Com 'Jesus' no centro da polêmica, Enel retruca críticas de Nunes e Tarcísio

 

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Um comentário feito pelo CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, levou a reações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Cattaneo, em evento em Milão, na Itália, disse que a empresa tem feito tudo que é "humanamente" possível para solucionar os problemas de falta de energia na capital paulista, e afirmou que "apenas Jesus Cristo" poderia resolver os apagões.

Após as críticas dos mandatários, a empresa divulgou uma nota sobre o tema na terça-feira (24), respondendo aos comentários do governador e do prefeito. A companhia chamou a discussão em torno da fala de um debate "politizado e frequentemente instrumentalizado" que "não contribui para construção de uma solução definitiva e necessária para São Paulo".

— Se permanecer esse jeito (queda de árvores sobre a fiação), só tem um capaz de gerenciar, mas este não é humano, é Jesus Cristo, porque não é possível de outro jeito evitar o apagão — afirmou o CEO Flavio Cattaneo, durante evento para a investidores e analistas de mercado realizado na segunda-feira, 23, em Milão.

Após o comentário, o primeiro a se manifestar foi Ricardo Nunes. O prefeito disse que "nem Jesus Cristo consegue salvar essa empresa".

— É um desrespeito à população de São Paulo, ele falar uma coisa dessa — rebateu o prefeito na noite de segunda-feira. Na terça, Nunes voltou a falar sobre o assunto.

— São 5,8 milhões de clientes, de unidades que eles atendem aqui na cidade de São Paulo. Dizer que nem Jesus Cristo resolve, então acho que ele está dizendo o seguinte, olha, eu não tenho realmente capacidade de fazer e de permanecer no contrato — afirmou o prefeito, lembrando que em Goiás a empresa vendeu a concessão após críticas pelo serviço prestado.

O governador Tarcísio, em Itaquaquecetuba (SP), durante um evento na terça, também respondeu aos comentários de Cattaneo.

– Eu quero lamentar a fala sobre Jesus Cristo porque é blasfêmia. A pior coisa que existe é a blasfêmia, a gente não pode usar o nome de Deus em vão (...) Quando um cara faz uma declaração dessa, ele está dizendo eu não vai dar conta do trabalho. E ainda é infeliz em blasfemar, que é uma coisa horrorosa. Então, eu acho que a gente precisa, de fato, ficar em cima para que o governo federal ofereça a solução, a saída que São Paulo merece – concluiu o governador.

Na terça, a Enel respondeu que a fala do CEO "se referia à limitação humana diante da força dos ventos observada em eventos climáticos extremos. Por isso, a Enel apresentou um conjunto de soluções estruturais para São Paulo, como o avanço no enterramento de redes e o manejo adequado da vegetação urbana, de responsabilidade da Prefeitura", diz a empresa.

A nota segue com a Enel afirmando que realiza "o maior ciclo de investimentos da história da concessão em São Paulo, com aportes robustos e contínuos voltados à modernização da rede e ao aumento da resiliência do sistema elétrico".

Veja a nota completa:

O Grupo Enel esclarece que, em resposta às declarações do governador e do prefeito de São Paulo, é importante esclarecer alguns pontos fundamentais:

• Não procede a afirmação de que a Enel não tem capacidade de investimento. Pelo contrário, a companhia está realizando o maior ciclo de investimentos da história da concessão em São Paulo, com aportes robustos e contínuos voltados à modernização da rede e ao aumento da resiliência do sistema elétrico.

• Também não é verdadeira a narrativa de que a companhia fracassou em todos os mercados onde atua. A Enel opera distribuidoras em diversos países, muitas delas reconhecidas por indicadores de qualidade entre os melhores do setor em nível global.

• Sobre a fala do CEO Flávio Cattaneo durante o Capital Market Day, posteriormente detalhada em coletiva de imprensa, a companhia esclarece que a citação amplamente divulgada se referia à limitação humana diante da força dos ventos observada em eventos climáticos extremos. Por isso, a Enel apresentou um conjunto de soluções estruturais para São Paulo, como o avanço no enterramento de redes e o manejo adequado da vegetação urbana, de responsabilidade da Prefeitura.

• Por fim, cabe registrar que o atual debate, politizado e frequentemente instrumentalizado, não contribui para construção de uma solução definitiva e necessária para São Paulo.