A urna eletrônica faz parte das eleições brasileiras desde 1996, mas o equipamento utilizado para registrar o voto é apenas uma parte de um conjunto de sistemas desenvolvido pela Justiça Eleitoral. Por trás das teclas apertadas pelo eleitor há um software próprio, mecanismos de criptografia e assinatura digital e uma série de procedimentos de fiscalização. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os projetos de hardware e software da urna são especificados pelo próprio tribunal. O equipamento físico é produzido por uma empresa escolhida por licitação, enquanto o software é desenvolvido pela equipe técnica do TSE. Uma característica importante é que a urna não fica conectada à internet durante a votação. Ela também não possui conexão por Wi-Fi ou Bluetooth nem componentes de hardware ou software destinados a essas conexões, segundo informações do TSE reunidas pela Agência Senado. O "cérebro" da urna é baseado em Linux As primeiras urnas eletrônicas utilizavam o sistema operacional VirtuOS. Em 2002, passaram a usar Windows CE e, a partir das eleições de 2008, todos os equipamentos passaram a operar com o Uenux (Urna Eletrônica com Linux), plataforma desenvolvida para as urnas a partir do sistema operacional de código aberto Linux. Dentro dessa plataforma funciona o Software de Votação, chamado Vota. É nele que o eleitor digita os números, visualiza os dados e as fotos dos candidatos e confirma o voto para cada cargo. O mesmo software é utilizado pelo mesário para controlar a habilitação dos eleitores daquela seção, incluindo a conferência do título e da biometria. Depois da votação, o sistema também participa da apuração do resultado da seção, da geração dos arquivos destinados à totalização e da impressão do Boletim de Urna (BU). Antes de chegar aos equipamentos, os programas passam por procedimentos de fiscalização. Os códigos-fonte ficam disponíveis para inspeção das instituições fiscalizadoras e, após os procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral, os softwares são assinados digitalmente e lacrados. Para as eleições de 2026, o TSE informa que os códigos-fonte ficaram abertos para inspeção desde outubro de 2025. O que acontece quando o eleitor aperta "confirma"? Os votos são registrados individualmente no Registro Digital do Voto (RDV). Eles são armazenados de forma que não seja possível associar determinado voto ao eleitor que o inseriu. Esse registro permite refazer a contagem dos votos em procedimentos de auditoria ou recontagem. Ao mesmo tempo, o eleitor recebe apenas um comprovante de votação, que atesta sua participação no processo eleitoral – não há impressão indicando em quem ele votou. Antes do início da votação, também é impressa a chamada zerésima, documento que demonstra que não há votos contabilizados na urna naquele momento. Mesários e fiscais podem acompanhar sua impressão. A identificação do eleitor ocorre antes da liberação da urna. Quando disponível, a biometria é usada para confirmar sua identidade. O sistema biométrico começou a ser implantado pela Justiça Eleitoral em 2008 e utiliza características individuais, como a impressão digital, para a identificação. Encerrada a votação, a urna realiza a apuração daquela seção e imprime o Boletim de Urna, documento que registra quantos votos cada candidato recebeu. O boletim é impresso em vias que podem ser usadas para conferir posteriormente os resultados. O equipamento também grava os dados do resultado em uma mídia. É somente depois dessa etapa que as informações deixam fisicamente a urna e seguem para os sistemas de totalização. A transmissão ocorre por uma rede utilizada pela Justiça Eleitoral. Ou seja, a transmissão do resultado e o funcionamento da urna durante a votação são etapas distintas: enquanto recebe e contabiliza votos, o equipamento permanece isolado da internet.
Como é possível conferir se o sistema usado é o correto? A segurança não depende de um único recurso. Segundo a Agência Senado, a Justiça Eleitoral prevê mais de 40 processos de auditoria durante o ciclo eleitoral, com possibilidade de participação de instituições como partidos políticos, Ministério Público, OAB e Congresso Nacional.
Antes das eleições, os programas passam por inspeção e testes. Depois de compilados, recebem hashes, códigos que permitem verificar os arquivos, além de assinaturas digitais. A assinatura digital é usada para verificar a autenticidade e a integridade dos arquivos e conferir se o sistema presente na urna corresponde ao que passou pelos procedimentos oficiais. O TSE publica, inclusive, os hashes referentes aos sistemas das Eleições 2026.
Há ainda o Teste de Integridade, no qual uma votação é simulada em ambiente controlado: votos registrados previamente em cédulas de papel são digitados na urna e, depois, comparados com o resultado produzido pelo equipamento. O objetivo é verificar se os votos foram registrados e contabilizados corretamente.
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