Comissão eleitoral envia denúncias contra Elon Musk por cheques dados a eleitores na campanha para o Judiciário

Comissão eleitoral envia denúncias contra Elon Musk por cheques dados a eleitores na campanha para o Judiciário

Fonte: Bandeira



A Comissão Eleitoral de Wisconsin, nos Estados Unidos, encaminhou duas denúncias contra o bilionário Elon Musk à Promotoria de Brown após concluir que há indícios suficientes de que ele violou a legislação estadual ao distribuir cheques de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões) a eleitores durante a eleição de 2025 para a Suprema Corte do estado, segundo a emissora americana ABC.

A atuação de Musk ocorreu meses após ele investir milhões de dólares em campanhas alinhadas ao presidente Donald Trump e aos republicanos.

Na ocasião ele sorteou o mesmo valor para eleitores da Pensilvânia, ação que aconteceria diariamente, segundo ele.


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As denúncias deste segundo caso foram encaminhadas na semana passada após uma votação de 5 a 1 da comissão, formada por três democratas e três republicanos.

Agora, os promotores terão 40 dias para decidir se apresenta acusações criminais por suposta violação da lei estadual que proíbe o suborno eleitoral.

Segundo a comissão, há indícios de que Musk publicou em uma rede social uma oferta de US$ 1 milhão para pessoas que votassem na eleição da Suprema Corte estadual, "com o objetivo de induzi-las a votar".

As denúncias são sigilosas, conforme prevê a legislação de Wisconsin.

Três eleitores teriam recebido os cheques do empresário, incluindo dois que foram premiados pessoalmente durante um comício realizado por Musk em Green Bay poucos dias antes da votação.

Semanas antes da eleição, o comitê de ação política do bilionário, o America PAC, também havia oferecido US$ 100 a eleitores que assinassem uma petição contra o que chamou de "juízes ativistas" ou convencessem outras pessoas a assiná-la.

Elon Musk, dono da Spacex, dá cheque de US$ 1 milhão a vencedora de concurso voltado a eleitores em estados-chave nos EUA

Michael Swensen/Getty Images/AFP

Musk participou ativamente da disputa pela composição da Suprema Corte de Wisconsin.

Ele e grupos financiados por ele investiram pelo menos US$ 20 milhões na campanha de Brad Schimel, candidato apoiado pelo Partido Republicano.

Apesar do aporte financeiro, Schimel foi derrotado pela democrata Susan Crawford por uma diferença de cerca de 10 pontos percentuais.

Os gastos de Musk na disputa também motivaram uma ação civil movida pela organização Wisconsin Democracy Campaign, grupo de fiscalização governamental, que busca impedir o empresário de voltar a oferecer pagamentos em dinheiro a eleitores no estado.

A entidade sustenta que Musk e grupos ligados a ele violaram as proibições contra compra de votos e loterias não autorizadas.

Antes da eleição, o procurador-geral de Wisconsin tentou impedir judicialmente a entrega dos cheques, mas os tribunais estaduais rejeitaram o pedido.

Na defesa apresentada à Justiça em 2025, os advogados de Musk argumentaram que a distribuição do dinheiro estava protegida pela liberdade de expressão prevista nas Constituições dos Estados Unidos e de Wisconsin.

Segundo eles, os pagamentos tinham como objetivo incentivar um movimento contra "juízes ativistas", e não promover ou atacar diretamente qualquer candidato.