O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, concedeu nesta quinta-feira (15) entrevista à TV Globo, exibida após o Jornal Nacional. Na sabatina, o senador negou ter discutido com o ex-presidente Jair Bolsonaro um cargo em seu eventual governo e disse que a ideia não estava "no radar". Em diversos pontos, buscou atacar seu adversário, o presidente Lui Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição. Veja a seguir o resumo das análises dos colunistas do Valor: Fernando Exman Flávio não detalhou o que vai fazer na economia, tampouco respondeu de forma objetiva perguntas sobre sua atuação parlamentar nem detalhou a operação feita com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”. Mas outras respostas evasivas também chamaram a atenção, na entrevista que concedeu à TV Globo na noite desta sexta-feira (16). Quando perguntado se o ex-presidente Jair Bolsonaro poderia ter um cargo no governo depois de ser solto da prisão por tentativa de golpe de Estado, disse que nunca tinha tratado disso com o pai. "Não está no radar." Perguntado sobre declaração de seu irmão segundo a qual Jair indicará pessoalmente ministros, não desmentiu, limitando-se a assegurar que Eduardo Bolsonaro não seria chanceler. Flávio perdeu a oportunidade de reduzir as dúvidas que existem em relação ao poder de influência que o pai terá no seu eventual governo, em caso de vitória, um fator decisivo para muitos que rejeitam seu nome. César Felício Ao ser perguntado na sabatina do Jornal Nacional pela jornalista Renata Lo Prete sobre as punições no caso do 8 de janeiro, Flávio atacou Lula por supostamente prejudicar motoboys de São Paulo em uma disputa com o prefeito Ricardo Nunes sobre o ordenamento viário da cidade. Questionado por ela sobre por que apresentou um projeto de lei que elimina a marcação de balas de uso exclusivo de forças militares, o presidenciável do PL lembrou a visita de Flávio Dino, então ministro da Justiça, no Complexo da Maré. Perguntado sobre por que pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, uma importância para a conclusão do filme "Dark Horse" muito superior ao que a produtora disse ter gasto, o senador citou um suposto patrocínio do antigo dono do Banco Master a um filme sobre Lula.
Flávio procurou conduzir a entrevista para falar o que quisesse, tendo assim domínio da narrativa. Foi impedido pela condutora da sabatina, que constantemente pontuou que o senador se esquivava do questionamento e trazia assuntos de outra natureza. Lula , na véspera, não fez isso. Abriu mão da disputa da condução de entrevista e pouco se referiu ao adversário. Leia a análise Maria Cristina Fernandes Flávio Bolsonaro ignorou as perguntas mais incômodas da jornalista Renata Lo Prete na sabatina da Rede Globo e, quando apertado, saiu para atacar seu adversário. Foi uma estratégia completamente diversa da adotada pelo presidente e candidato do PT à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva. Flavio ignorou a viabilidade fiscal de sua proposta de superávit, a razão por que pediu a Daniel Vorcaro duas vezes o valor declarado para o filme sobre o pai, as pressões do pai sobre a Polícia Federal e o projeto de sua autoria que retira a cápsula de balas e dificulta a identificação da autoria de tiros – “um detalhezinho”, resumiu. Ante a insistência da entrevistadora, se limitava a olhar para a câmera enquanto pinçava diálogos de Vorcaro com personagens e empresas de toda a República. Valeu-se da velha estratégia de espalhar no ventilador a cumplicidade nas relações incestuosas com o banqueiro do Master de maneira a não responder sobre sua própria responsabilidade. Leia a análise
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