Como eram as festas de Daniel Vorcaro? Veja o que havia nos eventos 'exclusivos'

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Fonte da notícia: O Liberal O Liberal

Festas particulares promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passaram a fazer parte das investigações que envolvem o empresário após a Polícia Federal encontrar mensagens, registros e relatos sobre os eventos. Os documentos descrevem encontros de luxo com grande quantidade de mulheres, atrações musicais, bebidas e convidados ligados à política, ao mercado financeiro e ao Judiciário.

As festas ocorreram em diferentes locais, incluindo uma boate em São Paulo, uma embarcação em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e uma casa de luxo em Trancoso, na Bahia. Parte das informações foi obtida pela PF a partir de dados extraídos dos celulares de Vorcaro e de depoimentos anexados às investigações.

A defesa do ex-banqueiro, porém, repudia as informações e alegações relacionadas aos eventos. Segundo os advogados, os relatos promovem “juízo moral”, além de gerarem “ilações e invasão da esfera privada”.

"Garotas de programa" eram levadas para as festas

Segundo informações extraídas pela PF dos celulares de Vorcaro, mulheres eram selecionadas e levadas para algumas das festas promovidas pelo banqueiro. Mensagens encontradas pelos investigadores mostram que o ex-modelo Stheve Lopes ajudava a apresentar mulheres a Vorcaro para os eventos. Em algumas conversas, ele enviava fotos e recebia avaliações sobre as possíveis convidadas.

De acordo com um relatório baseado em depoimento do comandante de uma embarcação utilizada pelo empresário em Angra dos Reis, havia também mulheres contratadas para participar das festas. O documento cita a atuação de uma diretora de operações da empresa de jatinhos Prime You na organização do transporte dessas mulheres para os eventos.

A PF descreve, ainda, festas com uma proporção estimada de cerca de 120 mulheres para 20 homens. As investigações tratam da presença dessas mulheres em eventos que também reuniam personalidades, empresários e autoridades.

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Festas tinham DJs e atrações internacionais

Uma das festas que chamou atenção dos investigadores ocorreu em outubro de 2023, na boate Madame Satã, na região da Bela Vista, em São Paulo. O evento, posteriormente apelidado de “Vorcaroween”, teve temática de Halloween e contou com uma programação de música eletrônica durante a madrugada.

Entre as atrações estavam nomes conhecidos da música eletrônica, como Solomun, Vintage Culture e integrantes do Swedish House Mafia, segundo registros divulgados sobre a festa. O evento teria começado à noite e avançado até a manhã seguinte, com uma lista restrita de convidados.

A administração do Madame Satã afirmou que apenas alugou o espaço para uma agência ou produtora responsável pelo evento e que não teve contato direto com Vorcaro. A festa teria reunido empresários, autoridades e mulheres estrangeiras.

Bebidas caras e cardápio de luxo

Os eventos também eram marcados por produtos de alto valor. Segundo relatos sobre as festas, o cardápio incluía petiscos com caviar, enquanto entre os vinhos servidos estavam rótulos como Petrus, La Tâche e Armand Rousseau.

As bebidas também chamavam atenção. O whisky Macallan aparecia entre os produtos consumidos nas festas. Dependendo da versão e da safra, algumas garrafas da marca podem alcançar valores elevados, embora também existam versões mais acessíveis.

A combinação de bebidas de luxo, atrações internacionais e convidados selecionados fazia parte da estrutura dos eventos privados atribuídos ao banqueiro. As informções são da Folha de São Paulo.

Festas em iate reuniam personalidades

A PF também identificou uma residência ligada a Vorcaro na Ilha do Jorge, em Angra dos Reis (RJ). Segundo as investigações, o local era utilizado para encontros privados, inclusive com festas realizadas em uma embarcação de alto padrão.

O comandante do iate ouvido pela PF relatou que Vorcaro promovia grandes eventos no barco. O depoimento menciona a presença de bebidas, mulheres contratadas para as festas e personalidades convidadas.

