Como Milton Nascimento convenceu Sandro Veronesi, autor de 'O colibri', a torcer pelo Cruzeiro e não para o Palmeiras; entenda
O escritor italiano Sandro Veronesi, autor do best-seller “O colibri”, disse recentemente ao GLOBO que, no Brasil, era torcedor do Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte. Ele não se lembrava mais por quê havia escolhido o time mineiro e a reportagem sugeriu que talvez tenha sido por causa das origens italianas do Cruzeiro. Criado pela colônia de imigrantes italianos de Belo Horizonte como Società Sportiva Palestra Italia, o Cruzeiro mudou de nome apenas na Segunda Guerra Mundial para evitar represálias (assim como o Palmeiras).
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Nesta quarta-feira (27), Veronesi enviou um recado ao jornal por meio da assessoria de imprensa da Autêntica, sua editora no Brasil, confirmando que a origem imigrante do Cruzeiro realmente influenciou sua escolha.
— Eu torço para o Cruzeiro por causa do nome antigo, Palestra Italia, mas tinha esquecido. Lembrei que estava indeciso quanto a torcer para o Cruzeiro ou para o Palmeiras — explicou o italiano, que deu mais detalhes sobre a decisão. — Acabei escolhendo o Cruzeiro por causa de Milton Nascimento, dos discos “Minas” (1975) e “Geraes” (1976). Uma pena eu não ter me lembrado isso na entrevista. É que eu estou velho, eu esqueço as coisas.
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Veronesi tem 67 anos e já havia adiantado ao GLOBO para quem vai torcer na Copa do Mundo.
— Vou torcer para vocês na Copa do Mundo, já que a Itália está fora e o técnico do Brasil é italiano (Carlo Anceloti).
'Caos calmo'
Sucesso da última Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Veronesi está novamente entre nós. Nesta quinta-feira (28), às 18h30, ele lança o romance “Caos calmo” na Livraria Circulares, em Brasília. No sábado (30), às 16h15, participa da Feira do Livro, em São Paulo. No dia seguinte, a partir das 15h, dá autógrafos na Livraria da Vila da Avenida Paulista.
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O romance saiu na Itália em 2005 e dois anos depois no Brasil, publicado pela Rocco. Agora, o livro volta às livrarias em edição da Autêntica, que além do arrasa-quarteirão “O colibri” (mais de 53 mil cópias vendidas, entre livros físicos e digitais) também já lançou “Setembro negro”, que narra como o conturbado verão de 1972 virou de ponta-cabeça a vida de Gigio Bellandi, um menino de 12 anos.
“Caos calmo” é narrado por Pietro Paladini, um executivo de uma emissora de TV paga. Durante as férias na praia, ele e o irmão salvam duas mulheres no mar e ninguém os agradece. Os dois voltam para a casa e encontram Lara, a companheira de Pietro, morta, vítima de um aneurisma da aorta. Lara estava com a filha, Claudia, de 10 anos, e a babá. Dias após o enterro, recomeçam as aulas e Pietro promete à filha que passará o dia todo do lado de fora da escola, à espera dela. “A razão é simples: separar-se hoje é arriscado demais; para ela, e talvez também para mim”, justifica-se.
Os dias se sucedem e Pietro consolida uma nova rotina: das oito às quatro e meia permanece em frente à escola. Espantados, parentes, amigos e colegas de trabalho passam a visitá-lo lá para se certificar de suas condições mentais. Curiosamente, são as visitas que acabam desabafando com o enlutado. “Vieram sofrer”, conclui ele.
“Caos calmo” venceu o Prêmio Strega, o mais prestigioso da literatura italiana, assim como “O colibri” faria anos mais tarde. As duas obras viraram filme. A adaptação de “O colibri” foi dirigida por Francesca Archibugi e chegou aos cinemas em 2022. A de “Caos calmo”, assinada por Antonello Grimaldi, é de 2008. Nani Moretti interpretou Pietro e protagonizou cena de sexo um tanto selvagem, que acabou classificada como “vulgar e destrutiva” por autoridades católicas.
