Como teria sido vivenciar o apocalipse do asteroide que dizimou os dinossauros há 66 milhões de anos; veja relato detalhado
Primeiro veio uma luz intensa rasgando o céu. Depois, um estrondo ensurdecedor, calor capaz de vaporizar rochas, ventos supersônicos, tsunamis gigantes e um inverno global que mergulhou a Terra na escuridão. Há 66 milhões de anos, o impacto de um asteroide no atual Caribe desencadeou o maior colapso ambiental do planeta e levou à extinção dos dinossauros.
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Publicado nesta segunda-feira (11) pelo The Conversation, um artigo assinado por especialistas em meteorítica e paleontologia reconstrói, em detalhes, como teriam sido as horas, dias e anos seguintes ao impacto do asteroide que atingiu a Terra há 66 milhões de anos e desencadeou uma das maiores extinções da história do planeta.
O corpo celeste, estimado em cerca de 10 quilômetros de diâmetro, colidiu com a região que hoje corresponde ao Caribe, próximo à Península de Yucatán, no México. Na época, no fim do período Cretáceo, o nível do mar era muito mais alto do que o atual, e a área do impacto estava totalmente coberta por água.
Segundo os pesquisadores, o evento foi suficiente para extinguir os dinossauros não aviários e cerca de metade de todas as espécies existentes na Terra.
Os segundos que mudaram tudo
Antes da colisão, o asteroide já podia ser visto no céu como um ponto luminoso, semelhante a uma estrela fixa. Nas últimas horas, porém, seu brilho se tornava cada vez mais intenso.
Minutos ou segundos antes do impacto, qualquer ser vivo próximo teria visto uma enorme bola de fogo cruzando o céu, acompanhada por estalos e crepitações provocados pelo aquecimento extremo do ar.
Logo depois veio o estrondo sônico.
A energia liberada foi tão brutal que formou, em segundos, uma cavidade com cerca de 30 quilômetros de profundidade, quase três vezes mais profunda que a Fossa das Marianas, e uma cratera final de aproximadamente 180 quilômetros de diâmetro.
As temperaturas ultrapassaram 9 mil graus Celsius no ponto de impacto, vaporizando rochas, água e o próprio asteroide. Qualquer forma de vida próxima foi instantaneamente incinerada.
Mesmo a até 2 mil quilômetros de distância, as chances de sobrevivência eram mínimas. A radiação térmica e os ventos supersônicos foram suficientes para matar rapidamente a maioria dos animais.
Furacões, megatsunamis e chuva ácida
Cinco minutos após a colisão, os ventos ainda tinham força equivalente à de um furacão de categoria 5. A atmosfera local atingia mais de 226°C, transformando a sensação em algo semelhante a estar dentro de um forno.
Incêndios florestais se espalharam rapidamente e megatsunamis com até 100 metros de altura atingiram primeiro as margens do atual Golfo do México, devastando regiões inteiras.
Em uma hora, uma faixa de poeira e material incandescente já havia dado a volta no planeta. O céu começou a escurecer até em regiões distantes, como a atual China e a Nova Zelândia.
No dia seguinte, tsunamis de cerca de 50 metros avançavam pelo Atlântico, Pacífico e Índico, enquanto a fuligem dos incêndios e a poeira bloqueavam a luz solar.
Sem sol, árvores, plantas e fitoplâncton deixaram de fazer fotossíntese. A temperatura global despencou.
Uma semana depois, a radiação solar que chegava à superfície era apenas um milésimo do normal. A temperatura média caiu pelo menos 5°C, e chuvas ácidas passaram a atingir o planeta.
Os autores explicam que o impacto vaporizou sedimentos ricos em enxofre e gerou óxidos de nitrogênio suficientes para produzir ácido sulfúrico e ácido nítrico. Em alguns modelos, a acidez da chuva poderia chegar a níveis comparáveis aos do ácido de bateria.
— Neste momento, a Terra não era um lugar muito agradável — resumem os pesquisadores no artigo .
Um ano depois, só restavam os sobreviventes
Após um ano, o Sol ainda mal aparecia. A temperatura média global estava cerca de 15°C abaixo do normal, instaurando um verdadeiro inverno planetário.
Dinossauros terrestres, pterossauros e grandes répteis marinhos desapareceram. Também foram extintos grupos como amonites, belemnites e diversos organismos marinhos.
Sobreviveram principalmente espécies pequenas, capazes de se esconder em tocas ou sobreviver na água, como tartarugas, pequenos crocodilos, lagartos, algumas aves e mamíferos do tamanho de ratos.
Esses sobreviventes acabariam dando origem a novos ecossistemas e abrindo caminho para a expansão dos mamíferos, e, milhões de anos depois, para o surgimento dos primatas e dos humanos.
A cratera e as provas científicas
As primeiras evidências modernas dessa colisão começaram a ganhar força em 1980, quando o físico ganhador do Nobel Luis Alvarez identificou um enriquecimento anormal de irídio em uma camada geológica na Dinamarca e na Itália.
O irídio é raro na superfície terrestre, mas comum em meteoritos, o que levou à hipótese de um impacto gigantesco.
Em 1991, a descoberta da cratera de Chicxulub, enterrada sob a Península de Yucatán, consolidou a teoria. Desde então, novas evidências reforçaram que houve, de fato, um resfriamento abrupto global e uma extinção em massa associada ao evento.
Hoje, 66 milhões de anos depois, os cientistas lembram que aquele “inverno nuclear”, como foi chamado inicialmente, alterou para sempre o rumo da vida no planeta.
E fazem um alerta: embora provocado por um asteroide, muitos dos efeitos atmosféricos observados naquela época, como mudanças climáticas extremas, oscilações de temperatura e colapso ambiental, encontram ecos preocupantes no presente, agora causados pela própria ação humana.
