Como a Força Aérea dos EUA tem transformado aeroporto em Israel em sua própria base
Aeronaves de reabastecimento da Força Aérea dos Estados Unidos estão estacionadas no Aeroporto Internacional Ben-Gurion há três meses. Os aviões americanos têm ocupado posições de estacionamento, utilizado slots de pouso e decolagem e agravado a congestionada situação da principal porta de entrada aérea de Israel desde o início da guerra com o Irã, no fim de fevereiro, segundo o jornal israelense Haaretz.
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De acordo com fontes ouvidas pelo veículo, cerca de 75 aeronaves americanas estão estacionadas no local e ocupam, em sua maior parte, 59 das 99 posições de estacionamento disponíveis em Ben-Gurion. Soma-se a isso a incursão militar de Israel no Líbano, iniciada em março e que também afeta a movimentação de aeronaves, e surge a preocupação crescente de que em breve não haverá espaço para incorporar mais voos civis.
A Autoridade Aeroportuária de Israel calcula perdas acumuladas de aproximadamente 700 milhões de shekels, o equivalente a R$ 965 milhões. Caso as aeronaves permaneçam no aeroporto até o fim do ano, a estimativa é que o prejuízo alcance 2 bilhões de shekels.
As restrições impostas pela ocupação militar também levaram à limitação do fluxo diário de passageiros. Atualmente, o aeroporto pode receber até 70 mil embarques e desembarques por dia. Na segunda-feira, cerca de 61,6 mil passageiros passaram pelo terminal. A título de comparação, em anos anteriores, durante o período de verão do Hemisfério Norte, o movimento diário costumava variar entre 80 mil e 100 mil viajantes.
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Diante desse cenário, a Autoridade Aeroportuária revisou duas vezes sua projeção de movimentação para 2026. A meta inicial de 22 milhões de passageiros foi reduzida para 15 milhões, e novos cortes não estão descartados. Nesta semana, o diretor-executivo do órgão, Sharon Kedmi, alertou que a redução da capacidade poderá resultar no cancelamento de cerca de 1,5 milhão de viagens durante o verão.
Além da diminuição do número de voos disponíveis, passageiros têm relatado atrasos frequentes. Nas redes sociais, multiplicam-se os relatos de longas esperas em aeroportos estrangeiros para embarques com destino a Israel. Segundo Kedmi, a situação já impede qualquer ampliação da malha aérea.
— É impossível aumentar o número de voos, impossível programar novos voos, e há atrasos — afirmou ao jornal TheMarker. — Espero que neste verão não tenhamos que recorrer ao cancelamento de voos.
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Até o momento, o governo israelense não encontrou uma alternativa para realocar as aeronaves americanas. Cerca de 20 delas também estão estacionadas no Aeroporto Ramon, no sul do país. A possibilidade de transferi-las para bases militares chegou a ser analisada, mas, segundo autoridades, não havia espaço disponível para acomodá-las.
Prejuízos da guerra
Enquanto uma solução definitiva não é encontrada, companhias aéreas israelenses passaram a estacionar parte de suas frotas em aeroportos da Europa. A medida tem gerado custos adicionais para as empresas, que serão compensados pelo governo, segundo a ministra dos Transportes, Miri Regev. A companhia Israir informou na segunda-feira que espera receber entre US$ 5 milhões e US$ 8 milhões em indenizações relacionadas aos prejuízos causados pela guerra, incluindo despesas com estacionamento no exterior.
Mesmo essa alternativa, porém, enfrenta limitações. Com a chegada do verão europeu, os aeroportos do continente operam mais próximos da capacidade máxima, o que reduz a disponibilidade de espaço para aeronaves estrangeiras. Autoridades do setor alertam que parte dos aviões israelenses poderá ser obrigada a deixar esses aeroportos sem que haja outro local disponível para recebê-los.
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A redução da atividade aérea também é visível no número de companhias que mantêm operações regulares em Israel. Atualmente, cerca de 30 empresas israelenses e estrangeiras utilizam o Aeroporto Ben-Gurion. Antes do ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 e dos conflitos que se seguiram, mais de 100 companhias operavam no país.
Mesmo entre as empresas que retomaram recentemente seus voos para Israel, a operação ainda ocorre em escala reduzida. É o caso da LOT, da Polônia, e da Wizz Air, da Hungria. Na terça-feira, a Austrian Airlines voltou a operar rotas para Israel, enquanto as demais companhias do Grupo Lufthansa devem retornar gradualmente até julho.
Já as empresas que ligam Israel à América do Norte mantêm cronogramas mais conservadores. Delta, United e Air Canada planejam retomar suas operações apenas em setembro de 2026. A American Airlines, por sua vez, adiou seu retorno para janeiro de 2027.
Enquanto isso, autoridades e companhias aéreas acompanham com preocupação a aproximação da alta temporada. Caso a situação não melhore, a oferta limitada de voos diante da elevada demanda deverá provocar uma nova alta nos preços das passagens.
