Como Cristina Junqueira, a bilionária sócia do Nubank, tenta chamar a atenção para o banco digital nos EUA

 

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Bilionária e uma das líderes do Nubank, conhecido pelo acesso facilitado aos serviços bancários no Brasil, Cristina Junqueira teve dificuldades para conseguir um cartão de crédito após mudar-se para Miami no ano passado, acompanhada do marido e dos quatro filhos.

— Levou meses — disse a executiva à Bloomberg ao reconstituir a experiência que teve com a área de private banking de um grande banco americano. Mas o processo extenuante serviu como um lembrete do motivo pelo qual ela foi para os EUA — Nós sabemos como resolver esse tipo de problema.

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Foi a frustração com o sistema bancário tradicional no Brasil que levou Junqueira a ajudar a fundar o Nubank, junto com David Vélez, em 2013. A companhia rapidamente se tornou a fintech mais valiosa da América Latina, com um valor de mercado próximo a US$ 73 bilhões (R$ 350 bilhões), ao conceder crédito para clientes de diferentes faixas de renda.

Cristina Junqueira e David Vélez, cofundadores do Nubank

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A próxima missão é fazer barulho na maior economia do mundo sem abrir nenhuma agência. O Nubank obteve licença condicional para oferecer serviços bancários nos EUA no final de janeiro, em um primeiro passo para adquirir uma licença bancária. À época, a empresa esperava começar a operar em 18 meses.

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Com mais de 130 milhões de clientes juntando Brasil, México e Colômbia, o Nubank vai começar do zero nos EUA, um mercado competitivo em que os consumidores têm milhares de bancos à disposição.

— Nada será mais difícil do que construir uma marcar nos EUA — ela diz.

Microcelebridade atrelada à marca

Ajuda o fato de que ela é uma espécie de microcelebridade. Junqueira, que tem 43 anos, mantém mais de 800.000 seguidores no Instagram atualizados sobre seus negócios, a vida familiar e a experiência de mudar-se para uma nova casa no sul da Flórida vindo de São Paulo, para encabeçar o projeto americano do Nubank.

— É por isso que eu estou aqui. Porque eu fui a principal pessoa na construção da marca no Brasil, ao longo dos anos, para o que ela é hoje.

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A marca atende mais de 60% da população adulta do Brasil e possui mais de US$ 40 bilhões em depósitos. Junqueira se tornou bilionária após a oferta pública inicial (IPO) do Nubank nos EUA, que levantou US$ 2,6 bilhões em 2021.

A fatia da empresária na companhia vale cerca de US$ 1,9 bilhão, e as ações sobem mais de 60% desde a estreia, comparadas a um ganho de 22% no KBW Bank Index, que acompanha bancos americanos de grande porte.

Nome de estádio e base latina

Miami é uma base natural para a operação do Nubank nos EUA. É o epicentro de um condado majoritariamente latino, e o nome da fintech tem peso junto a milhões de americanos que têm ligações com a América Latina. Além do Brasil, o Nubank atua no México e na Colômbia natal de Vélez.

Ainda assim, o Nubank jogou alto para se fazer notar. O nome da fintech aparece no estádio de futebol em que o Inter Miami CF, que entre outros é o clube de Lionel Messi, manda seus jogos. Junqueira e Vélez fizeram uma aparição na partida inaugural no começo do mês.

A empresa também firmou acordo com uma equipe de Fórmula 1 ligada à Mercedes-Benz, pegando carona em um esporte cuja popularidade explodiu desde a estreia de uma série documental na Netflix em 2019.

Interesse nas remessas de imigrantes

Outra forma de chegar a novos clientes é conectar os americanos aos principais mercados do Nubank. A presença nos EUA pode se tornar um impulso para imigrantes que enviam dinheiro para seus países de origem com frequência.

— Posso ver um mundo em que, graças à capacidade de fazer transferências entre contas dos EUA para a América Latina, o Nubank ofereça remessas gratuitas para conquistar clientes — diz Zachary Gunn, analista da Financial Technology Partners. — Isso não tem sido possível historicamente porque há diferentes redes nas pontas.

Analistas do Citi dizem que o Nubank — que provavelmente focará em cartões de crédito e em crédito pessoal nos EUA — poderia chegar a cerca de US$ 21 bilhões em carteira de crédito até 2030 se atingir 2% de participação de mercado na Califórnia, no Texas e na Flórida, três estados com grande população hispânica.

O montante equivale a cerca de 60% de sua carteira de crédito no Brasil, seu maior mercado, e é comparável aos bancos médios regionais dos EUA. O Citi também projeta um retorno sobre o patrimônio de 20% para o Nubank nos EUA, acima da média de 12% para os bancos do país.

— A nossa visão é de que o Nubank pode ter desempenho acima da média dos EUA graças ao baixo custo — escreveu o analista Gustavo Schroden em relatório publicado em março.

Ambição maior nos EUA

Ainda que seja lógico cortejar americanos com ligações com países latino-americanos, o Nubank tem ambições maiores. A empresa recentemente contratou uma executiva do TikTok para ajudar a capturar a atenção de pessoas que talvez não conheçam a fintech. Além disso, abriu postos em Washington e Palo Alto, na Califórnia, região próxima de muitas das elites do Vale do Silício.

— Estamos construindo a operação para os americanos — disse Junqueira. — As primeiras pessoas que vão nos reconhecer serão brasileiros, mexicanos, mas vamos construir para essa geração afluente mais jovem que está surgindo nos EUA.