Com mais de 700 páginas, biografia de Guimarães Rosa é lançada em evento especial no Rio

 

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O Rio de Janeiro recebe nessa quarta-feira o evento de lançamento da biografia do escritor Guimarães Rosa, na Livraria da Travessa do Leblon. A obra, um calhamaço de mais de 700 páginas, é fruto de um trabalho de dois anos de de duas editoras - a Nova Fronteira e a Topbooks.

A CBN conversou com o biógrafo de Rosa, o jornalista e escritor Leonêncio Nossa, que se debruçou por nada menos que duas décadas sobre a obra daquele que é considerado um dos mais importantes escritores da língua portuguesa.

O lançamento da obra no Rio ganha ares especiais, já que Guimarães Rosa morou muitos anos na cidade, onde, inclusive, escreveu Grande Sertão: Veredas, livro essencial quando se fala na literatura moderna do país. Obra que, aliás, completa 70 anos agora em 2026.

Segundo Leonêncio, a ideia de fazer uma biografia do autor mineiro nasceu de um clique que ele teve em 2006, nos 50 anos do lançamento de Grande Sertão. Ele destaca o simbolismo do lançamento no Rio, afinal, trata-se de um autor que fala tanto do sertão e que escreveu obras essenciais no grande centro, de dentro de um apartamento em Copacabana.

"Ele fala de um Brasil aparentemente distante do grande centro, mas ele produz no Rio não só Grande Sertão mas também Corpo de Baile . E também o Tutameia, o Primeiras Estórias. E outros dois que ele deixou sem publicar, morreu sem publicar, oram todos produzidos em Copacabana".

O biógrafo esteve várias vezes no Rio para pesquisar o material que embasou o livro. Na cidade, ele conversou com dezenas de pessoas ligadas diretamente a Guimarães Rosa.

"É muita emoção porque eu estive muito no Rio pra pesquisar porque ele morou aqui. No Rio, eu encontrei mais de 50 pessoas que conviveram com ele. Embora ele tenha morrido há quase 60 anos, em 1967, tem muita gente que conviveu com ele que pôde dar depoimento. Eu conversei com Alberto Costa e Silva, com outros diplomatas, com pessoas da família... É muita gente, muita gente..."

O autor da biografia "João Guimarães Rosa", destaca que a genialidade do escritor mineiro passa pela riqueza da linguagem e pela musicalidade que cria ao misturar as palavras, num sinal de respeito ao brasileiro do interior.

"Ele transformou essa linguagem do brasileiro, tão multifacetada, uma linguagem indígena, africana, do imigrante português. Ele mistura, dá uma nova roupagem e ele extrai disso, justamente a musicalidade dessas palvras. Ele mostra como esse brasileiro do interior fala com uma sonoridade, uma musicalidade", destaca Leonêncio.

Como tudo na obra de Guimarães Rosa envolve uma certa mística e coincidências, esse ano de 2026 é marcado por nada menos que três efemérides: além dos 70 anos de lançamento de Grande Sertão, Veredas, comemoram-se os 80 anos de lançamento de Sagarana e os 70 anos, também, do livro Corpo de Baile.