Como os Estados Unidos querem usar Copa do Mundo e 'checagem de fatos' para recuperar turistas internacionais
Ao contrário do que as políticas internas e externas do governo Donald Trump possam dar a entender, os Estados Unidos continuam com os braços abertos aos visitantes de todo o mundo. Foi o que garantiram os representantes do turismo norte-americano durante o maior evento dedicado ao setor de viagens no país, a IPW, realizada entre os dias 17 e 21 de maio em Fort Lauderdale, na Flórida.
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Boa parte das discussões entre as pouco mais de cinco mil pessoas reunidas durante o evento — representantes de empresas e destinos norte-americanos, e agentes de viagem e comunicadores de mais de 60 países — girou em torno da recuperação do interesse de viajantes internacionais nos Estados Unidos, justamente no ano em que o país receberá sua segunda edição da Copa do Mundo de futebol masculina e celebrará o 250º aniversário de sua independência, além de outros marcos importantes.
— Os Estados Unidos foram o único país do mundo a registrar a diminuição no número de visitantes internacionais em 2025. Nosso superávit comercial de viagens, que antes era de US$ 50 bilhões, agora se transformou em um déficit de US$ 70 bilhões. Num mundo onde o turismo internacional cresceu 10%, nós tivemos uma queda de 5% — alertou Geoff Freeman, CEO e presidente da U.S. Travel Association, entidade que representa as empresas do setor e uma das organizadoras da IPW, ao lado do Brand USA, órgão ligado ao governo federal responsável pela promoção turística do país.
Sem ‘fake news’
Freeman admitiu que há diversas causas para a queda, entre elas a preocupação com medidas mais duras anunciadas por Washington, mas que não saíram efetivamente do papel, como a maior fiscalização das redes sociais dos visitantes e a cobrança de uma taxa extra de US$ 250 após a emissão do visto, ambas consideradas “danosas” pelo executivo.
— Ainda assim, quatro entre cinco visitantes que recebemos vão embora dizendo que se sentiram seguros e bem-vindos. E espero que a experiência que terão na Copa do Mundo ajude a desfazer essa impressão ruim — disse Freeman.
Uma das medidas imediatas adotadas pelo Brand USA para melhorar a imagem do país no exterior é uma nova ferramente de checagem de fatos em seu site oficial. A área, batizada de “Get facts, get going” se destina a responder, de forma direta, a algumas das perguntas mais frequentes dos viajantes internacionais, especialmente sobre visto e processos de entrada no país.
— Num ambiente complexo e que muda rapidamente, é preciso dar aos viajantes as informações de que precisam para seguir adiante — explicou o CEO e presidente do órgão, Fred Dixon. — A proposta é reunir num só lugar as informações oficiais, precisas e atualizadas, para combater percepções equivocadas sobre a visita ao país.
Dixon disse acreditar que o país, que mesmo num momento de baixa recebeu 68 milhões de turistas estrangeiros em 2025 (atrás apenas de França e Espanha), poderá retomar o crescimento. A perspectiva é que, com as mudanças na comunicação e os grandes eventos, os Estados Unidos fechem 2026 com 70,5 milhões de visitantes, e alcancem o recorde histórico de 85,2 milhões em 2030.
Vale ressaltar que o grande foco de preocupação do turismo americano é com os viajantes canadenses e europeus, especialmente. Entre latinos, o destino nunca foi tão popular. Brasileiros, por exemplo, ocupam o quinto lugar entre as nacionalidades que mais visitaram a cidade de Nova York. Em Orlando, a posição é ainda melhor: terceiro lugar, perdendo apenas para canadenses e britânicos — em 2025, foram pouco mais de 736 mil brasileiros na cidade dos parques temáticos, um recorde histórico.
Quem está de olho no mercado brasileiro é Porto Rico. O território caribenho, mais em evidência do que nunca após o sucesso recente do cantor Bad Bunny, quer aproveitar as conexões culturais com a América Latina para se fortalecer como uma “alternativa” à parte continental dos Estados Unidos.
— Nosso objetivo agora é aumentar a conexão aérea especialmente com Europa e América Latina. E mostrar que é possível explorar a ilha a partir da capital, San Juan, em direção ao interior e ao litoral, mostrando que combinamos o melhor do Caribe com a infraestrutura americana — afirmou a diretora de marketing doDiscover Puerto Rico, Storm Tussey.
Lista de novidades
A IPW é também a oportunidade de os mais variados destinos dentro do país apresentarem suas novidades, sejam atrações recém-inauguradas ou que estão por vir. E em nenhuma cidade essa lista é tão extensa quanto em Nova York, com destaque, por exemplo, para a abertura de novos hotéis, como o Kimpton Era Midtown, ao lado do Rockefeller Center, e o The Livingston, o primeiro Hyatt do Brooklyn. Entre os atrativos culturais, chamam a atenção a ampliação do New Museum e as reaberturas do Frick Collection (que já aconteceu) e do Ellis Island Museum (prevista para os próximos meses).
Museus também movimentam o turismo de Washington DC, que este ano celebra a chegada de um novo, o National Geographic Museum of Exploration, dedicado a mostrar a variedade de paisagens, animais e culturas que sempre estamparam as páginas da revista. A partir de julho os visitantes também poderão conhecer um novo espaço anexo ao Lincoln Memorial e as novas galerias do popularíssimo Smithsonian National Air and Space Museum, tudo fazendo parte das celebrações dos 250 anos da independência americana.
Em Los Angeles, duas atrações ligadas ao cinema são muito aguardadas para este ano. Inspirada na franquia “Velozes e furiosos”, a montanha-russa Fast & Furious: Hollywood Drift será o brinquedo mais radical do parque temático Universal Hollywood Studios com carrinhos que giram em 360° e velocidade máxima de 116km/h. Sua inauguração está prevista para a temporada de verão. Já o Lucas Museum of Narrative Art, dedicado à obra do diretor e produtor George Lucas, finalmente abrirá as portas em setembro.
Eduardo Maia viajou a convite de Brand USA e US Travel Association
