Como Michael Jackson mudou a vida de quatro brasileiros: saiba quem são e o que fazem por causa do Rei do Pop
Há 30 anos, Michael Jackson desembarcava no Brasil para gravar o clipe de "They don't care about us". Traduzindo: Eles não ligam para nós. O país não foi uma escolha aleatória. E, por pouco, o astro internacional não é barrado, já que, na época, o governo teve medo de sermos mal-vistos lá fora. Agora imagina "Maico" numa favela, no Rio, e no Pelourinho, em Salvador. Foi uma catarse nacional.
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Algo que ainda emociona quem, na ocasião, esteve participando de tudo, e provoca nostalgia em quem mal era nascido em 1996. Caso de quatro brasileiros que, direta ou indiretamente, tiveram suas vidas mudadas pelo Rei do Pop, morto em 2009, e mais vivo do que nunca nas telas com a cinebiografia "Michael", que estreia nesta quinta nos cinemas e reascendeu a Michaelmania.
Bira Jackson, percussionista
Bira Jackson
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Bira tinha 24 anos quando conheceu Michael Jackson. Integrante do Olodum, ele era um dos “caras do tambor” relacionados para tocar no clipe de "They don't' care about us". Chegou ao Pelouinho cedo e se juntou à banda, se posicionando lá atrás, como estava previsto. "Passams o som com o sósia de Michael e já foi um alvoroço. Quando ele chegou e desceu da van, foi algo de outro mundo", relembra o músico. Enquanto Spike Lee, o cineasta e diretor do clipe, posicionava os instrumentistas, quis saber se havia algum deles que soubesse dançar para acompanhar Michael em alguns passos: "Aí ele procurou o Mestre Neguinho do Samba, nosso maestro, e fui chamado porque sabiam que eu dançava break antes de chegar ao Olodum".
Michael Jackson e Bira Jackson em 1996
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A única ordem era: nada de tocar, falar ou pedir autógrafo para o astro. Bira ficou perto de Michael com seu tambor, passou o som mais uma vez e seguiu os passos do cantor. De repente, os dois já estavam numa coreografia própria. "Não teve roteiro, ensaio, nada, disso. Mas energia. Eu não sabia se chorava, o que fazia. Agradeci muito com o único inglês que sabia", conta ele, que chamou atenção da equipe ao tocar com o tambor erguido só por um braço, sua marca registrada até hoje. Aos 54 anos, ele diz que sua vida mudou completamente após esse encontro: "Tudo que tenho e construí veio desse reconhecimento. Até meu nome. Eu era Bira Bad Boy e incorporei o Jackson. Hoje moro numa casa legal, tenho um carro bacana, e a música é minha vida. Assisti ao filme na pré-estreia e me emocionei demais".
Bira Jackson e Michael Jackson em 1996
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Paula Soares, produtora de conteúdo
Paula Soares
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Michael morreu em junho de 2009. Um ano depois, aos 14 anos, Paula Soares tinha seu primeiro contato com a obra do cantor. "Tinha um tributo a ele no Multishow e resolvi assistir. Quando acabou eu estava em choque, como não tinha visto aquilo antes. Uma coisa era o Michael nos clipes, o que já era incrível, mas o que ele fazia no palco era surreal", conta. A gaúcha, hoje com 31 anos, então decidiu investir seu tempo livre para fazer uma página e um canal só para falar do novo ídolo.
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Assim nasceu o Falando de Maico. Hoje, toda a produção de conteúdo está voltada para o Instagram e o TikTok. "Por causa do Michael, eu aprendi inglês, pois tentava de todo jeito legendar os vídeos dele para o Brasil. Com isso, me formei em Letras, inglês-português, e, apesar de não estar nesta área, o que aprendio produzindo na internet hoje aplico ao trabalho de social mídia, com meus clientes. Ainda conheci meu namorado, com quem estou há sete anos, e também é fã do MJ, na plateia do show que o pai do Micheal vio fazer no Brasil", enumera ela, que se tornou uma referência quando se quer saber da vida do astro. Ela já assistiu ao filme sobre o Rei do Pop: "Duas vezes. Uma eu só chorei, na outra pude prestar atenção. Eu amei".
Rodrigo Teaser
divulgação
Rodrigo Teaser, artista
Aos 9 anos, Rodrigo Teaser ganhou seu primeiro disco: "Thriller", um fenômeno da música dos anos 1980 que atravessa gerações até hoje. Começava ali uma paixão que se tornaria no futuro uma profissão. Aos 46 anos, o artista é considerado o maior intérprete de Micchael Jackson na América Latina e reconhecido mundialmente pelos shows impecáveis que faz.
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E de pensar que cantar e dançar na sala, para a família, era só uma maneira de driblar sua timidez: "O Michael mudou minha história em todos os sentidos. Venho de uma família muito simples, onde fazer faculdade não era uma opção. Meus pais entenderam que o que me faria feliz era seguir na arte", relata Rodrigo.
Rodrigo Teaser
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Não foi fácil chegar aos cerca de 80 shows que faz por ano. Se a superprodução tem agora supervisão coreográfica e musical dos profissionais que atuavam com Michael, até consolidar a carreira, Rodrigo foi testado muitas vezes: "No começo, fazia shows cover dublados em casas noturnas, era o intervalo de alguma banda baile.
Até consolidar foi muita resiliência e crença no que eu fazia", diz. Em 2009, quando Michael morreu, ele ficou sem chão e quis desistir pela primeira vez: "Me sentia um ooportunista". Com o passar dos meses, Rodrigo entendeu quo o que fazia era manter Michael vivo no coração dos fãs. Foi quando decidiu apostar todas as fichas e alugar um teatro em São Pulo para apresentar uma superprodução: "Refinanciei um Corsa que eu tinha e contratei bailarinos, cenografia, luzes, tudo que podia". Deu tão certo que Tease tem turnês internacionais no currículo.
Rodrigo Teaser e a jaqueta que Michael Jackson esqueceu no Brasil em 1993
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Colecionador de tudo o que pode MJ, Rodrigo tem guardada a sete chaves uma jaqueta usada por Michal quando ele esteve no Brasil, em 1993: "Ele esqueceu aqui e depois houve um leilão, após a morte dele. Acabei ficando próximo de quem achou, mas não tinha grana para comprar. Só que ele desistiu de vender, negociamos um valor simbólico e hoje ela é minha".
Jeison Wilde, multi-instrumentista
Jeison Wilde
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Jeison e o irmão acordaram às 5h30 para estarem no Pelourinho, naquela manhã calorenta de 9 de fevereiro de 1996. Ele tocava repique e quando chegou lá ficou uma fera ao ver que só tinha tamborim. Aos 11 anos, o menino fechou a cara. A ponto de Spike Lee dizer que os garotos tinham que sorrir. "Aí, ele pediu ao Neguinho do Samba para destacar alguns para ficarem ao lado do Michael, tocando. Eu fiquei mais próximo a ele, e, de repente, ele me olhou e me chamou para mais perto, tocando comigo. Só que tive medo, né, achei que tivesse entendido errado", recorda.
Jeison Wilde e Michael Jackson no Pelourinho
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Aos 41 anos, Jeison diz que aquele dia mudou se destino e ele passou a ver a música não como uma alternativa para meninos da periferia, como ele, mas como um agente transformador. Cursos técnica musical, pedagogia e fez mestrado na área musical. Participa de vários projetos sociais na Bahia e da Orquestra Afrosinfônica. Toca todos os instrumentos de percussão e aprendeu a amar o tamborim: "Não fosse ele, não teria tido essa oportunidade incrível de mudar a minha história".
Jeison Wilde
reprodução
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