Com presença de Lula, Brasil busca negócios na maior feira industrial do mundo, na Alemanha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca amanhã na cidade de Hanôver, no norte da Alemanha, em uma visita que visa ampliar os laços econômicos e diplomáticos com o país europeu, o maior parceiro comercial do Brasil naquele continente. Lula vai visitar a Hannover Messe 2026, considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que este ano tem o Brasil como país-parceiro, e terá uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz. A programação inclui o 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, o principal fórum bilateral do setor produtivo dos países.
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A expectativa da diplomacia brasileira é que, ao final da visita à Alemanha, sejam assinados dez acordos envolvendo as duas nações, abrangendo áreas como defesa, infraestrutura, inovações energéticas, bioeconomia, desenvolvimento sustentável, desenvolvimento de aplicativos e pesquisas nas áreas oceânicas e do cerrado brasileiro.
Fundada em 1947, a Hannover Messe reúne anualmente na cidade alemã mais de 200 mil visitantes e cerca de 5 mil expositores de mais de 70 países, gerando bilhões em negócios e parcerias. O Pavilhão Brasil, que será aberto por Lula na segunda-feira, tem espaço de 2.700 m² de exposição, organizados em seis áreas temáticas: transição energética, hidrogênio, digitalização, indústria avançada, economia circular e inteligência artificial (IA), com estandes de empresas, exposição de produtos, áreas exclusivas para reuniões de negócios e painéis de debates.
Serão 140 expositores brasileiros, desde grandes empresas como Embraer e WEG a 60 startups.
Janela de oportunidades
A feira acontece até o dia 24, às vésperas da data prevista para o início da aplicação parcial do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), oficialmente marcada para 1º de maio.
Para Laudemir Muller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) — vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços —, ser o país-parceiro tem grande significado quando avança o acordo com a UE, “que abre uma janela concreta de oportunidades”.
A Hannover Messe é o maior complexo para feiras do mundo, com mais de 550 mil m² de área utilizável dividida em 27 pavilhões e o centro de convenções, com foco este ano em três grandes segmentos: automação e digitalização; energia e infraestrutura; e pesquisa e transferência de tecnologia. Entre os temas em destaque estão IA, robótica, software industrial, logística de produção, internet das coisas e armazenagem.
Feira de Hannover de 2024
Krisztian Bocsi/Bloomberg
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), um grupo de cerca de 300 representantes da indústria brasileira estará em Hanôver para a feira e o fórum econômico Brasil-Alemanha, que deverá reunir 800 participantes. O encontro é realizado pela CNI em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs (BDI, na sigla em alemão) e apoio da ApexBrasil.
— Esta é uma oportunidade única que permitirá ao Brasil promover sua indústria. O protagonismo brasileiro contribuirá para o fortalecimento de negócios, a atração de investimentos e a ampliação do país no mercado internacional — avalia o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Em 2025, Brasil e Alemanha movimentaram US$ 20,9 bilhões em comércio bilateral, com exportações brasileiras de US$ 6,5 bilhões (+11,6% sobre o ano anterior) e importações de US$ 14,4 bilhões. A Alemanha é o oitavo maior investidor no Brasil, com estoque de US$ 38,5 bilhões (2024). Esse cenário reforça o potencial de expansão de negócios e cooperação industrial, especialmente em segmentos de maior valor agregado.
Público e privado
Amanhã, os setores público e privado dos dois países se reúnem na 51ª Comissão Mista de Cooperação Econômica Brasil-Alemanha (Comista), mecanismo de aproximação bilateral criado em 1974.
Entre as pautas previstas estão o tratado Mercosul-UE, o acordo para evitar dupla tributação entre Brasil e Alemanha e o apoio à expansão de projetos conjuntos e iniciativas voltadas à digitalização, inteligência artificial, descarbonização e biocombustíveis.
