Com cinebiografia, musical e show do Cirque du Soleil, marca Michael Jackson parece imune às acusações de abuso

 

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Dezessete anos após a morte de Michael Jackson, um novo filme biográfico sobre o cantor está sendo lançado. O longa-metragem, dirigido por Antoine Fuqua, parece destinado a impulsionar ainda mais o sucesso da marca, apesar das acusações de abuso sexual infantil que ainda assombram a história do Rei do Pop.

O estúdio Lionsgate almeja uma bilheteria mundial de US$ 700 milhões com o longa-metragem "Michael", que estreia em Berlim nesta sexta-feira — e chega ao Brasil no próximo dia 23. Essa cifra superaria em muito outras produções do mesmo gênero, com exceção de "Bohemian Rhapsody", inspirado em Freddie Mercury, que arrecadou US$ 910 milhões.

"Michael" é apenas o mais recente capítulo de um império econômico construído em torno do nome de Jackson. "MJ: The Musical" estreou na Broadway em 2022, com apresentações em outros países, enquanto a produção "Michael Jackson ONE" do Cirque du Soleil está em cartaz em Las Vegas desde 2013.

Jaafar Jackson, filho de Jermaine Jackson, interpreta o tio Michael no filme

Reprodução/IMDb e YouTube

Mychael Darklighter, um fã que mora na Austrália, disse que já assistiu ao musical duas vezes. "Em todas as apresentações a que assisti, o público de todas as idades delirou com o show", disse ele.

No ano passado, pela décima terceira vez desde sua morte em 2009, Jackson liderou a lista da Forbes das celebridades falecidas mais bem pagas. E no Spotify, o artista tem mais ouvintes mensais do que Beyoncé, Post Malone ou Olivia Dean — todos grandes nomes do pop contemporâneo.

Vincent Amen, ex-conselheiro de Jackson, disse acreditar que o novo filme aumentará ainda mais esse apelo. "Com a base de fãs que ele tem, acho que estão no caminho certo para o sucesso comercial", afirmou.

Bebê na varanda

Kimberly Krautter, da empresa de relações públicas K-Factor Strategies, afirmou que os negócios de Jackson são mais lucrativos após sua morte, pois estão "menos carregados de controvérsias". Entre outras coisas, ela lembrou a gafe que Jackson cometeu em 2002, quando segurou seu bebê sobre a grade da varanda de um hotel em Berlim enquanto acenava para os fãs reunidos abaixo.

Amen concorda que o sucesso da carreira do cantor era frequentemente ofuscado por momentos controversos. "Qualquer publicidade positiva que ele tivesse era contrabalançada pelos seus erros como publicidade negativa, e isso tornava muito difícil fazer negócios com ele", disse ela.

Destruindo a imagem

Apesar de ter sido absolvido em 2005 em um julgamento criminal por abuso infantil, Jackson nunca conseguiu restaurar sua imagem em vida. Outras supostas vítimas entraram com ações civis após sua morte, e vários casos ainda estão em andamento. O artista nunca foi condenado, nem na esfera criminal nem na cível.

Segundo diversos veículos de comunicação, nenhum desses episódios aparece na cinebiografia, que foi produzida sob a supervisão da família Jackson.

Jaafar Jackson e Michael Jackson, seu tio

Reprodução

"Eu adoraria que o filme contasse a história mais humana possível sobre Michael Jackson", disse Mark Anthony Neal, professor de Estudos Africanos e Afro-Americanos da Universidade Duke. "Mas também sei que vivemos em uma época em que Hollywood não trata as celebridades dessa forma."

Para Krautter, a imagem de Jackson foi relativamente preservada porque ele morreu antes do movimento MeToo, que, entre outros casos, levou à queda do cantor R. Kelly por abuso sexual infantil.

Enquanto isso, o fã Darklighter está convencido de que Jackson não fez nada de errado. "Acho que seu legado está praticamente garantido (...) Não importa o quanto tentem destruir sua imagem", afirmou.