Com recorde de desfechos antecipados, estados com 2º turno têm embate local à sombra da polarização entre Lula e Flávio

Com recorde de desfechos antecipados, estados com 2º turno têm embate local à sombra da polarização entre Lula e Flávio - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins são os únicos estados em que a eleição para governador ficou para ser decidida no segundo turno, em 25 de outubro. Nas seis disputas, a polarização nacional entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparece com intensidades diferentes: há candidatos que transformaram o alinhamento com os presidenciáveis no eixo central da campanha, enquanto outros procuram preservar alianças locais e evitar que o confronto nacional se sobreponha às questões estaduais.

Leia: Lula escreve carta a evangélicos com defesa da família, fim das bets e da escala 6x1 Fim da escala 6x1: Senado tem número necessário de assinaturas para calendário especial e acelerar votação

Com disputas apertadas no Rio Grande do Norte e no Tocantins, e candidatos que ficaram perto de vencer na primeira votação no Acre, no Distrito Federal e no Espírito Santo, a capacidade de ampliar coalizões e conquistar eleitores de adversários eliminados pode ser decisiva para definir os próximos governadores.

Acre: adversários disputam a primazia bolsonarista A governadora Mailza Assis (PP) terminou o primeiro turno à frente, com 49,76% dos votos válidos, contra 32,27% do senador Alan Rick (Republicanos).

Mailza assumiu o cargo em abril, após a saída de Gladson Cameli (PP), e tenta conquistar seu primeiro mandato direto. Ela venceu em 19 dos 22 municípios, incluindo Rio Branco, maior colégio eleitoral do estado.

Os dois candidatos disputam o eleitorado à direita e buscam associar suas campanhas a Flávio Bolsonaro. O senador declarou apoio a Alan, enquanto Mailza também reafirmou seu alinhamento com o presidenciável.

A governadora ainda procura preservar espaço entre eleitores de Lula, a quem declarou respeito durante o primeiro turno. Nem Lula nem Flávio visitaram o Acre durante a campanha oficial da primeira etapa.

A disputa é resumida à tentativa de Mailza de capitalizar a continuidade da gestão com a estratégia de Alan de se apresentar como alternativa ao grupo governista. As articulações já produziram mudanças de lado: Vanda Milani, que apoiou Alan no primeiro turno e recebeu 9.416 votos na disputa para deputada federal, anunciou apoio à governadora em 12 de outubro.

Já o ex-governador Jorge Viana (PT) descartou apoiar qualquer um dos dois candidatos e afirmou que concentrará esforços na eleição presidencial. Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira mostrou Mailza com 49% das intenções de voto, contra 32% de Alan.

Amazonas: Omar Aziz e Maria do Carmo replicam a disputa nacional O senador Omar Aziz (PSD) liderou o primeiro turno com 40,63% dos votos válidos, contra 24,49% da empresária Maria do Carmo (PL).

Ex-governador, Aziz conta com uma aliança que reúne PSD, MDB, Republicanos e a federação PT-PCdoB-PV. Maria, que ganhou projeção na eleição municipal de Manaus em 2024, concorre pela primeira vez ao governo.

Roberto Cidade (União Brasil), com 21,91%, e David Almeida (Avante), com 10,54%, ficaram fora do segundo turno. A polarização nacional orienta as campanhas.

Aliado de Lula, Aziz afirmou que manterá o presidente em seus programas eleitorais. Maria intensificou a associação com Flávio Bolsonaro, que esteve em Manaus no primeiro turno para apoiá-la.

A candidata também anunciou que pretende receber Michelle Bolsonaro durante a etapa final. Lula chegou a ter uma visita prevista à capital amazonense, mas a agenda foi cancelada.

A saúde pública é um dos principais temas da disputa. Em agendas realizadas em 12 de outubro, os dois candidatos apresentaram propostas para enfrentar a fila do Sistema de Regulação (SisReg), que reúne cerca de 159 mil pessoas à espera de atendimento.

Os votos de Cidade e David somam mais de 32% dos válidos, e as articulações com as lideranças desses grupos podem influenciar o resultado, embora não haja garantia de transferência automática dos eleitores. De acordo com veículos amazonenses, Cidade já teria definido um apoio “oculto” a Maria do Carmo, com articulações nos bastidores.

Na rodada mais recente da Quaest, divulgada na terça-feira, Aziz marcou 51% das intenções de voto e Maria, 37% Distrito Federal: Celina enfrenta o PT com vantagem e tenta conter desgaste da crise do BRB

A governadora Celina Leão (PP) terminou o primeiro turno com 49,93% dos votos válidos, contra 34,47% do petista Leandro Grass. Pesquisa Quaest divulgada em 12 de outubro mostrou a candidata com 53% das intenções de voto, ante 33% do adversário.

No levantamento, 88% dos entrevistados disseram já ter decidido definitivamente o voto. Celina assumiu o governo em março, após a saída de Ibaneis Rocha (MDB), que desistiu de disputar o Senado em meio às denúncias envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Master.

