O governo reconhecido internacionalmente do Iêmen disse que suas forças responderam, neste sábado, a um ataque contra os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, depois de dias de ações contra seus militares, na mais recente rodada de hostilidades que ameaçam lançar o país novamente em uma guerra civil de grande porte.
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A escalada refletiu como a estabilidade do Oriente Médio está por um fio em diversas frentes.
Apesar de uma pausa nos combates entre EUA e Irã, a região ainda aguarda um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, evitando a renovação do conflito.
Integrantes do governo iraniano emitiram, neste sábado, uma nova lista de exigências para a abertura da passagem, acrescentando que os americanos precisam cumpri-las.
A contraofensiva do governo iemenita ocorre após uma rápida escalada iniciada há dois dias, quando os houthis atacaram posições militares nas províncias de Marib e Hadramout, ricas em petróleo e gás, matando ao menos 17 soldados.
A violência continuou no domingo, com ações em áreas residenciais e em um acampamento de refugiados perto de Marib, matando duas pessoas e deixando 14 feridos, incluindo crianças, diz o governo.
No sábado, Majed al-Nuzaili, porta-voz do Exército iemenita, disse que suas forças “realizaram ação armada contra elementos terroristas” da milícia houthi em várias áreas, se fornecer detalhes.
Estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb
Editoria de Arte
O governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita, está em guerra com os houthis desde 2014, quando o grupo tomou a capital, Sana, com apoio iraniano.
Um ano depois, a Arábia Saudita liderou uma coalizão militar contra a milícia, mas os bombardeios não conseguiram afastar os houthis do poder.
Desde então, o Iêmen está, na prática, dividido em dois Estados, com os houthis no controle de grande parte do norte.
Observadores temem que a frágil trégua firmada em 2022 entrou em colapso.
Um avançou houthi em direção ao leste, rico em recursos, pode ameaçar a linha de sustentação econômica do governo e criar uma nova crise humanitária, afetando milhões de já vulneráveis iemenitas.
Os combates ganharam ainda mais relevância em meio à guerra lançada por EUA e Israel contra o Irã, em fevereiro.
O conflito fez com que aliados regionais de Teerã, como os houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano, lançassem suas próprias ações.
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No mês passado, em meio à escalada da tensão no Iêmen, os houthis anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho, uma importante passagem para o comércio global.
O Irã já exerce seu próprio bloqueio no Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, crucial para as exportações energéticas globais, e disparou contra navios.
Analistas dizem que a nova ofensiva no Iêmen poderá empoderar os houthis contra os governos saudita e iemenita em terra e mar.
Para Farea al-Muslimi, especialista no país árabe no centro de estudos Chatham House, os houthis devem ampliar seus ataques no Mar Vermelho.
— Eles confirmaram que são muito fortes nesta área, e podem fazer com que todos saiam feridos a um custo relativamente baixo, causando muitos estragos ao mesmo tempo — declarou.
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O Irã bloqueou Ormuz depois de terem sido atacados por EUA e Israel em fevereiro.
Nos últimos dias, Teerã e Omã negociam um acordo que permita a retomada do tráfego naval na passagem.
O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, esperava que um cessar-fogo firmado em junho restaurasse o status quo anterior à guerra, quando os navios transitavam sem problemas.
Mas a trégua rapidamente desmoronou depois que os iranianos impuseram seu controle à passagem das embarcações, levando a uma escalada de ataques de lado a lado.
Os EUA, por sua vez, impuseram seu próprio bloqueio aos portos iranianos.
Até sexta-feira, o Comando Central americano, responsável por ações no Oriente Médio, disse ter “redirecionado 51 navios comerciais”, danificando outros dois e abordando mais duas embarcações como parte do bloqueio.
