Como artes e ensino confluem pelo mundo? Mesa do LED mostra planos nacionais da Colômbia, Portugal e Brasil
O debate sobre como a arte está presente em planos nacionais de educação de diferentes países foi tema da mesa ‘Entre Diretrizes e Criações: políticas públicas para o ensino de artes’, com convidados de Portugal, da Colômbia e do Brasil. Um deles foi Paulo Pires do Vale, filósofo português, que trabalhou na construção do novo Plano Nacional das Artes de seu país, que busca orientar e garantir um ensino de artes diverso e acessível para todas as escolas.
— Quando eu uso a expressão “direito à cultura”, a maior parte de nós pensa no direito de acesso à cultura, ir ao teatro, ir ao cinema, ir à exposição, mas o direito à cultura é também o direito de todos sermos agentes culturais e produzirmos cultura — apontou ele, destacando que esse pensamento permeia o plano das artes de Portugal.
Ele acrescentou que o plano busca não só olhar para as escolas, mas sim para toda a comunidade, desde as autarquias, municípios, empresas e instituições culturais. Ele citou os saberes de povos originários que dizem que “para educar uma criança é preciso de toda a aldeia”.
Também esteve presente Olga Olaya, líder do componente de Planos, Políticas e Programas de Educação e Formação Artística e Cultural, do Ministério das Culturas, das Artes e dos Saberes da Colômbia.
Segundo ela, embora o reconhecimento obrigatório da arte no currículo escolar tenha sido conquistado em 1994, apenas 6 mil dos 389 mil professores das escolas são de artes.
— Temos uma dívida importante em garantir esse direito à formação artística e cultural — declarou.
Para tentar resolver essas lacunas, o plano do país começou trabalhando a partir dos “centros de interesse”, proposta criada pelo programa ‘Artes para la paz’, com artistas residentes, educadores, mestres de saberes originários e agentes culturais que chegam às escolas para realizar experiências de formação artística.
Já o brasileiro Celso Melo Filho, músico, educador e escritor, que atuou na construção de livros didáticos de artes e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), fala que, apesar de a presença da arte nos currículos já ser uma grande conquista, ainda há entraves.
—Infelizmente as cargas horárias são díspares no Brasil. Tem lugares em que a arte só está em um dos anos do ensino médio, lugar em que existe só uma ou duas aulas por semana. O livro didático éa tentativa de trazer um caminho que possa atender todo mundo, mas a gente tem que investir e valorizar o professor de artes, o artista e a arte na sociedade.
Amesa contou ainda com a apresentação em vídeo sobre atrajetória de Marián López Fernández-Cao no campo da arte, educação e cuidado. Ela écatedrática de educação artística da Universidade Complutense de Madrid e membro da comissão de cultura da Organização dos Estados Ibero-Americanos.
— O nosso papel é fomentar. Para que essas ações cresçam, ganhem escala e, no final de tudo, mudem o ponteiro, que é o que a gente quer, educação de qualidade para todos e todas.
Interessados em participar da edição do ano que vem podem começar a ficar atentos em agosto, quando deve ser lançada a próxima convocação.
