A maquinista Stefani Queiroz conduz locomotivas da VLI equipadas com tecnologia para redução de emissões
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Para a VLI, uma das maiores empresas de serviços de logística do país, a inovação não é uma tarefa para poucos.
No ano passado, por exemplo, a companhia mobilizou mais de 1,4 mil empregados em diferentes programas, projetos e desenvolvimento de soluções e tecnologias inovadoras para seus negócios e investiu mais de R$ 126 milhões.
Entre as principais entregas desenvolvidas em casa, destaca-se o CargoCIF, um modelo inovador de serviço aos clientes, informa Alessandro Pena da Gama, diretor-executivo de engenharia, planejamento, tecnologia e inovação da VLI.
Apoiado em integração sistêmica, automação transacional e rastreabilidade digital, o aplicativo viabiliza a transferência segura da posse da carga entre o produtor rural e o cliente.
Atualmente, a solução está operando em escala em todos os terminais e portos de grãos da VLI.
E já movimentou mais de 300 mil toneladas, acumulando aproximadamente R$ 69 milhões em receita líquida, nove grandes clientes, incluindo importantes players do agronegócio.
Em 2025, VLI avançou também na adoção de soluções tecnológicas voltadas ao aumento da eficiência energética e à redução das emissões associadas às operações ferroviárias.
Uma das iniciativas foi a ampliação do uso do sistema Leader (Locomotive Engineer Assist/Display Event Recorder), tecnologia embarcada que apoia a condução inteligente e padronizada dos trens.
A tecnologia foi implementada nas frotas mais novas de locomotivas, que são utilizadas na Ferrovia Norte-Sul (FNS) e nos corredores Leste e Sudeste da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).
Além de apostar na tecnologia de ponta, a empresa também considera que a inovação depende de uma visão plural, sustentada por equipes igualmente diversas.
Mais do que tudo, confia Gama, a inovação na VLI está incorporada ao plano de carreira e sucessão da empresa, que incentiva o desenvolvimento de competências como a capacidade de solucionar problemas e o aprendizado sobre novas tecnologias.
“Essa atuação é sustentada por uma governança que permite que oportunidades sejam identificadas, priorizadas, testadas e escaladas de forma ágil e alinhada às prioridades estratégicas da companhia”, afirma.
A possibilidade de transformar conhecimento operacional em novas capacidades para o negócio por meio da tecnologia também permeia a estratégia de inovação da Total Express, transportadora de encomendas para empresas e pessoas físicas, que atua em mais cinco mil cidades brasileiras.
Essa abordagem permitiu desenvolver uma série de plataformas e produtos digitais proprietários que hoje fazem parte do portfólio da empresa, aponta Juliano De Conti, CIO e CTO da Total Express.
“Um dos projetos mais transformadores foi a reconstrução completa da plataforma de onboarding (integração) de clientes”, diz ele.
“Reduzimos drasticamente o tempo de integração, tornando o processo mais de 25 vezes mais eficiente, mudando não apenas um processo de TI, mas a capacidade da empresa de incorporar novos clientes, acelerar o crescimento e responder com muito mis agilidade às demandas do mercado”, acrescenta.
Juliano De Conti, CIO e CTO da Total Express
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A construção do Total Conecta, plataforma digital de relacionamento com clientes, seguiu a mesma lógica, segundo De Conti.
Antes de tudo, redesenhamos toda experiência digital dos embarcadores, diz.
“E o resultado foi uma plataforma capaz de suportar mais de 1.000% de crescimento na capacidade de acessos simultâneos, três vezes mais rápida que a anterior, com redução de 85% na taxa de erros operacionais, e responsável, atualmente, por suportar mis de 80% do crescimento da companhia, afirma.
Os resultados alcançados pelos novos projetos mostram que a tecnologia não é o seu ponto de partida, avalia o executivo.
Mas, para ela ganhar um papel estratégico, ele diz que foi necessário transformar a cultura da organização: “Tivemos que rever modelos de gestão, questionar práticas estabelecidas e, muitas vezes, promover discussões importantes sobre a forma como atraíamos, desenvolvíamos e retínhamos talento”, diz.
