Com dólar em queda, brasileiros voltam a programar viagens internacionais: 'cada centavinho ajuda'
A recente queda do dólar tem levado brasileiros a reorganizarem os planos de férias e voltarem a considerar viagens internacionais. A moeda americana, que chegou ao patamar recorde de R$ 6,19 em dezembro de 2024, vem recuando de forma consistente e fechou esta segunda-feira (27) cotada a R$ 4,98.
O movimento impacta os gastos fora do país. Segundo o Banco Central, as despesas de brasileiros no exterior somaram mais de R$ 6 bilhões nos três primeiros meses de 2026, o maior valor para o período desde o início da série histórica.
Profissional da área do marketing, Luiza Prevato conta na última oportunidade que viajou para os Estados Unidos, em maio do ano passado, o dólar girava em torno de R$ 5,70, o que fez a viagem ser regrada, com menos passeios e poucas compras. Agora, com a baixa na moeda americana, Luiza espera voltar com mais conforto e liberdade.
“Com a baixa do dólar, eu vi uma oportunidade de viajar para os Estados Unidos. Eu gosto muito de viajar para lá, mas, nos últimos tempos, com a moeda muito acima do normal, batendo seis e pouco, eu realmente não tinha condições. Com certeza, a queda me dá mais liberdade para fazer uma viagem muito mais tranquila, porque já viajei outras vezes com o dólar mais alto e tive que gastar o mínimo. Hoje, consigo comprar o suficiente para fazer compras, ir a restaurantes e aproveitar com mais tranquilidade.”
A fisioterapeuta Kelly de Souza, que acabou de voltar de uma viagem pela Bolívia e pelo Chile, já planeja o próximo destino para dezembro. Kelly, que já visitou 25 países, conta que sempre buscou alternativas para viabilizar viagens, mas admite que o câmbio mais favorável faz diferença significativa. Kelly espera viajar novamente em dezembro, mas já começou a compra dólares agora para aproveitar o melhor preço.
“Animou muito. No montante, dá uma diferença absurda, ainda mais para quem fica 14, 15 dias lá fora. Qualquer centavinho de diferença na cotação é válido. O que eu faço é guardar todo mês um valor, independente de já ter um destino certo. E agora, aproveitando a queda, ao invés de guardar em real, eu compro logo o dólar e guardo em dólar. Agora que eu estou vendo que está cinco e pouco, estou bem mais animada.”
Fisioterapeuta Kelly de Souza.
Reprodução/Arquivo pessoal
O economista André Perfeito, da Garantia Capital, explica que a desvalorização do dólar frente ao real é resultado de um conjunto de fatores externos, como superávit comercial, juros mais altos no Brasil e até ações de Donald Trump. Para o especialista, o dólar não deve cair muito mais, mas pode se estabilizar.
“Isso faz o real ficar mais forte e está permitindo que muitos brasileiros viajem para o exterior, além de abrir uma dúvida: será que está na hora de comprar dólar? Eu acho que esse cenário deve se manter por um tempo, então a gente deve ter um real ainda um pouco mais forte, mas seria irrealista imaginar uma queda muito mais acentuada da moeda norte-americana. Uma alta só ocorreria com alguma mudança muito forte no cenário externo, o que não parece ser o caso no momento.”
Com o dólar mais baixo, gastos com passagens, hospedagem e compras no exterior tendem a ficar menores, o que ajuda a impulsionar o turismo internacional entre brasileiros. Ainda assim, especialistas recomendam cautela, já que o câmbio pode sofrer oscilações dependendo do cenário externo..
