Letícia Paiola quer tornar a Bananinha Paraibuna a mais vendida do país
Ana Paula Paiva/Valor
A Bananinha Paraibuna faturou R$ 46 milhões em 2025, registrando um crescimento de 156% nos últimos cinco anos.
O resultado tem raiz em estratégias como a modernização das embalagens, a adoção do comércio eletrônico e o reforço do posicionamento em produtos com rótulo limpo.
Quem está por trás da transformação é Letícia Paiola, neta do fundador e atual diretora de marketing da empresa.
Ela participou do primeiro episódio da segunda temporada do podcast “Como eu Cresci”, uma parceria da CBN com o Valor e com Pequenas Empresas & Grandes Negócios, que está disponível no site da CBN e em todos os tocadores de podcast.
As conversas são conduzidas por Leandro Gouveia, repórter e apresentador da CBN, e Mariana Iwakura, editora-chefe de PEGN.
O programa faz parte da iniciativa “Média é Mais”, sobre empresas de médio porte.
Célio Geraldo da Silva começou o negócio em 1975, em Paraibuna, no interior de São Paulo.
Alfaiate, ele viu a profissão declinar e resolveu mudar de ofício.
“Nos anos 1970, o aumento das lojas de departamento mudou a forma como as pessoas compravam roupas”, conta Paiola.
A família, que tinha nas peças elaboradas pelo patriarca seu principal sustento, foi impactada financeiramente.
Como a mudança, Célio passou a fabricar doces de frutas, como figo, laranja, goiaba e banana.
Os quitutes chegaram à rodovia dos Tamoios, que conecta São José dos Campos a Caraguatatuba, no Litoral Norte.
Os restaurantes dessa estrada foram os primeiros grandes clientes.
A empresa se especializou nos doces de banana, com e sem açúcar.
Mas o negócio enfrentou dificuldades.
Paiola cita a enchente em 2001, que alagou a fábrica e ocasionou perda de estoque e maquinário.
“A cidade de Paraibuna sofreu.
Parte da cidade morreu e renasceu depois dessa enchente.
E a Bananinha também”, diz.
Mesmo com os desafios, a família persistiu.
A sede da empresa, que antes também servia como moradia, hoje é uma fábrica de 4 mil metros quadrados, que processa 15 toneladas de fruta in natura por dia.
Paiola entrou na companhia em 2016.
Formada em publicidade e propaganda, ela foi convidada pelo pai a analisar documentos do marketing da empresa e aceitou sem imaginar que aquele seria seu novo trabalho.
Ao assumir a posição, identificou que os distribuidores eram a principal fonte de receita.
Para expandir, investiu na venda online e no contato direto com varejistas.
Também passou a explorar a memória da empresa.
“A história do avô Célio é muito bonita e se mescla com a da Bananinha”, conta Paiola sobre o fundador, morto em 2007.
“Temos uma receita que nunca foi mudada e que até hoje não leva conservantes.”
Há 50 anos, o doce de banana é produzido da mesma maneira.
Depois de maturadas dentro da própria fábrica, as bananas são descascadas manualmente; as frutas são, então, transformadas em doces, cortados e embalados.
Para ajudar a contar essa história, uma das apostas foi reformular as embalagens, sem descaracterizar.
A transformação focou no ponto de venda, reforçando que se trata de um quitute totalmente natural.
O carro-chefe são as bananinhas sem açúcar, criadas pelo fundador para conhecidos com diabetes.
O produto - presente em maratonas e outros eventos esportivos - representa 60% das vendas e tem ganhado espaço com a alta da preocupação com saúde e bem-estar.
Atualmente, o portfólio tem produtos como bananinhas com chocolate e com castanhas, e o doce em pequenos pedaços, com licenciamento da Turma da Mônica.
Desde 2019, o mix também inclui paçocas.
A estratégia de longo prazo é responder rapidamente às mudanças de mercado em busca de resultados positivos.
“Para ser a bananinha mais vendida do Brasil, a mais reconhecida, eu não tenho que ter medo de inovação”, diz.
“A era das canetas emagrecedoras está mudando completamente o comportamento de consumo no país e no mundo, assim como a inteligência artificial.
Precisamos estar ligados o tempo todo e materializar essas transformações.
Para mim, a melhor forma de fazer isso é por meio de novos produtos".
Como a Bananinha Paraibuna cresceu 156% em cinco anos
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