Com duas vitórias seguidas, Bellão entrega a Franclim Carvalho um ‘novo’ Botafogo

 

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A vitória de virada sobre o Vasco, no último sábado, em São Januário, por 2 a 1, sintetizou a melhora do Botafogo com Rodrigo Bellão em relação ao período de Martín Anselmi, demitido no fim do mês passado. Sob o comando do argentino, o alvinegro conquistou seis pontos dos 18 possíveis, estava na zona de rebaixamento do Brasileirão e era criticado pela fragilidade defensiva. Algo corrigido pelo interino, pelo menos nos dois últimos jogos.

Com Martín Anselmi, em seis partidas no Brasileirão, o time até teve um bom desempenho ofensivo — foram dez gols marcados, com média de 1,6 por jogo —, mas sofria bastante defensivamente: 12 gols sofridos, média de 2 por partida. O desequilíbrio se refletiu no aproveitamento do Botafogo na competição de apenas 33,3%.

Brilho apenas na estreia

No período, o Botafogo perdeu para Grêmio, Flamengo, Fluminense e Palmeiras, e conseguiu derrota Bragantino e Cruzeiro. Contudo, o único desempenho à altura foi na primeira rodada da competição, na goleada por 4 a 0 sobre a equipe mineira, ainda em janeiro.

Com Bellão, o time seguiu produzindo no ataque — foram seis gols marcados em três jogos — e teve uma defesa mais compacta, principalmente no clássico de sábado passado. Esse, pelo menos, foi o plano do treinador interino, que agora vai voltar ao sub-20 e dará lugar para o português Franclim Carvalho, que começa hoje.

— Assim que assumi, eu tentei trazer um equilíbrio defensivo, uma consistência. Com o calendário atual, é muito difícil a gente conseguir coordenar a equipe com pouco tempo para jogar um pouco mais alto, a minha ideia foi tentar explorar a qualidade dos jogadores e algumas características — disse Rodrigo Bellão em entrevista coletiva após vitória sobre o Vasco.

Outra mudança de Bellão foi o estilo de jogo do Botafogo. No clássico, o alvinegro atuou de maneira reativa, algo que não é comum para o time em 2026. Enquanto deu campo e esperou o Vasco tomar a atitude, conseguiu aproveitar contra-ataques que acabaram levando perigo à meta cruz-maltina.

Com Bellão, o Botafogo teve o dobro do aproveitamento de Anselmi no Brasileirão — 66,6% a 33,3% —, apesar de ter tido uma média de gols sofridos maior — muito por conta da goleada sofrida por 4 a 1 para o Athletico, no primeiro desafio do interino. Mesmo assim, é evidente a compactação do time defensivamente e a melhora na parte ofensiva em relação aos outros jogos de 2026.

Além da melhora tática, o Botafogo de Rodrigo Bellão também cresceu no aspecto anímico e na confiança dos jogadores, que estavam sendo criticados pela torcida. Os atacantes Arthur Cabral e Matheus Martins, por exemplo, voltaram a ter um bom desempenho sob o comando do treinador interino. O camisa 11 se consagrou com um belo gol, o da vitória no clássico.

— Eu sou um treinador que busca entender melhor a posição onde o jogador se sente confortável e, com isso, eu explorar o potencial dele. Foi isso que eu tentei fazer, colocar alguns atletas no lugar onde eles podem render mais. Não é uma questão de jogar reativo, eu tentei melhorar a defesa. E dentro disso, uma estratégia que eu podia explorar o adversário — finalizou.

Copa Sul-Americana

Com sentimento de dever cumprido, Rodrigo Bellão entrega o Botafogo com a moral lá em cima para Franclim Carvalho, que inicia hoje os trabalhos com o elenco e chega para ser o nono técnico desde que John Textor assumiu o clube. A contratação do técnico português é uma aposta do empresário americano.

A estreia de Franclim será na quinta-feira, contra o Caracas-VEN, no Nilton Santos, pela primeira rodada do Grupo E da Sul-Americana.