Como alternativa ao fim da escala 6x1, Flávio defende

Como alternativa ao fim da escala 6x1, Flávio defende 'liberdade do trabalhador escolher a escala de trabalho'

Fonte: Bandeira da fonte

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, disse ser contra a proposta de acabar com a escala 6x1 e defende a "liberdade do trabalhador escolher a escala de trabalho", de forma negociada com os empregadores.
Segundo ele, caso seja eleito, vai atuar para que os trabalhadores possam definir a forma de trabalhar com uma "proposta alternativa" à apresentada pelo governo.
Ele ressaltou que os direitos trabalhistas assegurados na Constituição serão mantidos, de acordo com o escopo desta proposta.
Uma proposta de emenda constitucional (PEC) prevê redução progressiva da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, e dois dias de repouso remunerado.
Em entrevista ao programa "Domingo Espetacular", da TV Record, Flávio não disse como votaria no Senado caso o tema venha ao plenário em setembro – ele é senador pelo Rio.
"Você vai montar sua escala de trabalho", disse Flávio.
O candidato afirmou também que o ajuste fiscal é uma ação "fundamental" e que pretende estabelecer uma "governança digital" com uso de inteligência artificial para controle dos gastos públicos, com entrada em operação em um período de seis meses a um ano.
O sistema vai controlar desde as contas de água às emendas parlamentares, passando por "grandes licitações" e nomeações do governo.
Flávio disse ainda que apresentará no primeiro dia de governo, se eleito, "mais de mil atos normativos" que estão em preparação pela equipe responsável pela área econômica da campanha, para equilibrar as contas públicas.
Disse também que vai promover "tesouraço" na burocracia e nos impostos.
Organizações terroristas
O candidato do PL afirmou ainda que, se for eleito, declarará organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), e as milícias, como organizações terroristas.
Ele negou que haverá interferência dos Estados Unidos no combate ao crime organizado.
Em maio, Flávio comemorou decisão do governo americano de classificar PCC e CV como organizações terroristas, o que gerou reações no Brasil.
Em entrevista ao programa "Domingo Espetacular", da TV Record, Flávio disse que caso vença as eleições, haverá acordos de cooperação com os Estados Unidos voltados para a inteligência, recursos humanos e troca de informações.
Afirmou também que pretende integrar o país a uma iniciativa multinacional denominada "Escudo das Américas", lançada pelo presidente Donald Trump em março.
"É onde países da América Latina, da América Central e da América do Norte se unem para combater o narcotráfico, o tráfico internacional de drogas e de armas e asfixiar financeiramente essas organizações de narcotrroristas", disse Flávio.
Doutrinação nas escolas
Flávio disse também que o sistema educacional no país realiza "doutrinação", ao afirmar que não quer as duas filhas dele sendo "ensinadas para uma ideologia de esquerdas ou para baixarias", como acontece, segundo o candidato, "em algumas escolas públicas do Brasil.
O candidato disse que pretende fazer com que as escolas tenham a grade curricular ajustada para oferecer disciplinas como matemática financeira e empreendedorismo.
Flávio afirmou ainda que escolas ensinam mulheres transexuais a frequentarem banheiros femininos.
"Eu não quero a minha filha, no colégio dela ou no shopping, que ela esteja no banheiro feminino e daqui a pouco entra uma pessoa que se sente mulher junto com a minha filha no banheiro.
Isso é ensinado dentro de sala de aula", disse.
Flávio prossegue: "A gente tem que encarar, sim, de frente porque quem tem que ter autonomia sobre seus filhos.
Educação se aprende em casa; no colégio essa geração tem que ir para aprender e se preparar para a vida, não para ser manipulada, doutrinada como infelizmente acontece."
Filme sobre Bolsonaro
Flávio também voltou a dizer neste domingo que não há nada de errado na captação de recursos para o filme "Dark Horse", sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ele afirmou que a busca de patrocínio teve início em 2025, quando o pai do candidato já não estava mais no cargo e não houve uso de dinheiro público, como uso da Lei Rouanet, no financiamento da obra.

"De forma definitiva, não há nada de errado em um filho buscar financiamento privado, que não tem dinheiro público.
A obra está pronta", afirmou, acrescentando que "perícias" atestaram regularidade da captação de recursos.

A cinebiografia de Jair Bolsonaro está sob investigações sobre irregularidades nos repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master para a produção da obra.

Reportagem do site “The Intercept Brasil” revelou que Vorcaro repassou ao menos R$ 61 milhões para financiar o filme, mas posteriormente descobriu-se que a negociação envolvia um valor maior, de R$ 134 milhões.

Questionado sobre a relação entre ele e Vorcaro, Flávio disse que quem deve explicações é o atual governo.
Flávio disse que Lula fez uma reunião na qual prometeu a representantes do Banco Master que aguardassem um tempo porque haveria a sucessão no comando do Banco Central – naquela época, o presidente da instituição era Roberto Campos Neto, que seria substituído por Gabriel Galípolo.

"A gente não sabe até hoje se ele é o patrocinador, o conselheiro ou um sócio do Banco Master", disse Flávio.

O candidato prossegue: "Com relação ao governo Lula, com o Jacques Wagner, o Rui Costa, o Guido Mantega, com o Levandowski, toda aquela galera que cerca o núcleo do Lula, incluindo o seu filho [Fábio Luís da Silva], todos ali tem muito a explicar.

Anistia e participação do pai no governo

Flávio disse ainda que a participação do pai dele no eventual governo vai ser "a que ele quiser" e que ele será o conselheiro dele caso seja eleito.

Disse também que vai trabalhar, junto ao Congresso, pela anistia de Jair Bolsonaro e dos presos pela trama golpista de 8 de janeiro.

O candidato do PL a dizer que Bolsonaro foi julgado "por seus inimigos", como os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que dessa forma vai buscar a anistia ou o indulto ao pai e aos demais presos.

"Vou trabalhar sim, logo após ser anunciado presidente, no Congresso para que aconteça a anistia e caso não dê tempo de acontecer, vamos indultar sim, essas pessoas", disse.

Flávio destacou que o próximo presidente terá possibilidade de indicar quatro nomes para o STF e que, caso seja eleito vai apontar nomes de homens e mulheres "comprometidos contra o aborto e as drogas" e "que tragam de volta a segurança jurídica".