A comissão eleitoral de Israel afirmou nesta quarta-feira que não encontrou irregularidades nas votações da semana passada, rejeitando as acusações de fraudes feitas repetidamente pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Após o acesso aos resultados da auditoria, o presidente israelense, Isaac Herzog, condenou o que classificou como declarações racistas direcionadas à população árabe do país durante a campanha eleitoral.
Herzog será o responsável por chamar os partidos a formar um governo, considerando quem tem mais chances de formar uma coalizão. Americanos vão às urnas: Acompanhe em tempo real os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA
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— A auditoria foi concluída. Todas as queixas apresentadas por facções políticas foram analisadas e não foram encontradas irregularidades que comprometessem a integridade da eleição — afirmou um comunicado do Comitê Central de Eleições.
O presidente Herzog logo se pronunciou e afirmou ter respeito pelos árabe-israelenses: — Tenho grande respeito pela sociedade árabe em Israel.
Valorizo sua contribuição para o país em todas as áreas da vida e seu desejo de integração. Isso é algo a ser bem-vindo.
Condeno a grosseria e as expressões racistas que ouvimos recentemente — disse Herzog ao receber os resultados oficiais das eleições. Se o primeiro indicado pelo presidente falhar como próximo líder do governo, Herzog pode dar a outro parlamentar mais 28 dias, sem prorrogação.
Se esse também falhar, a maioria do Knesset pode pedir que um terceiro nome tenha 14 dias. Quem conseguir formar a coalizão precisa ainda da aprovação do Parlamento num voto de confiança.
Em 2021, Netanyahu foi indicado por 52 parlamentares, Yair Lapid por 45 e Naftali Bennett por sete, e Herzog deu a primeira chance a Netanyahu. Ele fracassou, e Bennett acabou primeiro-ministro graças a um acordo de rodízio com Lapid.
Denúncias de irregularidade As alegações de fraude tiveram mais destaque entre Netanyahu e seu grupo governista, apoiado na extrema direita, depois que o presidente da Comissão Central Eleitoral requisitar ao Shin Bet — serviço de interligência interna do país — abriu uma investigação sobre uma possível influência estrangeira no pleito, marcado por uma participação recorde do eleitorado árabe-israelense.
A oposição liderada pelo ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, denunciou a narrativa do premier como uma manobra para impedir a nomeação dos deputados eleitos, apesar de declarar que qualquer dúvida sobre interferência na votação deveria ser esclarecida. A revelação da carta do magistrado ao chefe da inteligência foi suficiente para provocar uma reação massiva das siglas governistas, que argumentaram que os indícios mencionados comprovavam que as eleições foram "roubadas".
Em uma publicação na rede social X, Netanyahu compartilhou uma carta assinada pelo seu partido, o Likud, que se refere ao suposto esquema como "Ra'amgate" — um acrônimo com o nome do partido árabe Ra'am (Lista Árabe Unida, em português) e o escândalo político de corrupção de Watergate —, afirmando que os fatos aos quais se referiu o juiz Sohlberg configuravam um "abalo sem precedentes".
Fontes ligadas à comissão eleitoral e ao setor de inteligência ouvidas pela imprensa israelense, também mencionadas pelo jornal Times of Israel, afirmam que a suspeita é de que o Catar estaria por trás de uma campanha de repasse de fundos ilegais para organizações árabes, a fim de estimular a ida dos árabes-israelenses às urnas.
A minoria, composta pelos palestinos que permaneceram em Israel após a fundação do moderno Estado judeu em 1948 — entre 700 mil e 800 mil fugiram ou foram expulsos — configura 20% da população do país.
O Globo