Com Textor afastado do Botafogo, sócios já negociam com novo comprador; saiba bastidores
Com John Textor afastado do Botafogo pelo Tribunal Arbitral da FGV, a Eagle Football Holdings, sócia majoritária da SAF, já negocia com um novo comprador, soube o blog. O pedido de afastamento, inclusive, foi feito com um acordo em andamento com um investidor para substituir Textor.
A GDA Luma é um dos investidores interessados e bem vistos pela Ares Management, fundo que emprestou dinheiro à Eagle para a compra dos clubes da rede, e pelo clube associativo do Botafogo. Devido às dívidas do Botafogo, a Ares nomeou a consultora inglesa Cork Gully como nova administradora da Eagle, e a SAF foi colocada à venda.
O clube associativo mantinha conversas com a Ares e com a Cork Gully para assumir o controle interino até encontrar um novo comprador definitivo. As partes também conversam para nomear um novo Conselho de Administração da SAF.
A Ares sinalizou com um acordo de € 50 milhões (20 milhões imediatos + 30 milhões condicionados) com o Botafogo social para assumir o controle, para estabilizar o clube enquanto procura novos investidores. O associativo se via como elo mais fraco diante da briga de sócios da Eagle. Agora, estuda a melhor movimentação se Textor for mantido fora do poder ou voltar ao comando.
O que aconteceu?
O Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas decidiu afastar John Textor do comando da SAF do Botafogo nesta quinta-feira a pedido da Eagle Bidco, sócia majoritária da empresa.
Com isso, a Assembleia Geral Extraordinária, que aconteceria no dia 27 de abril para poder definir os rumos da SAF, foi cancelada. O Tribunal Arbitral acompanhou a primeira tentativa de AGE, dia 21.
A decisão só poderá ser revista no dia 29, após pronunciamento das partes. No sábado passado, a Eagle notificou o Tribunal Arbitral mais uma vez pedindo a saída de Textor. O clube social concordou.
Em seguida, com iminência de uma decisão do Tribunal Arbitral, a SAF deu entrada em um pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio, que deu decisão parcialmente favorável.
Fontes da Eagle indicaram ao GLOBO que o pedido à revelia do desejo dos acionistas violou a jurisdição do Tribunal Arbitral, que se movimentou em seguida parar tirar Textor.
O órgão da Fundação Getúlio Vargas é independente e fez Textor não esperar a decisão que permitiria seu afastamento: o americano voltou ao Tribunal de Justiça do Rio para se segurar no poder.
Na decisão, o Tribunal Arbitral explica que a partir do que foi passado por Eagle e clube social, "conclui que as medidas adotadas pela SAF Botafogo sob administração do Sr. John Charles Textor têm o potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de torcedores do Botafogo", segundo a decisão desta quarta-feira.
No despacho, os juízes citam que as medidas até agora "não foram suficientes para conter novas decisões da SAF, ora tomadas exclusivamente pelo Sr. John Textor, e novas medidas se impõem para que não atue ao arrepio da prévia consulta e deliberação dos acionistas.'
"Nesses termos, o Tribunal Arbitral, a título meramente conservatório, DETERMINA o afastamento automático e imediato do Sr. John Charles Textor da administração da SAF Botafogo, o que será objeto de reanálise após a apresentação da manifestação da Companhia prevista para 29/04/2026. Nessa linha, o Tribunal Arbitral também DETERMINA o cancelamento da AGE, designada por segunda convocação para 27/04/2026, até ulterior convocação pela nova gestão da Companhia".
Procurada, a SAF do Botafogo não se manifestou.
O Tribunal Arbitral da FGV é um meio privado e confidencial de resolução de conflitos, escolhido pelas partes para decidir a disputa societária entre John Textor e investidores/credores na SAF do Botafogo. Decisões deste tribunal são definitivas, com força de sentença judicial.
