Como os países estão reagindo ao choque do petróleo? Veja no mapa interativo as medidas já anunciadas
A disparada do preço do petróleo diante da escalada do conflito no Irã tem levado uma série de países a tomarem medidas visando mitigar o impacto da alta sobre suas economias. As soluções, até agora, têm sido variadas.
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Com os preços chegando a superar o patamar dos US$ 100 o barril, além do trânsito de navios petroleiros paralisado no Estreito de Ormuz, o temor das autoridades é que os preços de alimentos e combustíveis disparem ao consumidor. Veja no mapa interativo todas as medidas anunciadas até agora:
Alemanha
Na Alemanha, o governo quer que os postos de combustíveis só possam alterar os preços uma vez por dia. A ideia foi anunciada na quarta-feira pela ministra da Economia e Energia, Katherina Reiche, após uma reunião do Conselho de Ministros, em uma coletiva.
No entanto, a medida ainda não passou a valer, já que exige uma mudança na lei antitruste, e são necessários mecanismos legais para isso. Uma das possibilidades na mesa é anexar a medida a um projeto de lei que já esteja para ser tramitado, explicou a ministra.
Trata-se de uma tática conhecida como o "modelo austríaco", em que os preços podem ser reduzidos a qualquer momento, mas só podem subir uma vez por dia.
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Áustria
Na Áustria, a expectativa é que, a partir de segunda-feira, os postos só possam aumentar os preços de gasolina e diesel no máximo três vezes por semana. Até então, esse teto era diário.
O ministro da Economia, Wolfgang Hattmannsdorfer, disse que o objetivo é evitar os saltos extremos de preço para atenuar os impactos sobre os consumidores.
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O governo austríaco também prometeu redistribuir aos consumidores qualquer arrecadação extra de impostos resultante da alta dos combustíveis. Outra medida tomada é a prorrogação de um programa estratégico de reservas de gás de 20 terawatts-hora, além da antecipação para julho de um teto para tarifas de energia residencial.
Grécia
Na Grécia, o governo anunciou oficialmente na quarta-feira que vai impor um teto para a margem de lucro de empresas que vendem combustíveis, alimentos e produtos essenciais pelos próximos três meses. Ou seja, a medida vale até 30 de junho.
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A medida foi promulgada por meio de uma lei emergencial. As distribuidoras não podem adicionar mais de 0,05 euros por litro ao preço pelo qual compram das refinarias. Já os postos de gasolina não podem adicionar mais de 0,12 euros por litro do preço que compram das distribuidoras. Para as ilhas, onde os custos de transporte são maiores, é permitido uma taxa adicional de até 0,05 euros por litro.
Itália
Já a Itália avalia usar a arrecadação extra de impostos sobre combustíveis, que cresce quando os preços sobem, para amenizar o impacto no bolso dos consumidores. O país também prevê punir empresas que tentem tirar proveito da crise, mas nenhuma medida oficial foi anunciada até agora.
— Faremos tudo o que pudermos para evitar especulação sobre a crise — disse a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
França
A França vem monitorando de perto o impacto provocado pela guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo no país. No domingo, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou que seria feita uma operação de fiscalização nos postos de todo o país a partir da agência francesa de prevenção a fraudes (DGCCRF, na sigla original).
Eram esperadas pelo menos 500 inspeções entre segunda e quarta-feira, mas foram realizadas ao todo 632, segundo Serge Papin, ministro do Comércio na França.
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Enquanto isso, a classe política pressiona por novas medidas. O partido de extrema direita Reunião Nacional tem sugerido a redução de impostos de combustíveis para compensar os aumentos. Já o partido LFI, de esquerda radical pede o congelamento dos preços de gasolina.
O governo francês se reuniu nesta quinta-feira com distribuidores do setor, mas nenhuma decisão foi tomada durante o encontro. O Ministério da Economia e Finanças indicou, no fim da reunião, que alguns distribuidores tinham se comprometido a refletir a queda repentina do preço do barril e a reduzir "imediatamente" o preço dos combustíveis.
Enquanto isso, na Ásia...
Na Ásia, a escassez de petróleo levou governos a adotar medidas emergenciais. Algumas vão além da intervenção econômica direta, como redução do expediente em repartições públicas e até a adoção de home office obrigatório.
Coreia do Sul
A Coreia do Sul decidiu limitar os preços dos combustíveis (gasolina e diesel), marcando a primeira vez em quase trinta anos que o país implementou uma medida como essa, informou a Reuters. O conselheiro de política presidencial, Kim Yong-beom, disse que o sistema de teto de preços seria implementado ainda nesta semana, com possibilidade de o preço máximo ser alterado a cada duas semanas.
O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, disse que ativaria protocolos emergenciais de energia para lidar com interrupções no fornecimento, incluindo a compra de petróleo bruto de outras regiões, por meio de empréstimos e garantias de crédito. A Coreia vai contribuir com 22,46 mihões de barris para liberação por meio da IEA.
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China
Maior importadora de petróleo do mundo e altamente dependente de suprimentos do Golfo, a China pediu a refinarias que suspendam exportações de combustíveis. Segundo autoridades, as empresas devem evitar firmar novos contratos externos e tentar cancelar parte dos já estabelecidos para priorizar o abastecimento do mercado doméstico e prevenir escassez.
Pequim não anunciou a liberação de reservas estratégicas nem um teto para preços de combustíveis, mas tem reiterado que adotará “as medidas necessárias para salvaguardar a segurança energética” do país. O país tem extensas reservas de petróleo.
Vietnã
No Vietnã, o governo decidiu remover temporariamente as tarifas de importação sobre combustíveis até o fim de abril, em uma tentativa de garantir o abastecimento no mercado interno. As autoridades também anunciaram a simplificação de procedimentos para o comércio de petróleo bruto, com o objetivo de facilitar e acelerar a chegada de novos carregamentos ao país.
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Indonésia
Já a Indonésia optou por ampliar os subsídios aos combustíveis no orçamento estatal para amortecer o impacto da disparada dos preços internacionais sobre os consumidores. O país também vem ajustando sua estratégia de suprimento, com maior compra de petróleo dos Estados Unidos e menor dependência de fornecedores do Golfo.
Filipinas
O presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., anunciou que os escritórios do governo passarão a operar com semana de trabalho de quatro dias a partir de segunda-feira, na tentativa de o país do Sudeste Asiático gastar menos energia.
Em uma mensagem em vídeo divulgada nesta sexta-feira, Marcos disse que a semana de trabalho mais curta será temporária e não se aplicará a quem presta serviços de emergência, incluindo policiais, bombeiros e outras agências que fornecem serviços essenciais ao público.
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Ele também ordenou que todas as agências governamentais reduzam o uso de eletricidade e os gastos com combustível entre 10% e 20%.
—Todas as viagens e atividades não essenciais do governo também estão temporariamente proibidas, como viagens de estudo, atividades de integração de equipes ou reuniões que possam ser realizadas on-line — disse Marcos.
Paquistão
O Paquistão, que faz fronteira com o Irã, também depende de embarques que passam pelo Estreito de Ormuz para a maior parte de suas importações de petróleo e gás.
Entre as medidas de economia consideradas estão tornar obrigatório o trabalho remoto e aulas universitárias on-line, além de reduzir o fornecimento de gás para fábricas de fertilizantes.
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Países da OCDE já liberaram 400 milhões de barris
Além das medidas nacionais e regionais discutidas na Europa, países da OCDE concordaram na quarta-feira em liberar 400 milhões de barris das reservas emergenciais de petróleo, coordenadas pela Agência Internacional de Energia (AIE). É a maior liberação já realizada.
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