Com quatro exposições simultâneas, MAC Niterói dá a largada nas comemorações pelos 30 anos
O Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói abre a programação de 2026 com quatro exposições simultâneas e dá início às celebrações por suas três décadas, que serão comemoradas oficialmente em setembro. Pela primeira vez, o equipamento cultural projetado por Oscar Niemeyer conta com patrocínio viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), marco apontado pela direção como fundamental para o fortalecimento institucional.
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A principal estreia é “A coisa dRag”, coletiva que reúne 35 artistas brasileiros com trabalhos que têm o universo drag como ponto de partida, em diferentes linguagens e propostas performativas, discursivas e visuais. A mostra será aberta no próximo sábado e ficará em cartaz até 7 de junho, com classificação indicativa de 12 anos.
Esculturas sonoras
Com curadoria de Sandro Ka, “A coisa dRag” é resultado de um mapeamento iniciado em 2024 e apresenta um recorte da produção contemporânea que toma o universo drag como linguagem estética e gesto político. As obras dialogam com performance, artes visuais e discurso, propondo tensionamentos sobre identidade, corpo e representação. Ao reunir artistas de diferentes regiões do país, a mostra constrói um panorama plural e reforça o MAC como espaço de debate e visibilidade para narrativas dissidentes.
— Esperamos que o público encontre na exposição não apenas provocação, mas também afeto, celebração e reflexão sobre o nosso tempo — disse Sandro Ka.
“Madame Bigode”: tela do artista Amorim estará na mostra “A coisa dRag”
Divulgação/Acervo Amorim
Também a partir de sábado, o público poderá visitar a primeira individual do niteroiense Ian Cheibub, que apresenta uma pesquisa fotográfica atravessada por referências espirituais e simbólicas; e “Composição aleatória”, de Felippe Moraes, que transformará a área externa do museu em espaço interativo com esculturas sonoras acionadas pelos movimentos do corpo do visitante. No dia 28 deste mês, estreia ainda “Um teto”, coletiva que parte da ideia de abrigo e limite para refletir sobre as condições materiais e simbólicas que atravessam a produção artística de mulheres.
Segundo o diretor do MAC, Victor De Wolf, a escolha das exposições busca reafirmar o papel do museu no debate contemporâneo.
— Escolhemos essas exposições para demonstrar, através da arte contemporânea, o papel que desejamos para o MAC Niterói na sociedade atual. Seguimos firmes no compromisso de aproximar cada vez mais o MAC da sociedade, trazendo para dentro do museu os debates da contemporaneidade e mantendo este espaço como um abrigo poético da arte contemporânea — afirma.
De Wolf destaca que o patrocínio via Lei Rouanet permitirá ampliar a estrutura e a programação. Entre as novidades já previstas estão medidas voltadas à acessibilidade. O museu instalará televisores com textos curatoriais oralizados e tradução em Libras.
— Esse patrocínio é fundamental para o desenvolvimento do museu. Com ele conseguiremos melhorar ainda mais a estrutura do MAC, contratar novos profissionais e criar uma programação ainda mais dinâmica. O público pode esperar um museu cada vez melhor, com mais acessibilidade, mais exposições e mais atividades — diz De Wolf.
Inaugurado em 1996, o MAC se consolidou como um dos principais cartões-postais da cidade e referência na arte contemporânea brasileira. As comemorações pelos 30 anos seguirão ao longo de 2026, com novas ações previstas até setembro.
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