O empresário também era proprietário da empresa de aviação executiva Prime You, que, segundo o relato incluído no relatório policial, teria sido utilizada na logística para levar mulheres aos eventos.

O que era o “Cine Trancoso”?

Outro conjunto de festas que entrou no radar das autoridades ficou conhecido como “Cine Trancoso”. Os encontros aconteciam em uma casa utilizada por Vorcaro em Trancoso, na Bahia, e ganharam esse nome por causa de registros feitos pelo sistema de câmeras da residência.

As primeiras informações sobre esses eventos vieram a público após a divulgação de mensagens encontradas no celular do banqueiro. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União chegou a recomendar a abertura de um processo para identificar autoridades federais que teriam participado das festas.

Segundo representação apresentada pelo órgão, os eventos teriam reunido pessoas ligadas aos Três Poderes, além de integrantes do mercado financeiro, da política e do meio jurídico.

Empresária reclamou de festa em Trancoso

Documentos de um processo judicial também apresentam mensagens da empresária Sandra Habib, antiga proprietária de uma casa posteriormente adquirida por empresas ligadas a Vorcaro. As conversas registram reclamações sobre uma festa realizada no imóvel em outubro de 2022, quando o empresário ainda era locatário.

Segundo as mensagens reproduzidas no processo e divulgadas pela Folha de S.Paulo, Sandra afirmou ao corretor que havia mais pessoas na residência do que o limite previsto em contrato e reclamou do volume da música.

Na conversa, a empresária usou um termo ofensivo para se referir às mulheres presentes e afirmou que os funcionários da casa estavam chocados com a situação. Ela também relatou que um grupo de pagode havia sido contratado e que o barulho teria provocado reclamações de vizinhos e acionamento das autoridades locais.

"O Vorcaro encheu a minha casa de p*tas. Ele, amigos e muitas p*tas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior", escreveu Sandra ao corretor no dia 5 de outubro de 2022.

Eventos também ocorreram no exterior

As festas atribuídas a Vorcaro não ficaram restritas ao Brasil. Um dos eventos citados nas apurações ocorreu em Nova York, durante a Semana do Brasil, reunião que reúne empresários e políticos brasileiros na cidade.

A festa teria funcionado como um “after”, ou seja, uma comemoração realizada após as atividades oficiais. O evento chamou atenção pela presença de bebidas caras e modelos estrangeiras.

Outro encontro citado ocorreu durante o tradicional Fórum Jurídico de Lisboa, em Portugal. Segundo relatos publicados sobre o evento, a festa promovida pelo banqueiro repercutiu entre participantes do fórum no dia seguinte.

Fábio Faria aparece entre os convidados citados

Entre os nomes mencionados nas informações sobre a festa realizada em São Paulo está o do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, durante o governo de Jair Bolsonaro.

Faria confirmou à revista piauí que distribuiu convites para o evento a pedido do anfitrião. Segundo nota atribuída a ele, sua participação ficou restrita ao envio dos convites para pessoas que tinham amigos em comum com o organizador. A PF, porém, também teria apontado que caberia a ele auxiliar na seleção dos convidados.

Outros nomes de autoridades e empresários aparecem nos documentos e relatos relacionados às festas. A simples menção nos registros, no entanto, não significa que essas pessoas tenham cometido irregularidades ou participado dos eventos, e alguns dos citados negaram presença ou qualquer envolvimento.

Defesa de Vorcaro contesta relatos

A defesa de Daniel Vorcaro afirma que as informações divulgadas sobre as festas não comprovam irregularidades e critica o que considera uma exposição da vida privada do empresário.

Os advogados também afirmam que a contratação de pessoas para eventos pode ocorrer em festas promocionais e que os relatos divulgados não devem ser utilizados para produzir conclusões sobre a conduta do ex-banqueiro.

As informações sobre os eventos passaram a ganhar maior repercussão após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de parte dos documentos relacionados ao caso Banco Master. A abertura dos autos permitiu o acesso a relatórios e mensagens que estavam sob sigilo nas investigações.

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