analisada com muito cuidado, entendendo-se que poderá representar uma solução de revitalização para uma área hoje subutilizada, respeitando os elementos históricos e o entorno da região.
A capela, que possui enorme importância para a comunidade e é tombada, permanecerá preservada e será direcionada à Arquidiocese, continuando a receber o público e permanecendo aberta para acesso de todos os moradores e frequentadores da região, mantendo sua finalidade religiosa e seu vínculo histórico com a comunidade local.
A Província compreende as apreensões da comunidade e acredita que todo esse processo deve ocorrer com diálogo, transparência e respeito à história construída naquele local ao longo de tantas décadas".
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