Com Estreito de Ormuz travado, Arábia Saudita começa a reduzir produção de petróleo
A Arábia Saudita começou a reduzir a produção de petróleo enquanto o estratégico Estreito de Ormuz permanece praticamente paralisado. Ao mesmo tempo, o reino corre corre para aumentar as exportações por uma rota alternativa. A informação sobre os cortes sauditas, obtida com uma pessoa familiarizada com as operações, ocorre após reduções feitas por outros países da Opep, incluindo Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque.
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Analistas estimam que a Arábia Saudita tem maior capacidade de armazenamento do que alguns de seus vizinhos, o que indica que o reino pode estar reduzindo a produção de forma preventiva para manter os campos petrolíferos operando por mais tempo sem precisar interrompê-los completamente. A estatal Saudi Aramco se recusou a comentar.
Os piores temores do mercado de petróleo se concretizaram neste mês, já que a guerra no Oriente Médio praticamente fechou o Estreito de Ormuz ao transporte marítimo, forçando uma série de grandes projetos a reduzir a produção e fazendo os preços do petróleo ultrapassarem US$ 100 por barril.
A situação mergulhou cadeias de suprimentos no caos e, quanto mais tempo durarem as hostilidades, maiores serão os riscos de uma disparada da inflação global.
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A Arábia Saudita produz cerca de 10 milhões de barris de petróleo por dia e exporta aproximadamente 7 milhões diários. A Aramco tem desviado parte desses embarques da rota habitual por Ormuz para Yanbu, no Mar Vermelho. No entanto, o oleoduto que transporta esses volumes tem capacidade para 5 milhões de barris por dia — insuficiente para substituir totalmente as exportações que normalmente passam pelo estreito.
O J.P. Morgan havia estimado anteriormente que a Arábia Saudita esgotaria sua capacidade de armazenamento de petróleo e combustíveis em pouco mais de dois meses desde o início do conflito. Em comparação, o Iraque chegaria a esse ponto em cerca de uma semana e o Kuwait em duas. Ambos os países também começaram a reduzir a produção antes desses prazos.
Em teoria, os produtores árabes ao redor do Golfo Pérsico - incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque - têm coletivamente pouco mais de 100 milhões de barris de capacidade de armazenamento ainda disponíveis, ou cerca de um terço do total, segundo Antoine Halff, cofundador e analista-chefe da empresa de análise geoespacial Kayrros.
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Mas o nível efetivo na prática será menor e, de qualquer forma, o uso operacional raramente ultrapassa 80% da capacidade nominal, afirmou ele em uma publicação no LinkedIn na semana passada.
A Saudi Aramco também tomou uma medida rara ao oferecer parte do fornecimento por meio de uma série de licitações para entrega imediata, algumas delas a partir de um superpetroleiro próximo a Taiwan. Normalmente, a empresa oferece petróleo apenas por contratos de longo prazo. Essa é mais uma evidência de que produtores estão adotando medidas incomuns para manter o mercado abastecido.
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Separadamente, um petroleiro carregado com petróleo saudita parece ter atravessado o Estreito de Ormuz nos últimos dias com o sinal de satélite desligado. É um dos primeiros grandes navios a cruzar a passagem, embora a grande maioria dos armadores ainda relute em fazê-lo.
