Com popularidade em queda, Lula aposta em 'pacote de bondades' pré-eleitoral
Com a popularidade do presidente Lula em baixa nas pesquisas, o Palácio do Planalto prepara um pacotão de bondades às vésperas do período eleitoral. São medidas para tentar baixar o combustível, o gás de cozinha e renegociar as dívidas, enquanto o prazo para as eleições se aproxima.
Com menos de seis meses para a disputa nas urnas, o petista vem registrando um desempenho pior do que outros presidentes que buscavam a reeleição. Nas eleições de 2006, com Lula, 2010 e 2014, quando Dilma Rousseff foi eleita e depois reeleita, os governos petistas sempre chegaram a seis meses da eleição com a aprovação maior do que a reprovação.
Agora, o último levantamento feito pelo Quaest mostra que 51% reprovam o governo Lula 3, enquanto 44% aprovam. Já Jair Bolsonaro, quando tentou a reeleição e não conseguiu, chegou a ter mais de 60% de desaprovação.
Renegociação de dívidas
Para tentar se recuperar, o petista prepara uma série de benesses. A principal delas até o momento seria um pacote de renegociação de dívidas. O governo chegou a fazer o Desenrola no início do mandato, mas o nível de endividamento voltou a subir, mesmo com o emprego em alta.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniu com representantes do setor financeiro para esboçar um novo projeto, para garantir a troca de dívidas mais caras por outras mais baratas, que não comprometam tanto o orçamento das famílias.
Gás e luz
Já no setor de energia, além do Gás do Povo, que distribui botijões a famílias mais carentes, outra ideia pode ser segurar os reajustes na tarifa de luz. Medidas semelhantes foram feitas em outros anos eleitorais por Jair Bolsonaro e Dilma Rousseff.
Para o cientista político, Alexandre Bandeira, o pacote mira resultados rápidos, mas a conta depois precisa ser arcada por toda a sociedade. “O governo entrou claramente em modo eleitoral. A estratégia é lançar um pacote amplo de benefícios, que não atende apenas às classes mais populares, como C, D e E, mas também inclui medidas voltadas ao empresariado. É aquele momento em que vale tudo para tentar ganhar a eleição. Mas é importante lembrar: não existe almoço grátis. Todos esses benefícios, de alguma forma, serão pagos — e quem paga essa conta é o conjunto da população brasileira, inclusive aqueles que, num primeiro momento, são beneficiados", explica.
Combustíveis
Já nesta semana, deve entrar em ação a medida para tentar reduzir o preço do diesel. O Ministério da Fazenda está fazendo os ajustes finais para que a MP da subvenção do diesel seja publicada até a próxima terça-feira.
O desconto esperado é de 1,20 por litro do diesel importado. A medida terá validade por 60 dias e a expectativa é de que os Estados e União dividam a conta, cada ente arcando com 60 centavos por litro subsidiado. O custo total deve ser de cerca de R$ 3 bilhões ao longo de dois meses.
