Com dois meses de Guerra no Irã, Fed mantém os juros entre 3,5% e 3,75%. Entenda impacto no Brasil

 

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O Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve a taxa de juros da principal economia do mundo entre 3,5% e 3,75%. É a terceira manutenção seguida do indicador, que guia aplicações mundo afora. Mas a decisão não foi unânime: quatro diretores votaram contra a decisão da maioria.

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No comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) afirmou que a incerteza sobre as perspectivas econômicas continua elevada:

“Os desdobramentos no Oriente Médio estão contribuindo para um elevado nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas”, diz trecho do comunicado. Anteriormente, os diretores afirmaram que as implicações do conflito para a economia eram incertas.

A decisão não foi unânime. Oito diretores votaram pela manutenção e outros três foram contrários à linguagem do comunicado, pois "não concordaram com a inclusão de um viés de afrouxamento no comunicado neste momento". Stephen Miran, diretor indicado por Trump, votou por um corte de 0,25 ponto. Essa foi a primeira vez desde outubro de 1992 em que quatro dirigentes divergiram de uma decisão do Fomc.

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— No curto prazo os preços mais altos de energia aumentaram a inflação no geral e a duração dos efeitos na economia permanecem incertos, assim como o curso do conflito. A política monetária não tem curso definido e o Fed vai tomar decisões de reunião a reunião — disse Powell em coletiva de imprensa logo depois.

Powell parabenizou a nomeação pelo Senado realizada nesta manhã para seu sucessor, Kevin Warsh. Disse que acolheu com satisfação o fim da investigação criminal aberta contra ele pelo Departamento de Justiça americana.

O atual chefe da autoridade monetária afirmou ainda que não vai deixar o conselho do Fed até que haja a conclusão das investigações.

— Ficarei por tempo indeterminado no Conselho até que a investigação estiver finalizada — ele afirmou, dizendo que a permanência é explicada pela “série de ataques” que o Fed vem sofrendo.

O movimento era amplamente esperado pelo mercado. Momentos antes da decisão, a plataforma FedWatch previa em 100% as chances de estagnação. A decisão acontece durante o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio, que completou dois meses.

Diferentemente do BC brasileiro, o Fed possui o chamado duplo mandato: o nível das taxas deve mirar a inflação na meta, de 2%, e manter o mercado de trabalho com o menor nível de desemprego possível.

As autoridades repetiram a expressão referente à “extensão e ao momento de ajustes adicionais” nas taxas de juros. Os membros votantes reduziram os juros por três vezes nos meses finais de 2025.

Última reunião de Powell no comando

Jerome Powell fez hoje sua última presidência do Fomc sem ter cedido às pressões do presidente Donald Trump pela queda dos juros. Seu mandato fixo, que iniciou a chefia do Fed (que é uma instituição com autonomia similar à adotada pelo BC do Brasil) em 2018 e foi reconduzido em 2022, terá fim em 15 de maio, antes da próxima reunião.

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Indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ser o próximo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh recebeu nesta quarta-feira o aval do Comitê Bancário do Senado por 13 votos a 11, em linha com as divisões partidárias. Com isso, ele fica no caminho para ser confirmado pelo plenário antes do fim do mandato de Jerome Powell, em 15 de maio.

O presidente americano Donald Trump indicou o ex-diretor do Fed Kevin Warsh para substituir Powell. Mas um senador republicano influente, que considera a investigação do Departamento de Justiça politicamente motivada, prometeu barrar a confirmação de Warsh enquanto a investigação continuar.

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Como o juro americano afeta o Brasil?

A decisão sobre o juro americano tem impacto global. Isso porque o indicador calibra o valor do dólar, refletindo em moedas e investimentos em todo mundo.

Quando a taxa está alta, parte volumosa do capital global vai para os Estados Unidos, já que o país é considerado um dos mais seguros do mundo para aplicações. Com menos dólares no mundo, o preço da moeda aumenta. É tendência que empresas de capital aberto também apresentem desvalorização.

Quando há um ciclo de queda por lá, portanto, o capital global começa a sair dos Estados Unidos em busca de novas geografias em que as aplicações possam render mais.

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