Com Guerra no Irã, quase um a cada cinco negócios na Bolsa foi de ações relacionadas ao petróleo

Com Guerra no Irã, quase um a cada cinco negócios na Bolsa foi de ações relacionadas ao petróleo

Fonte: Bandeira



As ações relacionadas ao petróleo, gás e derivados na B3 atingiram um pico de volume negociado de R$ 133,1 bilhões em março, 17% de todo o chamado “giro” no mercado acionário brasileiro daquele mês, de R$ 774,6 bilhões. O volume negociado é a multiplicação do número de negócios pelo valor de cada uma das ações.

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Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pela operadora de dados da B3, a Datawise+. O valor é mais do que o dobro do registrado pelas mesmas companhias em fevereiro, mês anterior, de R$ 56,7 bilhões, ou 8,8% do total de giro do segmento acionário à vista da B3 naquele mês, de R$ 641,4 bilhões.

Só os papéis da Petrobras saltaram de R$ 34,6 bi em negócios em fevereiro para R$ 85,1 bi em março, mais que dobrando o volume negociado em seus papéis.

O movimento foi causado, afirmam analistas, pela continuidade do apetite ao risco do investidor internacional mesmo após o início do conflito entre EUA e Irã, que promoveu um rali às ações relacionadas à commodity.

Frederico Nobre, gestor de ações na asset da Warren Investimentos, associa a expressividade do volume como reflexo do conflito no Irã e da subida do barril do petróleo, que acumula avanço de 30% desde o início do conflito:

— Por conta da guerra, essas movimentações tendem a ser maiores porque a volatilidade também é maior — ele diz.

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Com a alta do barril diante do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo global, o apetite á companhias que não dependem do local para escoar sua produção ficou maior.

E o movimento não foi só de grandes petrolíferas. Companhias menores e distribuidoras de combustíveis acompanharam o crescimento. A Prio, que acumula valorização de 50% no ano, saltou de R$ 10,4 bi em negócios em fevereiro para R$ 30,2 bi em março, enquanto a distribuidora Vibra, dos postos BR, subiu de R$ 5,1 bi para R$ 6,4 bi em negócios. A distribuidora acumula 19% de alta nos papéis em 2026.

Queda em abril

Apesar do Ibovespa ter batido recorde histórico em abril, superando os 198 mil pontos, o giro no quarto mês do ano das ações relacionadas ao petróleo caiu para R$ 98,2 bi, mas ainda assim o suficiente para manter o mês como o segundo em que mais houve negociações nas ações de petróleo em 2026.

Com o prolongamento do conflito e a valorização expressiva do Ibovespa no ano — que chegou a 23% e superou os 30% em dólares —, operadores decidiram realizar parte dos lucros e diminuir a exposição diante da leitura de juros mais altos por mais tempo por conta da alta do petróleo.

O retorno ao interesse nas empresas americanas de tecnologia, ligadas ao frenesi de inteligência artificial, também diminuiu o apetite do investidor estrangeiro nas companhias locais:

— O resultado do primeiro trimestre mostrou um nível de utilização muito forte, fazendo com que as receitas se acelerassem. Teve crescimento de lucro de 20% em ano contra ano — avalia Rodrigo Santoro, da Bradesco Asset Management, sobre o movimento de diminuição da aposta do investidor estrangeiro ao longo do último mês e meio nas ações locais.

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Em maio, até o último dia 29, o volume de negócios no segmento de ações à vista da B3 alcançou R$ 604 bilhões.

Os números, aliás, devem continuar fortes nas próximas demonstrações, avalia Fred Nobre, da Warren. É que com a proposta de aumento de controle do capital da Brava pela estatal colombiana de petróleo, a Ecopetrol, anunciada na semana passada, investidores tendem a ampliar a busca pelo papel.

A Ecopetrol anunciou intenção de aumentar sua participação de 25% para 51% do capital da Brava Energia, listada na B3.

Segundo o banco americano Citi, o preço ofertado pela Ecopetrol, de R$ 23 por ação, representa um prêmio de mais de 27% em relação ao preço médio dos papéis da Brava nos últimos três meses. A operação está prevista para acontecer em 25 de junho.

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