Com impulso de Petrobras, conjunto de estatais tem alta de 22,5% no lucro acumulado até o 3º trimestre de 2025
O conjunto das empresas estatais federais registrou nos nove primeiros meses de 2025 um lucro líquido de R$ 136,3 bilhões, com alta de 22,5% sobre igual período de 2024, sem descontar o efeito da inflação. A estatística que consta do novo boletim trimestral das estatais, divulgado pelo ministério da Gestão e Inovação considera um universo de 44 empresas, incluídas as maiores, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Sozinha, a Petrobras representou quase 70% do resultado das empresas sob controle do governo federal, com um lucro de R$ 94,6 bilhões.
A divulgação do boletim com os dados das estatais ocorre na véspera do resultado fiscal do setor público, divulgado pelo Banco Central. que deve mostrar um déficit primário superior a R$ 5 bilhões nas empresas do governo no ano passado.
Esse dado fiscal tem sido usado pela oposição para criticar a gestão das empresas públicas. O governo atual entende que essa comparação é inadequada por vários motivos. O principal deles é que déficit não é a mesma coisa que prejuízo (o primeiro é resultado de receitas e despesas em determinado período, enquanto lucro ou prejuízo considera uma série de outras questões para além do fluxo de caixa).
Outro elemento é o universo de comparação da estatística fiscal com o do boletim do MGI. Enquanto o dado do BC considera um universo de 20 empresas não dependentes e não leva em conta os dados de Petrobras e bancos públicos, os números do MGI capturam todo o universo das empresas.
O argumento do time liderada pela ministra Esther Dweck é que o déficit das empresas nos últimos anos reflete um programa de investimentos mais acelerados, considerados necessários para melhorar a própria situação da maior parte das companhias.
Nos nove primeiros meses de 2025, os investimentos somaram R$ 86,4 bilhões, com alta de 34,3% sobre o ano anterior.
Há um reconhecimento na pasta de que há melhorias a serem implementadas em algumas empresas, especialmente em casos como os Correios, que estão dando prejuízos efetivos e também gerando déficits nas estatísticas. Mas, de forma geral, a visão interna é que as empresas públicas estão em boa forma e no contexto geopolítico, com um mundo com maior atuação dos aparatos de estado, o Brasil não pode abrir mão de suas companhias.