Celina conta com o apoio de Flávio Bolsonaro e é amiga de Michelle Bolsonaro. Grass aposta na associação com Lula, que participou de um ato de campanha ao lado do petista em Ceilândia.

A disputa também foi afetada pela impugnação da candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que aparecia bem colocado nas pesquisas e teve o registro negado pela Justiça Eleitoral em razão de condenações por improbidade administrativa. A crise do BRB é um dos principais pontos de desgaste para Celina, vice de Ibaneis durante parte do período em que ocorreram operações com o Banco Master sob suspeita de fraude.

Grass explora o caso para questionar a gestão, mas a governadora chega ao segundo turno com vantagem nas pesquisas e melhora na avaliação administrativa: a Quaest registrou alta de 31% para 39% na proporção de entrevistados que consideram sua gestão ótima ou boa. Espírito Santo: Pazolini reforça o bolsonarismo, e Ferraço evita nacionalização

O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), apoiado por Flávio, terminou o primeiro turno com 49,65% dos votos válidos, perto de vencer a eleição. Seu adversário, o governador Ricardo Ferraço (MDB), obteve 34,06%.

Ferraço assumiu o cargo em abril, após a saída de Renato Casagrande (PSB), que deixou o governo para disputar o Senado. Pazolini reforça em discursos e nas redes sociais sua associação com Flávio e com o campo conservador.

Ferraço, por sua vez, não declarou apoio formal a Lula nem ao senador do PL. No entanto, Casagrande, seu principal padrinho político, declarou voto no presidente.

A estratégia do governador é evitar que a disputa estadual seja nacionalizada, evitando o mesmo tom da disputa presidencial entre PT e PL. Nem Lula nem Flávio visitaram o Espírito Santo durante a campanha oficial do primeiro turno.

Pazolini também tenta ampliar sua base para além do eleitorado que já o acompanha. O ex-prefeito se reuniu com os presidentes estaduais do PP e do União Brasil, partidos que apoiam Ferraço, numa movimentação para atrair aliados do adversário.

O encontro, porém, não resultou em mudança oficial de apoio. Ferraço, por sua vez, depende da capacidade de preservar sua coalizão e atrair eleitores do deputado federal Helder Salomão (PT), terceiro colocado com 15,32% dos votos válidos.

Rio Grande do Norte: votos do candidato bolsonarista derrotado entram no centro da disputa A disputa terminou o primeiro turno praticamente empatada.

Allyson Bezerra (União Brasil) obteve 36,94% dos votos válidos, apenas 0,78 ponto percentual à frente de Cadu Xavier (PT), que concorre com o nome eleitoral Cadu de Lula e recebeu 36,16%. O terceiro colocado, Álvaro Dias (PL), teve 26,71%, tornando seu eleitorado decisivo nas articulações para o segundo turno.

Flávio Bolsonaro esteve no estado durante a campanha do primeiro turno, ao lado de lideranças locais, enquanto Lula participou de atos de apoio ao candidato petista. O presidente voltou a Natal em 10 de outubro para subir ao palanque de Cadu, acompanhado de governadores aliados.

No discurso, criticou propostas econômicas de Flávio e prometeu apoiar a construção de uma terceira ponte na capital potiguar. A visita reforçou o envolvimento direto da disputa presidencial na eleição estadual.

Com menos de um ponto percentual de diferença entre os finalistas, a disputa depende da capacidade de atrair novos eleitores sem perder os já conquistados. O apoio de Álvaro Dias e de lideranças ligadas ao PL pode favorecer Allyson, mas não garante a transferência integral dos votos do ex-candidato.

Cadu tenta compensar a desvantagem com a mobilização do PT e a presença de Lula na campanha. Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira mostrou Allyson com 45% das intenções de voto, contra 42% de Cadu.

Tocantins: disputa apertada entre dois candidatos goianos A senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil) terminou o primeiro turno com 45,52% dos votos válidos, contra 43,94% do deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB).

A diferença de 1,58 ponto percentual deixa a disputa aberta. Os dois nasceram em Goiânia, capital do estado vizinho, e agora buscam ampliar suas bases políticas no Tocantins.

Ambos estão alinhados à direita, mas Dorinha tem recebido sinalizações mais concretas de apoio de Flávio Bolsonaro. Vicentinho busca fortalecer alianças regionais para superar a adversária.

Lula e Flávio não visitaram o Tocantins durante a campanha oficial do primeiro turno. O terceiro colocado, Laurez Moreira (PSD), obteve 8,24% dos votos válidos e declarou apoio a Vicentinho em 8 de outubro.

A decisão transforma o tucano em beneficiário de uma articulação importante numa disputa apertada. Vicentinho também busca ampliar sua base com outras lideranças regionais, enquanto Dorinha precisa preservar a vantagem obtida no primeiro turno e atrair eleitores que ainda não escolheram um lado.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →