Com maior ocupação no litoral e no Sudeste, país ganhou 560 campos de futebol de área urbanizada por dia em quatro anos

Com maior ocupação no litoral e no Sudeste, país ganhou 560 campos de futebol de área urbanizada por dia em quatro anos - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A urbanização no Brasil segue a todo vapor, mostram novos dados do Censo divulgados pelo IBGE. Em um curto período, entre 2019 e 2022,  o mais recente disponível, houve o aumento de quase 6 mil quilômetros quadrados de área urbana no país, um acréscimo de 12,27% equivalente a aproximadamente 560 campos de futebol por dia. O Sudeste é a região com maior extensão territorial urbanizada consolidada, mas foi no Nordeste que aconteceu a maior expansão. Entre as cidades, a evolução mais acentuada foi em Brasília, com mais que o dobro que o segundo lugar (São Luís, no Maranhão). Saiba quais são os estados com maior crescimento de área urbana no Brasil Veja os municípios que tiveram as maiores expansões de área urbana; Brasília cresceu o dobro do segundo colocado A pesquisa do IBGE, chamada de "mapeamento das Áreas Urbanizadas do Brasil" é realizada através de imagens de satélite e não identifica a verticalização das cidades, mas sim a expansão horizontal. O crescimento dos números retrata áreas antes desocupadas que passaram a ter edificações, equipamentos urbanos ou algum outro tipo de ocupação. Considerando os diferentes tipos, o país tem 53 925 quilômetros quadrados (km²) de "morfologia urbana". Isso representa apenas 0,60% da área territorial do Brasil. Florestas, grandes parques, campos e rios não fazem parte. Essa é a quarta edição da pesquisa, que identificou um incremento de 5.954,99 km² de territórios urbanizados entre 2019 e 2022, aumento relativo de 12,27%.

Desse total de tecido urbano, 70,6% é considerado como ocupação densa, onde as edificações são próximas, com poucos espaços livres, e 23,9% considerado pouco densa, onde as moradias são afastadas, normalmente separadas por trechos verdes. Há ainda 5,4% de loteamentos vazios, que são áreas alteradas pela ação do homem e estão delimitadas, mesmo que vazias, o que indica uma intenção de construções futuras.  O Sudeste tem a maior fatia tanto das ocupações densas quanto das pouco densas. E a região Norte é onde há o maior equilíbrio entre essas duas densidades.  Fim do bafômetro? Multa por bombom de licor? Detecção de drogas? Entenda em perguntas e respostas o que muda na Lei Seca São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia, em ordem, representam a metade das áreas urbanas do Brasil.  Santa Catarina e Rio de Janeiro, que tem extensões territoriais menores, aparecem na sequência. A maior proporção — ou seja, de área urbanizada por tamanho da área do estado — fica no Distrito Federal. A menor, no Amazonas.  Distribuição das feições urbanizadas no Brasil Arte O Globo Os resultados revelaram um "padrão complexo", definiu o IBGE, com áreas de crescimento acelerado e ocupação de novas frentes urbanas, além de outras ocupações caracterizadas por menor dinamismo ou maior consolidação do tecido urbano. Essas dinâmicas heterogêneas demandam "respostas integradas por meio do monitoramento geoespacial, além de indicadores socioambientais, no sentido de orientar políticas públicas de ordenamento territorial", finalizou o instituto. Ocupação do litoral O mapeamento retratou o mesmo padrão de ocupação que existe no Brasil desde a colonização, com concentração do fenômeno urbano nos municípios costeiros. São 443 cidades na costa brasileira, que concentram 9.941,5 km2 de feições urbanizadas, equivalentes a 19,5% do país, mesmo sendo apenas 5% do território. Massa de ar quente e seca atinge mais regiões do país, e RS pode ter temporais; veja previsão Por outro lado, os 590 municípios que compõem a chamada "faixa de fronteira" e abrangem uma parcela significativa do território brasileiro (26,61% da área), concentraram apenas 4 223,81 km² de feições urbanizadas, ou 8,28% do total de 2022. Essa diferença também é vista na Amazônia Legal, onde as cidades têm enormes extensões, mas poucos núcleos urbanos, proporcionalmente. Os 772 municípios da Amazônia Legal ocupam 59,1% do território nacional, mas concentram 14,2% das áreas urbanas. Expansão no Nordeste e Brasília Apesar do Sudeste ter a maior extensão territorial das áreas urbanas, foi no Nordeste a maior expansão relativa entre 2019 e 2022. Segundo a pesquisa do IBGE, o território urbano nordestino cresceu em 1.262 km², equivalente a 16,5%.  Enquanto no Sudeste houve aumento de 1.190 km².  Em relação às Unidades Federativas, o Distrito Federal teve a maior expansão, com adição territorial de 1,25%. Da mesma forma, Brasília liderou entre os municípios, com acréscimo de 72 quilômetros quadrados, mais que o dobro de São Luís (35 km2), na segunda colocação. — O resultado é justificável pela sua extensão diminuta e pelo planejamento coordenado de urbanização (do Distrito Federal e de Brasília) — explicou Andressa Rosas de Menezes, técnica do IBGE. Na sequência do ranking dos municípios aparecem Teresina (PI), Itabuna (BA), Palmas (TO) e Vitória da Conquista (BA). A Bahia se destaca com cinco municípios entre os 20 que mais ampliaram suas áreas urbanizadas: Itabuna, Vitória da Conquista, Porto Seguro, Camaçari e Feira de Santana. Em relação aos estados, na segunda posição aparece Santa Catarina, com expansão de 0,35%, seguida por Sergipe (0,26%) e São Paulo (0,24%). Na outra ponta, Amazonas e Roraima registraram crescimento de 0%, enquanto Rondônia, Acre, Pará, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso tiveram expansão de 0,01%.