“Sempre acreditei que transformação digital é antes de tudo uma transformação de pessoas.”
Para a Localiza&Co, que opera com uma frota de mais de 630 mil carros conectados e 20 mil colaboradores, em sete países da América do Sul, a inovação é mais do que uma necessidade.
“É um pilar estratégico para transformar a experiência do cliente e impulsionar a evolução do mercado de mobilidade”, diz André Petenussi, diretor de tecnologia da companhia.
Para essa transformação, a empresa conta hoje com uma equipe de 300 profissionais no Localiza Labs, o laboratório de tecnologia e ciência de dados criado em Belo Horizonte (MG), em 2024.
Trata-se de um investimento contínuo em inovação e tecnologias que se traduz em avanços concretos, segundo Petenussi.
A Liza, uma assistente virtual, baseada em IA, nasceu no aluguel de carros (RAC) e vem sendo expandida para outros negócios, como o Localiza Seminovos.
Atualmente, a Liza contribui diretamente para a jornada de reservas, que passaram de cerca de duas mil para quase oito mil por mês.
“Hoje, 93% das interações relacionadas a reservas no WhatsApp são resolvidas de forma totalmente automatizada, permitindo que nossas equipes concentrem sua atuação nas situações em que a interação humana realmente faz diferença”, conta ele.
Outro exemplo é o FAST Retirada Digital, destinado a ampliar a autonomia e a conveniência dos clientes.
Após superar a marca de mais de 1 milhão de retiradas digitais em 2025, a solução foi utilizada por mais de 750 mil clientes no primeiro semestre de 2026.
“Nossa abordagem parte da escuta ativa dos clientes e do acompanhamento contínuo de sua jornada para identificar comportamentos, necessidades e oportunidades de melhoria”, ressalta Petenussi.
Para ampliar sua competitividade no mercado de logística no país, a Loggi, que atua fortemente no segmento de e-commerce, buscou criar uma sólida base tecnológica, relata Rafael Szarf, presidente da companhia.
Só este ano serão investidos mais de R$ 100 milhões em infraestrutura, além de outros desembolsos que estão sendo realizados no desenvolvimento de soluções proprietárias baseadas em inteligência artificial (IA) e automações, informa ele.
Um dos novos desenvolvimentos é o Logística Self-Service, solução automatizada para integração de plataformas e contratação de fretes – do cadastro à cotação, definição de tabelas de preços e envio, sem necessidade de contato comercial.
O aplicativo reduz o tempo de integração de novos clientes de dias para menos de uma hora e suporta mais de 900 mil acessos mensais e cerca de 100 mil pedidos por mês.
“Os resultados dos novos projetos de inovações permitiram a geração de mais de R$ 3 milhões em receita recorrente mensal e contribuíram para uma receita bruta superior a R$ 14 milhões em 2025, um crescimento de 46,3% em relação a 2024”, destaca Szarf.
No Grupo Águia Branca, fundado em 1946 pela família capixaba Chieppe, e que hoje atua no transporte logístico com centenas de bases operacionais, 20 mil colaboradores e faturamento em torno de R$ 20 bilhões, a tecnologia não é um fim em si mesmo, mas um meio para resolver problemas reais dos clientes, colaboradores e da sociedade, diz Decio Chieppe, vice-presidente de inovação e finanças.
“E, a partir disso, gerar ganhos de produtividade, novos modelos de receita e diferenciação competitiva.”
Temas como IA, automatização e eletrificação já estão incorporados à estratégia do grupo e têm papel direto na expansão e diversificação das operações, indica ele.
A estrutura de inovação foi desenhada para equilibrar estratégia, escala e execução – para isso, o grupo conta com um time enxuto de 11 profissionais especializados.
“Desde a sua concepção, a área também priorizou o fortalecimento da cultura de inovação como um elemento central”, diz.
“Acreditamos que inovação não é responsabilidade exclusiva de um time, mas uma capacidade organizacional.
Por isso, estruturamos uma jornada contínua de sensibilização e engajamento dos colaboradores, para estimular o comportamento inovador no dia a dia.”
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