Com desistência de Castro, aliados de Flávio veem Sóstenes com mais apoio para disputar Senado e Jordy correndo por fora

Com desistência de Castro, aliados de Flávio veem Sóstenes com mais apoio para disputar Senado e Jordy correndo por fora

 

Fonte: Bandeira



A decisão do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro de desistir da candidatura ao Senado acelerou dentro do PL a reorganização do palanque bolsonarista no estado para as eleições de outubro. Com a saída de Castro da disputa, anunciada nesta quinta-feira, dirigentes do partido veem o líder da legenda na Câmara, Sóstenes Cavalcante, ganhando força para assumir a vaga ao Senado na chapa que será encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro no Rio. A tendência é que a decisão final seja tomada por Flávio já na próxima semana.

A movimentação começou ainda na noite de quarta-feira, quando Castro telefonou para o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e para o presidente estadual da legenda, Altineu Côrtes, comunicando que não disputará mais o Senado. Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, o ex-governador afirmou que decidiu abrir mão da candidatura para se dedicar à própria defesa diante da sequência de investigações e operações da Polícia Federal envolvendo sua gestão e a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Nos bastidores, a avaliação de aliados de Flávio é que a permanência de Castro na chapa havia se tornado politicamente insustentável. Integrantes da legenda afirmam que havia temor crescente de que o desgaste jurídico do ex-governador contaminasse diretamente a estratégia nacional da pré-campanha presidencial do senador

Na avaliação de parte dos integrantes da cúpula do PL, o nome que reúne mais apoio é o de Sóstenes. Interlocutores da legenda afirmam que o deputado ganhou força nos últimos dias por combinar fatores considerados estratégicos para o bolsonarismo no Rio: forte inserção entre lideranças evangélicas, trânsito consolidado no interior do estado e perfil alinhado ao núcleo ideológico mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Procurado pelo GLOBO sobre a possibilidade de assumir a candidatura, Sóstenes afirmou que pe um "soldado do partido".

Integrantes da legenda ponderam que a definição ainda não está completamente fechada e que outras alternativas seguem sendo avaliadas pela cúpula do PL.

Entre os nomes monitorados está o deputado federal Carlos Jordy, que há meses se movimenta internamente com o objetivo de disputar o Senado e voltou a ganhar espaço nas conversas após o enfraquecimento político de Castro. Jordy tem apoio de parte da ala mais ideológica do partido e mantém interlocução próxima com setores importantes do bolsonarismo fluminense. No entanto, pesa contra o deputado sua menor capilaridade entre prefeitos fluminenses.

Outro nome lembrado por integrantes da legenda é o do senador Carlos Portinho. Apesar de aliados avaliarem que ele possui boa interlocução política e perfil técnico bem visto dentro do partido, dirigentes do PL ponderam reservadamente que Portinho nunca disputou uma eleição majoritária própria no estado — ele assumiu o mandato após a morte do senador Arolde de Oliveira, em 2020. Integrantes da legenda afirmam ainda que o senador já vinha trabalhando com a perspectiva de disputar uma vaga na Câmara e hoje atua na coordenação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Um quarto nome também passou a ser monitorado por integrantes do partido: o da mãe de Flávio Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro. A possibilidade é defendida por parte da ala bolsonarista por causa do potencial de mobilização do sobrenome Bolsonaro no estado. Interlocutores do senador, porém, afirmam que Flávio tem dado sinais de que prefere uma alternativa com mais experiência política.

Fora do PL, interlocutores citam ainda o ex-chefe da Polícia Civil Felipe Curi (PP). Integrantes do partido, porém, afirmam que uma eventual candidatura dependeria antes de definições envolvendo o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), aliado do grupo bolsonarista no estado. A avaliação é que o palanque não poderia ser ocupado por dois nomes da federação União-PP e caberia a Canella desistir para abrir espaço para Curi.