O IBGE considera "área urbanizada" o conjunto de formas e estruturas que materializam o fenômeno urbano nos territórios. Para isso, a análise vai além da presença de construções, e identifica padrões de ocupação.  A soma dos tipos área urbanizada, vazio intraurbano e outros equipamentos urbanos, é classificada como "feições urbanizadas". Além disso, os loteamentos vazios são considerados um novo tipo de ocupação.  Entenda os tipos de ocupação Área urbanizada: Os territórios urbanos mais clássicos, compostos, principalmente, por construções residenciais, comerciais e industriais. Vazio intraurbano: São áreas não ocupadas por construções, como remanescentes vegetacionais, parques, corpos d’água e outros, de tamanho superior a 0,25 km² e inferior a 2,5 km² que estão dentro do perímetro urbano.  Outros Equipamentos Urbanos: Áreas mais afastadas, com presença de estabelecimentos não residenciais, distantes até 3 quilômetros dos principais núcleos urbanos. Exemplos são indústrias, usinas fotovoltaicas, parques eólicos, cavas de mineração e hidrelétricas. Loteamentos vazios: Áreas alteradas pela ação antrópica, bem delimitadas, indicando futura ocupação urbana, a uma distância de até 3 quilômetros de Áreas Urbanizadas principais. O Nordeste concentra 43,3% da extensão dessas áreas.  Outros resultados da pesquisa 13 Unidades da Federação apresentaram menos de 1 000 km² de Áreas Urbanizadas. São Paulo apresentou a maior extensão de Outros Equipamentos Urbanos em 2022, alcançando 326,30 km² e Minas Gerais apareceu em seguida, com 217,81 km² Minas Gerais liderou o crescimento de Outros Equipamentos  Urbanos no período, com expansão de 62,24 km² e a segunda maior expansão da subcategoria no País foi em São Paulo, com aumento de 51,86 km². Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina apresentaram incrementos significativos de Vazios Intraurbanos, somando expansões horizontais respectivas de 15,65 km², 10,52 km² e 12,73 km² 80% dos municípios não alcançam 10 km2 de ocupação com morfologias urbanas

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