Como duas executivas da moda querem transformar o mercado de drinques no Brasil

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

Depois de construir carreiras em algumas das maiores marcas de moda e luxo do mundo, duas executivas brasileiras decidiram trocar as passarelas pelo mercado de bebidas. Ines Néspoli e Stephania Egli são as fundadoras da Tintin, marca de drinques prontos com baixo teor alcoólico que aposta em ingredientes da biodiversidade brasileira para conquistar consumidores interessados em reduzir o consumo de álcool sem abrir mão dos encontros sociais. O negócio nasceu após dois anos de pesquisa e mais de 100 testes de formulação, em um segmento que as empreendedoras consideram promissor no país. A trajetória das sócias ajuda a explicar o posicionamento da empresa. Stephania acumulou cerca de duas décadas de experiência em marketing e comunicação, com passagens por Harrods, Hermès, New Balance e Burberry, onde permaneceu oito anos à frente do marketing para a América Latina. Também trabalhou no Soho House, desenvolvendo iniciativas para ampliar a presença da marca em cidades latino-americanas.

Ines, por sua vez, construiu carreira na publicidade e na direção criativa. Foi responsável por projetos da L’Oréal Paris no Brasil, trabalhou na Vogue e participou do lançamento da Harper’s Bazaar brasileira, além de atuar na Elle. Posteriormente, desenvolveu projetos independentes para marcas nacionais e internacionais. Apesar das experiências distintas, as duas compartilhavam o desejo de empreender. Antes de chegar ao setor de bebidas, estudaram oportunidades em cosméticos, suplementos e serviços relacionados ao bem-estar. A decisão de apostar nos drinques veio da identificação de uma lacuna no mercado brasileiro, onde as opções para quem não quer consumir álcool ainda são bastante concentradas nas cervejas sem álcool.

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A oportunidade também surgiu de experiências pessoais. Ines conta que deixou de consumir bebidas alcoólicas há quatro anos e passou a procurar alternativas em bares, restaurantes e encontros com amigos. Stephania, por sua vez, buscava reduzir o consumo, mas sentia falta de opções intermediárias entre uma bebida tradicional e produtos completamente sem álcool. “Eu parei de beber álcool há quatro anos. E, procurando o que beber, tanto fora do Brasil quanto no Brasil, procurava bebida sempre quando ia ao mercado, ao restaurante, ao bar”, conta Ines. Segundo ela, as alternativas disponíveis frequentemente não ofereciam a complexidade de sabores de um coquetel tradicional. A resposta das empreendedoras foi criar uma marca voltada ao conceito de mindful drinking, que propõe escolhas mais conscientes sobre quando e quanto beber. A Tintin estreou com o Carysma, drinque de baixo teor alcoólico desenvolvido para oferecer uma experiência próxima à dos coquetéis convencionais. A formulação reúne ingredientes como catuaba, marapuama, jurubeba, ginseng e frutas brasileiras. A escolha dos componentes começou pelo conceito que as fundadoras queriam transmitir: uma bebida associada à vitalidade e ao carisma brasileiro. Para transformar a ideia em um produto industrializado, as sócias recorreram a especialistas em formulação e enfrentaram uma sequência de testes.

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O desenvolvimento exigiu mais de 100 versões até chegar à receita final. Um dos principais desafios foi encontrar o equilíbrio entre sabor, aroma e graduação alcoólica, mantendo características como amargor, intensidade e complexidade, geralmente associadas à presença do álcool. “Quando você tira o álcool, precisa trazer ingredientes que vão dar esse mesmo sensorial, essa mesma experiência de tomar um drinque. Senão, acaba virando um isotônico, um chá, um suco”, explica Ines. Os desafios de transformar uma ideia em negócio A experiência das fundadoras com moda e design também influenciou a apresentação da Tintin. Desde o início, a proposta era criar um produto que pudesse ocupar espaço não apenas nas geladeiras, mas também na experiência de consumo de bares, restaurantes e encontros sociais.

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A embalagem, porém, acabou se tornando um dos maiores obstáculos do projeto. As empreendedoras imaginavam inicialmente uma garrafa de 750 mililitros com uma tampa semelhante às utilizadas em bebidas destiladas. Durante o desenvolvimento, descobriram que a necessidade de pasteurização do drinque exigia uma solução diferente para garantir a segurança e a conservação do produto. A busca por fornecedores capazes de atender às especificações também revelou limitações da indústria brasileira para uma categoria ainda em desenvolvimento. As sócias precisaram adaptar o projeto original às embalagens disponíveis e às exigências de produção em escala. Outro desafio foi a regulamentação dos ingredientes. Como a Tintin buscava referências em mercados internacionais, parte das substâncias inicialmente consideradas não podia ser utilizada da mesma maneira no Brasil. Isso exigiu mudanças nas formulações e a combinação de componentes autorizados pela legislação nacional.

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Em vez de investir imediatamente em uma distribuição ampla, a Tintin começou a construir sua presença por meio de eventos de moda, arte e experiências de degustação. A estratégia busca apresentar o produto ao público e explicar o conceito de baixo teor alcoólico, ainda pouco familiar para parte dos consumidores brasileiros. Atualmente, a Tintin comercializa seus produtos pelo próprio e-commerce e já iniciou a presença em estabelecimentos físicos, como o Guarita, em São Paulo. O próximo passo é ampliar a distribuição para bares, restaurantes e mercados especializados que tenham afinidade com o posicionamento da marca.

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