Com mais de um terço das cadeiras, domínio do PL no Senado desafia o Supremo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Maior partido de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PL, de Flávio Bolsonaro, quase dobrou a bancada na Casa, saltando de 15 para 28 representantes. O grupo de 19 senadores vitoriosos nas urnas ontem reúne novos integrantes e parlamentares que já estavam na Casa e conquistaram mais oito anos de mandato.

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Jair x Flávio Bolsonaro: Compare a votação de pai e filho em 2022 e 2026 A ofensiva do PL sobre o Senado nas urnas ontem resultou na segunda maior bancada que uma sigla já conseguiu desde a redemocratização, em 1985.

Em 1990, o MDB chegou a ter 29 senadores e, na legislatura anterior, a bancada emedebista chegou a 28 senadores. A eleição no Senado ocorre de duas formas: nesta eleição, a renovação foi de dois terços das vagas; daqui a quatro anos, será de um terço.

Mesmo com o avanço no Senado, a bancada do PL ainda vai depender de aliados para aprovar as principais pautas defendidas pelo bolsonarismo, como impeachment de ministros do Supremo (que exige dois terços dos votos da Casa: 54) e reformas que demandam emenda constitucional (que exigem três quintos: 49).

Veja a projeção da nova composição do Senado Editoria de Arte

A segunda maior bancada no Senado a partir desta eleição é do PT, mas com um número bem menor de parlamentares. A legenda de Lula elegeu seis senadores e terá um total de nove representantes.

A federação União-PP alcançou 11 senadores. Por sua vez, o MDB terá oito parlamentares a partir de 2027.

Enquanto o PL avançou, outras siglas terão menos cadeiras do que na atual legislatura. O PSD, que tinha a segunda bancada, desidratou.

Elegeu dois senadores e vai perder oito dos atuais 14. Renan fora após 31 anos

Nomes tradicionais da política, como Renan Calheiros (MDB-AL), que foi presidente do Senado quatro vezes, na Casa há 31 anos, e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), não foram reeleitos. A eleição para o Senado era tratada como prioridade pelo bolsonarismo, e o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a indicar, em discursos antes de ser preso por liderar uma trama golpista, que é mais importante que a eleição presidencial em si.

A Casa Legislativa tem o poder de pautar impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), um dos principais focos da oposição. Flávio Bolsonaro já falou que vai pressionar para que seja votado o afastamento de integrantes da Corte e tem incluído principalmente Alexandre de Moraes como alvo.

Moraes é considerado inimigo político do bolsonarismo após condenar Jair Bolsonaro e aliados. O União Brasil, partido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), elegeu dois senadores e terá quatro a partir do ano que vem.

Junto com o PP, partido que o União forma uma federação o grupo terá dez senadores. Em fevereiro, os senadores elegerão quem comandará a Casa até 2029, e Alcolumbre vinha costurando o apoio de Lula para se reeleger.

Diante do cenário em que o PL ganha força, a tentativa de reeleição fica mais difícil. Alcolumbre chegou a pautar para esta semana a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6x1.

A iniciativa é prioridade para o presidente Lula, que tenta usar como trunfo eleitoral, mas a votação do texto está incerta devido ao tamanho que a oposição saiu das urnas. Os parlamentares só assumem em 2027, mas já viram uma base de apoio que Alcolumbre deve mirar para tentar se manter no comando do Senado.

Com a bancada mais numerosa, Flávio Bolsonaro e aliados devem tentar eleger um nome do PL como próximo presidente do Senado. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável, é apontado como o nome do grupo para comandar o Senado.

Dobradinhas do PL Em mais de um estado, o partido de Flávio conseguiu as duas vagas em disputa.

Foi o que aconteceu no Rio, onde Carlos Jordy e Carlos Pontinho foram eleitos; em Santa Catarina, onde Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro, irmão do presidenciável, foram eleitos; no Distrito Federal, onde Michelle Bolsonaro, madrasta de Flávio, e Bias Kicis venceram; e no Mato Grosso do Sul, onde Reinaldo Azambuja e Capitão Contar foram escolhidos.

O resultado ainda representa recuos na base de Lula em alguns estados. É o caso do Rio Grande do Sul, onde Paulo Paim (PT) termina o mandato e assumem Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL).

O mesmo acontece no Distrito Federal, onde Leila Barros (PDT) sai do cargo e entram Michelle e Bia Kicis. Por sua vez, o PT elegeu Rui Costa (BA), Jaques Wagner (BA), Humberto Costa (PE), Rogério Carvalho (SE) e Marília Campos (MG).

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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