Por Bruce WilliamPostado em 27 de outubro de 2026 O Black Sabbath já havia passado por diversas mudanças de formação e de direção musical quando entrou em estúdio para gravar "Forbidden", lançado em 1995.
Com Tony Martin nos vocais, Tony Iommi na guitarra, Neil Murray no baixo e Cozy Powell na bateria, o grupo tentava encontrar seu espaço em uma década na qual o heavy metal tradicional havia perdido bastante terreno. E foi justamente a tentativa de acompanhar os novos tempos que acabou contribuindo para um dos discos mais criticados de sua carreira.
A gravadora escolheu Ernie C, guitarrista do Body Count, para produzir o álbum. Sua missão era modernizar o Black Sabbath, e uma das referências era o Nirvana, que havia transformado o mercado musical com o sucesso de "Nevermind", em 1991.
Kurt Cobain, evidentemente, não teve qualquer participação na história, mas a sonoridade que sua banda ajudou a popularizar acabou chegando, por caminhos inesperados, ao estúdio do Sabbath. Em entrevista ao The Metal Voice, Ernie C explicou que a decisão de contratá-lo partiu de Miles Copeland, então responsável pela gravadora IRS, e revelou qual era sua intenção: "Meu objetivo era atualizar o som do Black Sabbath, fazê-los soar como o Nirvana".
O produtor queria abandonar parte daquela sonoridade grandiosa dos anos 1980, marcada pelo uso abundante de reverberação, em favor de uma gravação mais seca e próxima da sensação de uma banda tocando numa garagem. O problema é que os músicos não estavam muito interessados nessa transformação.
Cozy Powell, especialmente, entrou em conflito com Ernie C por causa do tratamento dado à bateria. Anos depois, Tony Iommi admitiu que a experiência havia sido frustrante.
Em entrevista à Kerrang! (via Guitar News), contou que Ernie C chegou a pedir que Powell tocasse de uma maneira mais moderna, algo que desagradou profundamente ao veterano baterista. O guitarrista também reconheceu que a mixagem final estava longe do que a banda desejava.
"Não estávamos satisfeitos com aquilo. E não digo isso para criticá-los, porque funciona muito bem nos discos deles, mas simplesmente não funcionou para o Sabbath", afirmou.
O resultado foi um álbum que desagradou tanto a parte dos fãs quanto aos próprios integrantes. A participação de Ice-T na faixa de abertura, "The Illusion of Power", reforçou a impressão de que o Black Sabbath estava tentando se aproximar de tendências musicais que pouco tinham a ver com sua identidade.
O próprio Ernie C reconheceria posteriormente que o disco teria sido mais bem recebido se não carregasse o nome da banda. A insatisfação de Iommi durou décadas.
Em 2024, "Forbidden" ganhou uma nova mixagem, preparada pelo guitarrista com o engenheiro Mike Exeter e incluída na caixa "Anno Domini 1989–1995". A intenção era recuperar a força dos instrumentos e aproximar o resultado daquilo que os músicos imaginavam originalmente.
Quase trinta anos depois, o Sabbath finalmente pôde apresentar uma versão do álbum sem aquela tentativa de fazê-lo soar como o Nirvana.
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