O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) disputa com o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) parte dos votos dos eleitores lulistas e de renda média mais baixa, segundo dados da pesquisa Quaest divulgados nesta semana.
Paes, no entanto, lidera em todos os segmentos e tem assistido o adversário ter a candidatura questionada judicialmente, com previsão para ser validada ou não pelo Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-RJ) ainda nesta quinta-feira.
No quadro geral do levantamento, Paes sai na frente com 37% das intenções de voto, enquanto o adversário tem 7%.
O desempenho de Garotinho, no entanto, sobe para 12% entre eleitores lulistas, apesar de não declarar voto nem ser o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado.
No passado, o ex-governador chegou a ser derrotado por ele na disputa presidencial, mas, no segundo mandato de Lula à frente do Planalto, buscou proximidade com o petista em função de uma aliança entre o seu então partido, o PMDB, e o governo.
Neste ano, contudo, Paes é o candidato no Rio que tem o aval do petista para concorrer ao Palácio Guanabara, obtendo apoio de 53% dos lulistas e de 61% dos eleitores de esquerda não lulista.
Tradicionalmente ligados à esquerda e ao petismo, os eleitores que recebem até dois salários mínimos também demonstram preferência por Paes (36%), mas parte ainda diz considerar Garotinho no segmento (10%).
Nesse grupo, ele registra seu segundo melhor desempenho entre os recortes feitos pela Quaest.
O ex-governador também consegue atrair uma parcela de eleitores bolsonaristas (9%), mas o grupo declara apoio em peso (39%) ao ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).
O grupo em que ele registra a menor intenção de votos (3%), por sua vez, corresponde ao de eleitores de 60 anos ou mais.
Ele também contabiliza a maior rejeição (69%) entre todos os candidatos ao governo, enquanto os índices registrados por seus principais adversários, Paes (41%) e Ruas (21%), são menores.
Questionado sobre o desempenho na pesquisa durante o cumprimento de agenda na Central do Brasil nesta quarta-feira, Garotinho minimizou os resultados e disse que espera crescer na reta final da campanha.
— Eu aprendi o seguinte.
Em 99% das corridas, o cavalo ganhador só aparecia quando o locutor dizia assim: "Eles entram pela reta final" — disse o ex-governador.
— Esse negócio de pesquisa não vale nada.
A Quaest ouviu 1.302 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 21 e 24 de agosto.
A pesquisa, contratada pela Globo e registrada no TSE sob o número RJ-08748/2026, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Em 2018, Garotinho foi condenado por desvios na área da Saúde na época em que era secretário de governo na gestão de sua mulher, Rosinha Garotinho (2003-2007), e punido com a suspensão de seus direitos políticos por oito anos.
O Ministério Público estadual sustenta, no entanto, que o trânsito em julgado do caso só se deu no ano passado, após o ex-governador ter o último recurso negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em função disso, o órgão argumenta que o prazo de inelegibilidade começou a contar somente em junho de 2025.
A decisão se Garotinho poderá ou não concorrer em outubro cabe ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado, que analisará nesta quinta-feira o registro de candidatura dele.
*Da CBN.
