'Comida periférica é expressão do povo': chef apresentará buffet do Alemão na Favela Gastronômica

 

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Vanessa Santos aprendeu a cozinhar por necessidade, amor e sobrevivência. Criada no Complexo do Alemão, ela vai estar entre os 25 chefs que transformarão a Praça de Inhaúma, na Zona Norte, em um grande encontro de cultura e culinária periférica nos dias 11 e 12 de abril, na 3ª edição do Favela Gastronômica.

Festival Favela Gastronômica chega à 3ª edição com sabores das periferias

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A história de Vanessa com a gastronomia começa aos 16 anos, quando foi trabalhar com uma vizinha que havia aberto um restaurante em Copacabana, na Zona Sul. Ali, o que era básico foi se tornando técnica.

— A principal referência foi minha mãe, Deise. Antes de partir, ela me ensinou o básico para eu sobreviver com minha irmã. Depois, a dona Elza me chamou para trabalhar com ela e aprendi cozinha, forno e fogão — conta.

Em 2008, Vanessa deu o primeiro passo como empreendedora: começou a vender empadas. Trabalhava fora, vendia na feira aos domingos, estudava e aperfeiçoava salgados e doces. Junto com uma amiga, abriu o Viva Buffet, sediado na Avenida Itaoca, no próprio Complexo do Alemão. O negócio funciona por encomendas e eventos — e foi por ele que chegou ao Favela Gastronômica.

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Segundo ela, empreender na periferia envolve planejamento e estratégia. Entre custos de insumos, logística e o poder de compra dos clientes, é preciso encontrar um ponto de equilíbrio para manter o negócio funcionando com preço justo sem abrir mão do padrão oferecido.

— Apesar do preço pesa muito na decisão, procuro sempre apresentar qualidade ao cliente. Você não pode cobrar caro demais, mas também não pode prejudicar os rendimentos. Tem que colocar na balança — explica.


Para Vanessa, participar de um evento como o Favela Gastronômica representa um marco que vai além da visibilidade individual. A presença de chefs das periferias em um espaço de grande circulação sinaliza uma mudança no reconhecimento desses profissionais, historicamente à margem dos grandes circuitos da gastronomia.

— A comida periférica é a expressão do povo, onde sabores simples se transformam em experiências marcantes através da criatividade e da necessidade. Ver chefs periféricos num evento desse tamanho é muito mais do que representatividade. É reconhecimento. Nós sempre estivemos aqui, sempre cozinhamos bem, sempre empreendemos. Só faltava oportunidade e visibilidade — afirma.

Serviço

Evento: Festival Favela Gastronômica

Data: 11 e 12 de abril (sábado e domingo)

Local: Praça de Inhaúma — Zona Norte, Rio de Janeiro

Horário: 11h às 21h

Entrada: gratuita

Preços dos pratos: R$ 15 a R$ 25