Com avanços de medidas expansionistas, ONU afirma que Israel busca 'mudança demográfica permanente' na Cisjordânia e em Gaza

 

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Em sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, realizada nesta quinta-feira em Genebra, o alto comissário da ONU, Volker Türk demonstrou preocupação com as ações militares lideradas por Israel na Cisjordânia ocupada e em Gaza. Segundo ele, as operações têm o objetivo de provocar uma "mudança demográfica permanente" nos territórios palestinos.

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— Em conjunto, as ações de Israel geram preocupação quanto à limpeza étnica — declarou o comissário.

Na fala, Türk cita principalmente uma das incursões que está em atividade há um ano, ação que já provocou o deslocamento de 32.000 palestinos. Em fevereiro deste ano, Israel anunciou planos que permitem que terras da Cisjordânia sejam registradas como "propriedades do Estado". Houve também a derrubada de termos que impediam a compra de lotes no território por israelenses.

Para os ministros, a mudança é "um passo que aumentará a transparência e facilitará a redenção de terras". Já o Ministério das Relações Exteriores de Israel, diz que as decisões são uma forma de corrigir o que chamaram de "distorção racista" que "discriminava judeus, americanos, europeus e qualquer pessoa que não seja árabe na compra de imóveis na Judeia e Samaria".

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Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, disse que as medidas criadas por Israel são consideradas "perigosas". Em apelo, Abbas solicitou intervenção por parte do Conselho de Segurança da ONU e dos Estados Unidos.

Essa é uma tentativa aberta de Israel para legalizar a expansão de assentamentos, o confisco de terras e a demolição de propriedades palestinas, inclusive em áreas de soberania — afirmou.

Segundo a ONG israelense "Paz Agora", o governo de Israel aprovou 54 assentamentos no ano passado, um retrato da expansão no território. Nesta semana, 20 países, incluindo Brasil, França, Espanha e vários Estados muçulmanos, emitiram uma declaração conjunta de condenação à expansão israelense. Para as nações, Israel constitui uma ação de "anexação de fato". A ocupação israelense da Cisjordânia ocorre desde 1967.