Com falta de diálogos entre nações e novas ofensivas militares, guerra no Oriente Médio mostra-se distante do fim

 

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A guerra travada entre Irã, Estados Unidos e Israel ainda se mostra longe de um final. Com cinco dias corridos de conflitos desde os primeiros bombardeios promovidos por americanos e israelenses, as últimas horas mostraram novas ações ofensivas entre países e declarações de representantes das nações que mostram a distância de uma resolução guiada pelo diálogo.

A última terça-feira ficou marcada pelos múltiplos ataques de ambos os países. Nas primeiras horas do dia — no Brasil — o Irã atacou a embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita, na região de Riade. Israel, por sua vez, bombardeou Teerã e avançou com tropas terrestres no Líbano. Houve também a presença de drones iranianos, que atingiram centros de dados da Amazon no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos.

Sem negociações

Mohammad Mokhbar, conselheiro do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, declarou à televisão estatal iraniana que o país não possui intenções de fazer negociações com os EUA. Segundo Mokhbar, o país "não confia" nos americanos.

— Não temos nenhuma base para negociar com eles. Podemos continuar a guerra pelo tempo que desejarmos — afirmou o conselheiro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se pronunciou sobre negociações com o Irã. De acordo com ele, os EUA teriam devastado as capacidades militares da nação persa.

— A defesa aérea, a Força Aérea, a Marinha e a liderança deles acabaram. Eles querem conversar. Eu disse: 'Tarde demais!' — disse Trump.

Funeral de Khamenei

A televisão estatal anunciou o adiamento do funeral de Estado de Ali Khamenei, ex-líder supremo que governou o Irã por quase quarenta anos e faleceu aos 86 anos no último sábado, vítima de ataques realizados ainda no sábado.

Embora a cerimônia de despedida estivesse originalmente programada para durar três dias, com início na noite desta quarta-feira, a emissora justificou a mudança de planos pela expectativa de um comparecimento de público sem precedentes, e informou que a nova data será divulgada em momento oportuno. Após as homenagens, o corpo de Khamenei será sepultado em Mashhad, sua cidade natal situada no nordeste do país.

Filho do aiatolá estaria vivo, segundo Irã

Segundo a agência de notícias iraniana Mehr, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, está vivo. A agência deu a garantia de que o filho do até então líder supremo está bem e analisa questões políticas do Irã. Segundo especialistas, ele é um dos cotados para suceder o posto de líder supremo.

— Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, está com plena saúde — afirmou a Mehr.

Israel diz que sucessor será alvo

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que aquele que suceder Khamenei no posto de líder supremo iraniano, será alvo de Israel.

— Qualquer dirigente eleito pelo regime terrorista iraniano será alvo de assassinato, não importa o seu nome nem onde se esconda. O primeiro-ministro e eu ordenamos ao Exército que se prepare para agir por todos os meios necessários para cumprir esta missão — disse.

Espanha se afasta da guerra

Em resposta às pressões de Donald Trump, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reafirmou sua posição contrária ao conflito após recusar o uso das bases militares da Espanha para as ofensivas contra o Irã.

— Não seremos cúmplices de algo que é ruim para o mundo e também contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente por medo das represálias de alguém — afirmou Sánchez.

Paralelamente, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, manifestou preocupação com a legalidade das operações conduzidas por Israel e pelos Estados Unidos, sinalizando que tais ataques aparentam ser incompatíveis com as normas do direito internacional.

França e Reino Unido reforçam o embate

A França anunciou o envio de reforços militares ao Oriente Médio, incluindo o porta-aviões Charles de Gaulle e aviões de combate Rafale. O Reino Unido também anunciou o envio de um navio de guerra e de sistemas antidrones para proteger suas bases em Chipre, que foram alvos recentes de ataques iranianos. Segundo o primeiro-ministro Keir Starmer, estes são esforços de uma "ação defensiva" promovida pelos britânicos.