Como a geração Z está repensando o envelhecer

 

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Durante muito tempo, envelhecer foi tratado como uma etapa futura, associada à prevenção tardia e ao surgimento de doenças. Entre jovens adultos, porém, essa lógica começa a mudar. A geração Z passa a olhar para o envelhecimento como um processo contínuo, construído no presente, a partir de escolhas cotidianas.

Sono regulado, atividade física possível e atenção à saúde mental entram no centro da conversa, deslocando o foco para a manutenção da autonomia e da qualidade de vida com o passar dos anos.

— Longevidade deixa de significar apenas viver mais ou evitar doenças e passa a ser entendida como manter funcionalidade, autonomia e propósito ao longo da vida — afirma Thais Jorge, diretora da Bradesco Saúde.

Ainda que essa mudança de percepção avance, o engajamento com o tema entre os mais jovens segue menor.

Thais Jorge, diretora da Bradesco Saúde

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Longevidade deixa de significar apenas viver mais ou evitar doenças e passa a ser entendida como manter funcionalidade, autonomia e propósito ao longo da vida”

Hábitos e longevidade

Dados do Indicador de Longevidade Pessoal (ILP), do Grupo Bradesco Seguros, mostram que brasileiros entre 18 e 29 anos são os que menos associam suas atitudes cotidianas à construção de uma vida longa e saudável.

— Entre os respondentes de 18 a 29 anos, 28% afir¬mam considerar apenas às vezes — ou nunca — o impacto de suas decisões na própria longevidade, e 52% acreditam que suas ações ligadas à saúde física contribuem pouco ou nada para envelhecer bem — diz a executiva.

No consultório, a mudança já começa a aparecer. Para o psicólogo Giovani de Oliveira, o acesso ampliado à informação transformou a relação dos jovens com o tempo e com o próprio corpo.

— Existe uma mudança importante de perspectiva: eu não vou envelhecer um dia, eu estou envelhecendo. Isso faz com que o cuidado deixe de ser reativo e passe a fazer parte do presente — explica.

Novo modelo de cuidado

A transformação pressiona a reorganização do cuidado.

— Os sistemas de saúde precisam sair de um modelo episódico e passar a acompanhar trajetórias de forma contínua. Há evidências robustas de que hábitos adotados ainda na juven-tude impactam diretamente o risco, a funcionalidade e a autonomia ao longo da vida — afirma Thais.

A lógica de acompanhamento contínuo já orienta iniciativas da Bradesco Saúde, com programas de prevenção que incluem suporte nutricional, atenção à parte emocional e gestão de doenças crônicas.

— Há ainda um desafio de converter essa valorização da vida saudável na adoção efetiva de hábitos de forma mais massificada — pontua Thais.

A maior consciência traz também uma nova camada de complexidade: o cuidado deixa de ser apenas prática individual e passa a ocupar um lugar simbólico.

— Existe uma geração mais consciente, mas também atravessada pela ideia de performance. O risco é transformar as atividades em algo que precisa ser constante e perfeito, quando, na verdade, precisa ser sustentável — aponta o psicólogo.

Giovani de Oliveira, psicólogo

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Cuidar de si não precisa ser radical. Pequenas escolhas sustentadas ao longo do tempo têm muito mais impacto do que mudanças intensas e difíceis de manter”

Prevenção desde cedo

A prevenção precoce aparece como ponto de consenso.

— Muitos dos principais desfechos ao longo da vida começam a ser moldados antes dos 30 anos — destaca a executiva.

O período funciona como um ponto de alavanca para a construção de uma vida mais longa e saudável, com impacto direto na forma como o cuidado passa a ser estruturado.

— A transição para um acompanhamento contínuo representa uma mudança estrutural na forma como o cuidado é vivido — completa.

Modelos baseados na Atenção Primária à Saúde (APS) ganham relevância ao propor uma visão mais ampla e integrada do paciente ao longo do tempo.

Giovani observa, na clínica terapêutica, que o avanço tende a ser positivo quando se traduz em práticas possíveis e consistentes.

— Cuidar de si não precisa ser radical. Pequenas escolhas sustentadas ao longo do tempo têm muito mais impacto do que mudanças intensas e difíceis de manter — diz.

No horizonte, o conceito de envelhecimento se amplia.

— Deixa de ser um processo passivo e passa a ser uma trajetória constru¬ída ao longo da vida, com mais qualidade, autono¬mia e segurança — resume a executiva.

Para essa geração, envelhecer não é mais um ponto de chegada distante. Passa a orientar decisões no presente, com impacto direto sobre a forma de viver, trabalhar e olhar para si ao longo do tempo.

Longevidade começa cedo

Envelhecimento começa agora: jovens passam a ver a longevidade como algo construído no presente.

Hábitos contam: sono, atividade física e saúde mental ganham espaço na rotina.

Baixa associação: 28% dizem considerar apenas às vezes — ou nunca — o impacto de suas decisões na longevidade.

Percepção sobre saúde: 52% acreditam que suas ações físicas contribuem pouco ou nada para envelhecer bem.

Antes dos 30: muitos desfechos de saúde começam a ser moldados nessa fase.