A recusa do senador Rodrigo Pacheco (PSB) em concorrer ao governo de Minas Gerais gerou um problema para o Partido dos Trabalhadores (PT) que, às vésperas de junho, ainda não tem palanque em um dos estados considerados mais importantes para a disputa à reeleição de Lula (PT) na presidência da República. Para tentar resolver o imbróglio, neste sábado (30) o presidente do PT, Edinho Silva, irá até Minas Gerais para conversar com outros possíveis pré-candidatos.
– Eu vou fechar o ciclo da política, é algo que eu já havia programado há bastante tempo. Quando entrei na política eu dizia sempre que a gente tem uma data de entrada e uma data de saída, que não me eternizaria na política. Tenho muito desapego ao poder e felizmente não preciso da política para sobreviver. Eu tinha decidido que ia sair desse ciclo, ao sair da presidência do Senado essa decisão estava muito bem refletida e estou mantendo essa decisão – disse Pacheco nesta sexta (29), durante evento do Lide, em São Paulo.
Lula era entusiasta da candidatura de Pacheco, que já havia comunicado, há ao menos duas semanas, que não iria concorrer ao governo de Minas e queria se afastar da vida política. Nesta sexta (29), Pacheco falou pela primeira vez em público sobre o tema e confirmou, oficialmente, que não irá disputar novos cargos eletivos. Agora, o PT busca viabilizar um plano B, que pode ser apoiar um candidato do PSB ou do PDT — ou até mesmo do MDB.
Edinho terá conversas com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) neste sábado, e também com o empresário Josué Gomes (PSB), ambos cotados para disputar o governo. Mas um apoio a Gabriel Azevedo (MDB) também não está descartado, e o presidente do PT afirmou, nesta sexta, que se ele quiser conversar, o partido está aberto.
— Vou me encontrar com o Kalil em Belo Horizonte, quero conversar com ele, quero saber o que ele está pensando, quero saber da sua leitura política de Minas. Nós estamos querendo conversar com o MDB em todos os estados do Brasil, o MDB é um grande partido nacional, então se o Gabriel quiser dialogar conosco, nós vamos dialogar. Mas nosso palanque vai ser muito forte em Minas, são muitas lideranças com representatividade para que a gente possa, por meio do diálogo, fazer com que a gente tenha uma chapa forte em Minas Gerais — falou.
No início desta semana, Edinho se reuniu com lideranças do PT mineiro para chegar a um consenso. Uma ala do partido defende que seja lançado um candidato próprio, enquanto a direção nacional se encaminha para apoiar o nome de outra legenda em prol de uma composição mais ampla.
Para o Senado, Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem, é hoje tido como um dos nomes mais consolidados, mas o cenário ainda é de indefinição. Marília e Azevedo se reuniram na última terça-feira, e o nome dele vem ganhando força como uma possível alternativa numa chapa apoiada por Lula. Nas pesquisas de intenção de voto mais recentes, o senador Cleitinho (Republicanos) tem liderado as simulações de primeiro e segundo turno, enquanto Kalil aparece em segundo. Entretanto, tanto o PDT quanto o próprio PT de Minas resistem a uma aliança com o ex-prefeito.
Edinho disse que "ninguém ganha eleição sozinho" e que irá conversar tanto com os líderes do PT mineiro quanto com outras siglas para tentar chegar a um acordo.
— Estou indo para Minas amanhã e terei agenda com a direção do PT local e também vamos ouvir os partidos aliados, porque ninguém ganha eleição sozinho, a gente ganha eleição quando a gente constrói alianças. A Marília é candidata hoje ao Senado, essa é a nossa tática eleitoral. Qualquer mudança de tática eleitoral, nós vamos ouvir o PT de Minas Gerais e ouvir os partidos aliados. Nós queremos construir uma ampla aliança em Minas Gerais, não só para que a gente ganhe, mas também para que o presidente Lula tenha um palanque robusto em Minas Gerais — acrescentou.
