Um anel usado para acompanhar sono, frequência cardíaca, temperatura corporal e outros sinais fisiológicos transformou a Oura em uma empresa com receita bilionária. A fabricante faturou US$ 1,21 bilhão nos nove meses encerrados em junho, alta de 74% sobre o mesmo período de 2025, e chegou a 5 milhões de assinantes pagos. Os números foram revelados no pedido de abertura de capital protocolado pela Oura na Securities and Exchange Commission (SEC) na quinta-feira (3). No mesmo período, o lucro líquido chegou a US$ 60,8 milhões, ante US$ 1,6 milhão um ano antes. As demonstrações financeiras desse período são não auditadas. A companhia pretende listar suas ações na Nasdaq com o código OURA, mas ainda não informou o preço nem o número de papéis da oferta. Fundada em 2013, a Oura construiu seu negócio em torno de um dispositivo que reúne sensores em um anel para registrar continuamente dados do corpo. A versão mais recente, o Oura Ring 5, custa entre US$ 399 e US$ 499 nos Estados Unidos e é usada em conjunto com um aplicativo que transforma as medições em informações sobre sono, atividade e outros aspectos de saúde e bem-estar. A escala cresceu rapidamente. Nos 12 meses encerrados em junho, a empresa vendeu 3,6 milhões de anéis. No mesmo mês, sua base chegava a 5 milhões de assinantes pagos, o dobro dos 2,5 milhões registrados um ano antes. O negócio não termina na venda do anel O hardware ainda responde pela maior parte do faturamento, mas as assinaturas são a frente que mais cresce. Nos nove meses encerrados em junho, a venda dos anéis gerou US$ 974 milhões, ou 80% da receita, enquanto as assinaturas renderam US$ 240,5 milhões, o equivalente a 20%. A receita recorrente avançou 121% em um ano, mais rapidamente que os 65% registrados pelo hardware. A Oura introduziu sua oferta de assinatura em 2021 e afirma que mais de 94% das ativações de anéis historicamente se convertem em assinantes pagos. A taxa média ponderada de retenção após 12 meses estava em cerca de 85% em junho, segundo o prospecto. A própria companhia diz buscar recuperar o custo de aquisição do cliente com a venda do hardware e ampliar o valor gerado ao longo do relacionamento por meio da assinatura. A receita anual passou de US$ 406,8 milhões no ano fiscal de 2024 para US$ 907,9 milhões em 2025, mais que dobrando em um ano. Nos nove meses seguintes, já havia ultrapassado US$ 1,2 bilhão. Quase 42 bilhões de horas de dados Além das vendas e assinaturas, a Oura afirma ter acumulado, desde sua fundação, quase 42 bilhões de horas de dados biométricos, incluindo frequência cardíaca, respiração, temperatura corporal, estágios do sono, ciclos menstruais e atividade física. Segundo a companhia, essas informações são usadas no desenvolvimento de algoritmos e modelos próprios de inteligência artificial. A empresa diz que seus modelos de saúde são treinados com dados biométricos coletados ao longo de mais de uma década, em vez de principalmente com textos, como ocorre nos grandes modelos de linguagem de uso geral. A Oura também afirma que seu sistema pode incorporar dados de fontes externas, como exames de sangue, monitores contínuos de glicose e prontuários eletrônicos, enquanto desenvolve ferramentas de IA para produzir recomendações personalizadas. O crescimento, porém, não eliminou os riscos. No prospecto, a companhia diz que só recentemente alcançou lucratividade e alerta para a dependência das vendas dos anéis e das assinaturas. Registrou lucro líquido de apenas US$ 12 mil no ano fiscal de 2025, antes de chegar aos US$ 60,8 milhões nos nove meses encerrados em junho de 2026. A empresa também relata problemas de bateria e outros defeitos registrados em produtos anteriores, que elevaram substituições e custos de garantia. O Ring 5, lançado em junho, teve apenas cerca de um mês de vendas incluído nos resultados apresentados no prospecto. Mais Lidas
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Como anel que monitora sono e saúde faturou US$ 1,2 bilhão em nove meses
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