Como uma caixinha de madeira virou mouse e mudou a forma como usamos computadores

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Mouse Arte/EN Ele é pequeno, cabe perfeitamente na mão e move o cursor até o que você precisa em um computador. Pode ser um arquivo, um programa, uma foto ou um link. Estamos falando do mouse. É tão automático usá-lo no dia a dia que ele até passa despercebido. Mas, para chegar ao simples ato de apontar e clicar, muita coisa precisou acontecer: e começou com uma pequena caixa de madeira. Antes do mouse, usar um computador exigia, em muitos casos, conhecer a linguagem da própria máquina. Não havia pastas, ícones e botões na tela. Para executar uma tarefa, o usuário precisava digitar comandos específicos ou, em computadores mais antigos, preparar instruções em cartões perfurados. Em outras palavras, era preciso aprender como falar com a máquina. É aí que entra o engenheiro americano Douglas Engelbart. Ele trabalhava no Stanford Research Institute, na Califórnia, e acreditava que os computadores poderiam fazer muito mais, ampliando a capacidade das pessoas de trabalhar com informações. Uma das ideias era criar uma forma mais simples de controlar o que aparecia na tela. Foi então que, por volta de 1963, Engelbart transformou a ideia em um projeto, e seu engenheiro-chefe, Bill English, construiu o primeiro protótipo: um pequeno dispositivo de madeira que registrava os movimentos da mão e os transformava em movimentos de um cursor na tela. O protótipo era feito de madeira e duas rodas perpendiculares na parte inferior, responsáveis por detectar os movimentos em diferentes direções. O cabo, inclusive, ficava na parte de trás, como se fosse um rabo. Daí veio o apelido que acabaria se tornando oficial: mouse ou, em português, rato. Douglas Engelbart, inventor do mouse Apic/Getty Images O avanço do computador e a contribuição do mouse O mouse não foi uma invenção isolada. Ele fazia parte de um sistema pensado para tornar o computador uma ferramenta mais interativa. Em dezembro de 1968, Engelbart apresentou seu trabalho em uma demonstração conhecida como “Mother of All Demos” (A Mãe de Todas as Demonstrações), em que mostrou edição de textos na tela, janelas, links entre documentos, colaboração à distância e videoconferência, tudo com ajuda do mouse: Engelbart usava o dispositivo para apontar para elementos na tela e interagir com eles. A ideia ajudava a substituir uma relação baseada apenas em comandos por uma experiência mais visual. Em vez de memorizar uma instrução para cada tarefa, o usuário poderia apontar para um elemento e selecioná-lo, algo que hoje é muito natural para quem usa o computador. Como era o protótipo do primeiro mouse Apic/Getty Images O mouse ganhou importância à medida que as chamadas interfaces gráficas começaram a se desenvolver. Nos anos 1970, no Xerox PARC, centro de pesquisa da Xerox, na Califórnia, o dispositivo foi integrado ao Alto, computador que combinava mouse com uma interface gráfica de janelas e ícones. Em 1976, o cientista da computação suíço Niklaus Wirth conheceu o sistema durante uma temporada no laboratório e levou a ideia para a Suíça. Wirth encomendou mouses para o computador Lilith ao laboratório do engenheiro Jean-Daniel Nicoud. O relojoeiro André Guignard desenvolveu um mecanismo com uma única bolinha de borracha pesada, que girava dois roletes internos para registrar os movimentos do aparelho. O design mecânico foi, posteriormente, comercializado pela Logitech a partir de 1982. O engenheiro René Sommer, que havia sido aluno e assistente de Nicoud, também passou a trabalhar na Logitech. Ele incorporou um microprocessador diretamente ao circuito do mouse, deixando a resposta do cursor no computador muito mais rápida e estável. A tecnologia deu origem a um outro modelo de mouse, também comercializado pela Logitech em 1985. E até a Apple teve uma participação nesta história. Em 1979, Steve Jobs e outros integrantes da empresa visitaram o Xerox PARC. Lá, conheceram o Alto e uma interface gráfica baseada em janelas, menus e elementos que podiam ser utilizados com o mouse. A visita influenciou o desenvolvimento do Lisa, projeto que já estava em andamento. Lançado em 1983, foi o primeiro computador pessoal comercial da Apple com interface gráfica e mouse. O Lisa era caro e não teve grande sucesso comercial. Mas serviu de base para o Macintosh, lançado em 1984. Com o Mac, a Apple levou a combinação de mouse e interface gráfica a um público muito maior. O mouse, portanto, acompanhou a expansão do computador. Serviu para escrever textos, montar planilhas, editar imagens, navegar pela internet, jogar, desenhar e trabalhar. Até o vocabulário mudou. Clicar, arrastar, soltar, selecionar e abrir passaram a fazer parte da maneira como descrevemos ações no mundo digital. O mouse, portanto, não apenas facilitou algumas tarefas: ele ajudou a estabelecer uma maneira de interagir com máquinas. Mouse Pexels E o mouse continua mudando A pequena caixa de madeira de Engelbart ficou para trás. O mouse ganhou outras formas, perdeu o fio, ganhou botões e rodas e, em alguns casos, deixou de ser necessário. O dispositivo perdeu espaço com a chegada dos notebooks, que incorporaram o touchpad, e dos smartphones e tablets, que trocaram o cursor pelo toque. Canetas digitais, comandos de voz e outras formas de interação também reduziram a dependência do mouse. Engelbart, aliás, não ficou rico com o mouse. Ele foi o inventor listado na patente do mouse, mas os direitos foram atribuídos ao Stanford Research Institute, onde ele trabalhava. Ele morreu em 2013, quando o objeto que criou já havia passado por inúmeras transformações. Mas a lógica criada por ele continua atual. Ao tocar em um aplicativo no celular, arrastar uma foto ou selecionar um arquivo, o usuário continua fazendo todos os dias algo parecido com o que o mouse tornou comum: indicar diretamente na tela aquilo que deseja manipular. Mais Lidas

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